Clube de companheiras de genero


 

 

Meu primo teve a paciência de passar todas as filmagens de família pra DVD. Veja bem. Eu acabei assistindo só esse mesmo, porque fiquei com muita saudade do meu pai. Repara. Como ele se parece com Luís Felipe Scolari.



Escrito por Mary W. às 17h37
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A coisa que tá me pondo nervosa. E eu devo pensar nisso até quinta-feira que vem. Não nessa. A próxima. Ano passado eu e o professor de filosofia fizemos uma espécie de sarau num bar aqui da cidade. A gente falou sobre tropicália. E foi bem legal, a gente falando e uma banda tocando as músicas. E eu desci a lenha e ele elogiou e todo mundo participou um monte e ficou famoso o evento. Saiu no jornal e as pessoas deram mil sugestões de temas pra gente fazer o próximo etc. Quando eu cheguei pra fazer a aula de inglês, a professora comentou comigo. Que ouviu dizer que foi incrível e que queria ter ido e que não foi porque tinha uma formatura. E eu disse ah que pena. E estamos fazendo as aulas desde então. E ela é realmente incrível nisso de arranjar temas. Na aula passada ela me deu um texto sobre celebridades e aí começamos a falar de Madonna. E então ela me contou sobre o show da Madonna na Argentina e que lá ela cantou as músicas de Evita. E aí ela disse que tinha ido no museu da Evita em Buenos Aires e que tinha adorado. Evita é um desses assuntos tipo Fidel, né? A gente adora a pessoa mas sabe que tem inúmeros problemas e não consegue deixar passar. Ela consegue fazer isso super bem. Ela acha o assunto que eu não consigo deixar passar. Eu fico pensando o quão inteligente ela é. Porque deve fazer isso com todos os alunos dela, né? E acho incrível mesmo. Porque ela tira a gente duma conversinha que linda é Buenos Aires e que lindo é o tango. Eu falo meio que qualquer coisa em inglês se eu tiver tempo, mas tenho muita dificuldade de ir pensando e falando. Mas o problema não é esse. Que isso é legal. O problema é que no final da aula passada ela retomou o assunto do tropicalismo. E aí ela pediu pra eu apresentar pra ela, a palestra que eu dei no sarau. Eu falei que podia, mas eu fiquei bem tensa na hora que ela falou. E eu perguntei se eu podia preparar um texto e ler. Ela falou que tudo bem, mas que seria legal que eu montasse como estou acostumada. Com power point e datashow se fosse o caso das minhas palestras serem assim. E aí eu topei. Mas tô com tanta dificuldade de fazer que você nem imagina. Primeiro eu fiquei traduzindo mesmo o que eu tinha falado. Depois achei melhor fazer uma coisa mais simples, que não tenha tanta nuance de argumentação. Mas eu simplesmente não tô gostando. E aí tem esse lance que eu falo aí embaixo. Do presente perfeito. Que eu fico pensando se uma coisa como a Tropicália nunca vai pro passado. E aí eu devo, talvez, colocar o texto-base aqui, se eu não ficar com vergonha. Pra saber a sua opinião. Eu nunca escrevi um texto em inglês. Só redação mesmo. E comments na Ms. Magazine.

Teve uma coisa tão legal também, na última aula. Eu expliquei pra ela que eu sei tudo o que falam de língua. E faz tempo que eu sei. Que é outra estrutura e que tem que pensar diferente. Mas que eu tenho dificuldade com isso. E sempre tive. E que eu preciso entender umas coisas. E que eu não entendo o presente perfeito. Porque eu não acho que é perfeito. Pelo contrário, considero super imperfeito. Praticamente um passado. E que eu sempre desvio de usar porque acho que não é presente etc. E que eu sabia que não estava lá pra conversar disso, mas eu gostaria muito de saber porque ela acha que é perfeito. E ela me respondeu uma coisa tão legal. Ela disse que era perfeito porque era presente pra sempre. Nunca deixaria de ser. E que não é porque as coisas aconteceram num determinado tempo que elas vão pro passado. Tem coisas que nunca vão. Eu tive um aborto, eu falei. E ela disse que exatamente. Que não tem como ir pro passado e que seria presente pra sempre.



Escrito por Mary W. às 17h50
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É uma coisa tão irritante isso. Porque mesma coisa na ilha. E me lembra o livro da Alembert mesmo. Sobre como os movimentos revolucionários são machistas. Eu detestei tanto ler isso que eu nem vou comentar. Eu não entendo porque eu demoro pra me afastar dessa esquerda. Fico anos e anos simpatizando. Anos e anos. Mas eu queria falar outra coisa. Ontem na aula. Eu tava falando da diferença de liberalismo e social-democracia. Bem facinho mesmo. Só colocando mais estado e menos estado como diferenciador. E aí uma aluna me perguntou se eu vi que o Hugo Chávez tá entrando na casa das pessoas pra trocar lâmpada. Tipo aquela lâmpada que gasta mais por essa que gasta menos, fluorescente acho que é. A outra é capaz que seja incandescente. Mas eu não tenho certeza. Aí eu digo que não. Porque eu realmente não tinha conhecimento disso. Pois ele está. E ela falou daquele jeito, né? Como se ele entrasse pessoalmente, de farda e coturno e chutasse as pessoas e trocasse a lâmpada. Daí uma outra aluna disse que no Brasil teve isso também. Eu nem entrei nessa conversa porque eu nunca que me lembro de ter lido uma notícia sobre lâmpada. Daí ela contou que o governo brasileiro fez isso e que era só ir lá* e trocar as lâmpadas. Daí uma outra explicou que a diferença era justamente essa. Que o Chávez obrigava as pessoas a trocarem a lâmpada e o governo brasileiro não**. Aí elas concluíram que então vivíamos numa democracia e que a Venezuela não. E eu falei que o governo brasileiro entrava na minha casa pra ver se tinha água parada e me obrigava a jogar fora os meus pneus velhos. Não adiantou nada eu falar isso. Porque nos aproximamos demais da ilha. E, claro, ela foi citada. Uma aluna conheceu uma pessoa que já morou em Cuba. E aí ela começou a explicar pra todo mundo a igualdade de lá. E como todos tem direitos sociais***. E que as pessoas ganhavam pouco mas não passavam necessidade. A sala toda foi concordando (?!?) com ela. E dizendo que mais que esse pessoal quer, se eles tem saúde e educação?. Falando dos grevistas da fome e tal. A aula não era mais minha, né? Eu já tinha abandonado tudo. Desde as lâmpadas de Hugo Chávez. Mas aí eu tive que fazer. Uma coisa que eu odiei. Eu tive que falar mal da ilha. E do governo atual da ilha. E do antigo governo também. E fiquei só criticando. E a menina refutava e eu continuava criticando. E eu saí péssima da sala, claro. Não é a primeira vez que eu tenho que fazer. Não será a última. Mas, né? No me gusta no.

*Não sei onde é lá. Esqueci de perguntar.

**O Lula não foi citado nessa conversa de lâmpada. Nem o FHC. Só assim mesmo "governo brasileiro".

***A gente tinha falado de direitos sociais na aula.

 

 

Talvez tenha ficado uma vibe assim, nesse post. Oh, que boa professora, que mantém a imparcialidade. Mas não é isso mesmo. Eu realmente odeio fazer isso e eu estou no mundo pra defender Cuba, nunca criticar. Quando tenho que fazer, detesto. Só pra deixar claro que não tô querendo mesmo um lance ui, meu altruísmo. Quando eu reli, ficou parecendo um pouco.



Escrito por Mary W. às 11h37
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Eu gostei tanto dessa foto que eu nem sei como explicar. Jodie Foster explicando, né? Que as coisas nem sempre foram fáceis assim etc.

 

 

 

 

Oferecimento @camilarhodes, claro.



Escrito por Mary W. às 04h57
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Eu não ia nem assistir Avatar. Eu não me interesso muito por filme de fantasia. E nem me interessava por ficção científica. Cada vez me interesso mais. A nossa sociedade foi ficando tão boba e os anseios ocidentais são tão idiotas que só filmes desse tipo dão conta de retratar toda a estupidez do imaginário. Eu gostei demais de Avatar, esse é o ponto. Primeiro por conta desse negócio de fazer o avatar dos nativos. E toda essa construção que a gente tem de diferença e igualdade através do corpo. É sempre a partir disso que vamos montando o nosso quadro de afinidades. E aí pra ser na'vi você tem que ser azul. E depois, no final, aquilo de tentar levar a cientista e o Jake pro corpo dos na'vi pra sempre e tal. Veja que eu pensei mesmo que Shrek e mesmo A Bela e a Fera eram um marco da superação do corpo. E volta esse resgate todo e tals. Eu gosto muito disso, de olhar pra isso. Mas o melhor do filme, pra mim, foi constatado a partir de um comentário do meu irmão. Que assistiu comigo. Quando avisam os na'vi que os americanos vão invadir. E eles não temem o suficiente. Meu irmão disse "esses na'vi são uns tontos, eles tem que fugir". E eu acho que esse é o xis da gaita de todos esses filmes a respeito da eliminação sistemática do Outro. É que o Outro nunca tem a menor ideia. Do tamanho da maldade na nossa cultura. O quanto somos capazes de ser maus e de não ter escrúpulo. Acho que a gente relativiza tanto pra dar conta mesmo. Da nossa flexibilização moral. Que é quase infinita. E então ninguém é tonto. Nem na'vi nem Incas nem ninguém. Eles apenas não conseguiram imaginar o tamanho do Mal. Porque é realmente uma construção social muito bem engendrada, a nossa maldade. Ela não é da natureza humana. Nós tivemos um trabalho imenso para construí-la e isso nos tornou imbatíveis mesmo. Todos os confrontos com o Ocidente simulam algum tipo de combate inteligível, né? Então temos os EUA fazendo isso e o Iraque respondendo com aquilo. Uma coisa assim. E de repente. Degringola. Todo mundo se lembra da primeira noite de ataque dos EUA ao Iraque. Aquilo que põe fim a qualquer tentativa de interação etc. É avassalador. E com tudo é assim. A empresa vai lá e conversa com a aldeia de pescador. E o líder dos pescadores fala isso, o porta-voz da empresa fala aquilo. E aí panz. Num belo dia são tratores e motosseras passando por cima. E eu acho que é isso que mais incomoda todo mundo por aqui. A gente sabe que toda negociação, todo diálogo é uma ilusão. E aí aquele chefe dos fuzileiros no filme. Impaciente com a simulação. E ele fica num papel de vilão, mas na verdade é o herói. Porque todo mundo ali conhecia o desfecho e só ele tratava com transparência. Então eu gostei muito de toda essa construção no filme. Que a gente já sabe o desfecho e assiste ele ser adiado e tals. Como todo mundo, eu acho que o final não deveria ter sido feliz. E embora eu ache que ainda é recorrente, discordo demais do "amor pela natureza" como alternativa para a maldade. Parece ser a única que encontramos. E então o final é sempre pobre. Se eu acho que a eliminação do Outro pelo ocidente deve ser ainda discutida, considero que precisamos de outras alternativas para o incômodo. E eu não tenho ideia de qual seria. Os dois focos de resistência "humana"* também me agradaram. A cientista pelo motivo óbvio. O irmão da Phoebe chega a verbalizar. Essa merda paga a sua ciência. E isso é um ponto. Porque essa ideologia de combate à maldade através da natureza, acaba combatendo a própria ciência. A gente sabe que a ciência é o maior pilar do capitalismo e não é possível que ela seja usada para outros fins que não o da eliminação dos obstáculos para o capital. Introdução ao marxismo de boteco, eu sei. Mas é a pura verdade. O Jake porque os motivos dele são todos extremamente individuais. Primeiro ele quer andar. Depois ele se apaixona por uma na'vi. O único papel que vale a pena é o da moça que pilota o helicóptero. Ela seria a única antissistêmica. E veja que ela não fez papagaiada de vestir avatar azul nem nada. Ela apenas se opôs e tal. Como a gente pensa que faz. Nós pensamos que essa lógica da maldade acontece fora da gente e tal. Enfim. Eu gostei do filme por esses motivos. E por aqueles outros. Eu gostei da rede em que eles dormem. E dos troncos da floresta. Achei bonito.

*Na verdade, humanos norte-americanos.



Escrito por Mary W. às 18h27
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Eu assisti tantas vezes esse filme. Lucas - A Inocência do Primeiro Amor quando eu era adolescente que meu irmão mais velho sabe até umas falas de cor. Tipo quando o Corey Haim, que é um garoto totalmente inadequado. Totalmente. Nas resenhas da internet dizem que ele era superdotado. Na verdade, ele colecionava insetos. E era muito menor que os outros meninos. E ele quer entrar no time de futebol. E não lembro o que aprontam com ele. E ele saia correndo pelado do vestiário. E daí toda a torcida começa a gritar pro menino. Inventam um grito de guerra pra humilhar ele. Meu irmão adora esse grito da torcida. Faz até hoje. Ele tá na Argentina, meu irmão. Queria falar pra ele. O Corey Haim morreu. Porque tenho certeza que ele vai falar o grito em seguida. Virou uma coisa pra vida dele isso. E ele nem gosta desse filme, eu acho. Assistia mais porque eu via muito. Eu tinha em VHS. Mas então. O Corey Haim quer entrar no time. Porque a menina que ele gosta namora um cara do time. E era tão linda essa menina. E ela sumiu também, acho. Vi na internet que o nome dela é Kerri Green. E ela é do bem. E o namorado dela, capitão do time, é do bem. É o Charlie Sheen. E todo mundo gosta do Lucas e tenta ajudar etc. E aí tem Winona Ryder. Ela é outra esquisita. E ela gama no Lucas. E ele não. Então é um filme muito bom. Porque os losers sofrem humilhações variadas APESAR da complacência dos winners. Então não tem um antagonista pro loser/freak. Isso é tão genial nesse filme. Traz tudo pra outra esfera mesmo. O Lucas não precisa de ajuda nem nada. Ele vai ser esquisito pra sempre. Uma coisa assim. E o Lucas era o Corey Haim. Etc.

Só pra registrar minha impressão mais forte sobre ele. Ao contrário da maioria, eu não ligo muito pra Lost Boys. Eu gosto apenas. Não mudou minha vida. Esse outro filme aí mudou.


O que tem de biruta nessa internet.

 




Escrito por Mary W. às 11h57
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Para Sam e Lucila

 

Eu sei que eu escrevi mais de um artigo sobre política de cotas, mas nunca consigo achar nada no meio dos meus blogs espalhados pela web. O que me parece central nessa discussão é algo simples, mas que fica enevoado. Que a política de cotas visa combater o racismo. É uma medida que tem como objetivo diminuir as desigualdades raciais. Tem uma economista do IPEA que escreveu um texto muito bom sobre isso, explicando um pouco a confusão. Ela diz que num país que tem tanta desigualdade social, é difícil demais que as pessoas consigam pensar políticas públicas por QUALQUER outro viés que não seja o de diminuir a desigualdade social. Então a gente usa via torta pra legitimar e fazer passar as políticas públicas que nos interessam e acabamos alimentando a lógica. É assim que nós fazemos com o aborto, quando concordamos em colocá-lo na pauta da Saúde Pública. Nós sabemos que é uma questão de autonomia do sujeito. Mas fingimos que ele tem que ser liberado porque é uma questão social e que as ricas fazem enquanto as pobres morrem. É verdade isso. Mas não deveria ser o caminho da luta. Os fins justificam os meios, mas até chegar no fim as pessoas já estão bem burras. Então o racismo brasileiro. Que está entranhado e precisa ser combatido. Daí essas propostas todas. Que a gente chama de ação afirmativa. E que envolvem desde visibilidade dos negros na publicidade e história da África até política de cotas. São ações que a gente chama de engenharia social. Recebem esse nome porque pretendem transformar a estrutura*, que seria viciada. Você precisa dar uma paulada na estrutura, pra que ela comece a fluir diferente. Uma das coisas que está na estrutura da sociedade brasileira é o racismo. Com todas as consequências psicológicas, sociais e econômicas. Se mudarmos a estrutura, mudaremos as consequências. Veja bem. Maior igualdade social é uma consequência que teremos ao combater o racismo. O que estamos discutindo é essa estrutura que foi historicamente construída para colocar um grupo sempre à margem. E sofrendo as consequências psicológicas, sociais e econômicas de estar à margem. As cotas tem a finalidade específica de aumentar a classe média negra e com isso permitir que o imaginário seja substituído. E que a diversidade tome conta. Que as pessoas no escritório e na cozinha não tenham "cor". É uma medida que se provou eficaz para a transformação da estrutura. Tanto que ela é pensada de forma provisória. Uma vez estabelecida a classe média negra, os filhos dela estudarão e assim por diante. O que, para mim, é o fundamental é perceber isso. Que não é uma política pública voltada para o combate à pobreza. É corretiva de uma estrutura que todos nós renegamos que tem origem no colonialismo e num dos episódios de maior barbárie da história universal. Aparecem problemas? Trocentos. Na sala tem aluna branca que conta que perdeu o PROUNI pra alguém só porque não era negra. Um colega de mestrado, que morreu de infarto com 30 anos, implementou uma cotas indiretas num morro carioca. Um cursinho de alta qualidade para estudantes negros. E ele, que também era negro, chorou quando um menino branco o procurou, pedindo pra frequentar as aulas. O menino morava no morro, ué. E claro que ele frequentou as aulas. E eu não sei o que aconteceu. Mas ele deve ter tido menos chance que os colegas, por conta das cotas. Ninguém é insensível aos problemas individuais. Ninguém é insensível às desigualdades sociais. Nós estamos, todos, acho, lutando por um mundo mais justo. Essa batalha específica, é sobre racismo. E eu noto que as pessoas colocam renda nessa batalha. E não é por maldade. É porque elas querem que também isso seja resolvido. E todo mundo quer. Mas política pública tem objetivo, tem público-alvo. Sem querer, essas pessoas embolam o meio de campo. Vamos lutar, então, por outras cotas. Mas ESSAS cotas são para negros. E visam combater o racismo.

Mais ou menos essa minha posição.

*Pra mim, estrutura social sempre deve ser definida, simplificadamente, como a justaposição entre as relações sociais, o que acaba dando "rosto" pra uma determinada sociedade. Portanto, para transformar a estrutura seria necessário desemaranhar as relações sociais e reestabelecê-las em outras bases.



Escrito por Mary W. às 15h55
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Eu não sei como falar isso sem parecer ridícula. Mas teve um tempo que a Folha de São Paulo cumpria mesmo um papel de me informar e de debater comigo. Chegava junto nas minhas reflexões e, claro, me fazia ir além. Nem sei quem é o ovo e quem é a galinha. Mas eu abria o jornal e ele estava na minha vibe. Eu sei que não é The Mary's Show, o mundo. Então muito provavelmente foi ele que me ajudou a ser assim. Daí que eu fui seca na Ilustrada hoje. Porque achei que fosse ter um comentário sobre o momento feminista do Oscar. Não sei o que eu tava esperando. Tipo um comentário duma psicanalista. Um artigo da Carla Camuratti. Sei lá o quê os jornalistas podem inventar. Mas eu achei que iam inventar alguma. Mas já faz tempo que a Folha não inventa nenhuma pra mim. Tem três colunistas na Ilustrada que falam prum público completamente diferente, de extrema-direita mesmo. O Marcelo Coelho perdeu completamente o viço. E sobra só o Caligaris. Daí uma análise toda ruim da noite do Oscar. Qualquer timeline fez melhor. E eu abri o Primeiro Caderno. E eu nunca esperava encontrar o que eu encontrei. O Alex acabou de linkar isso. E aí tem um resumo mais ou menos. Tem o artigo do Gaspari e, embaixo, nos comments, o artigo de hoje. Que Demétrio Magnoli escreveu. E aqui tá a reportagem da Laura Capriglione e do Lucas Ferraz. E o Magnoli teve esse acesso. E a Folha abre seu espaço mais nobre pra que ele possa ter o acesso. E aí eu fico sem saber o que pensar mesmo. Porque eu me lembro de entrar em contato com várias questões raciais através da Marilene Felinto, quando ela escrevia pro jornal. Me lembro de vários cadernos especiais discutindo racismo. De repente tudo se resume a Demétrio Magnoli e Marco Antonio Villa. Como se apenas os dois topassem mesmo salvar a pele desse partido ignorante. O artigo do Chico de Oliveira, no Estadão, semana passada. O fim da ditadura, é o nome do artigo. Dizendo que agora sim nos livramos dela. Já que o DEM acabou. E aí a Folha de São Paulo pretende dar oxigênio pra Demóstenes Torres. Através desse expediente imoral e desonesto que é o revisionismo histórico em relação à escravidão. Não sei que luta é essa. Parece uma coisa bushiana mesmo. Vamos conseguir o leitorado mais retrógrado ever. E ainda pode ser pior. Ainda é capaz que os dois repórteres e o Gaspari assinem a coluna ERRAMOS de amanhã.

Tão grave quanto a ditabranda.

Eu já pensei até psicanaliticamente sobre isso. Sério. Tipo o dono da Folha é cientista social mas nunca foi considerado um intelectual. Daí ele pega toda a luta social e acadêmica brasileira e joga no ralo. Não é que ele emperra debate. Ele tenta promover retrocesso. Como se fosse uma vingancinha por ele não ter respeito dos intelectuais etc.

 

AQUI, um ótimo post sobre tudo isso.



Escrito por Mary W. às 13h49
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Na Salon:

 

So before we bust the pink champagne, perhaps we should ask: Does Bigelow's victory still count for the ladies?

 

 

Há. Adorei isso aí de pink champagne.

 

É só seguir os links da Salon. Superbão de ler. É *o* pobrema da semana, vamos combinar.



Escrito por Mary W. às 04h19
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Outra coisa. É o assunto infinito esse, pra mim. Mas vamos pensar se. Tipo. Se a Jane Campion tivesse ganhado em 94 com O Piano. Filme que, aliás, eu gosto cada vez mais. Claro que ela faria um lance mais visceral. Certamente faria um discurso engajado. Talvez até fumasse charuto e "recebesse" uma entidade sufragista, ali, no palco. Mesmo a Coppolinha, vencendo em 2004 com Lost in Translation, faria um lance mais engajado, eu imagino. Mais cínica e pós-feminista, tenho certeza que colocaria algum sarcasmo anti-machista no discurso. O caso é que elas fazem um cinema em que gênero é um componente. Não é o único mas é um dos. E é um cinema que reflete o tempo todo sobre os desníveis e camadas das relações sociais. Daí que tão falando que a Bigelow ganhou com um filme masculino. Porque é filme de guerra. E na lógica binária, filme de menino. E eu discordo mesmo disso. Pelo motivo que eu já falei. Não é uma luta pra premiar filme feminista. É apenas para que homens e mulheres tenham condições de igualdade na carreira. Nesse caso específico, estamos falando de explodir tetos de vidro. Daí que trabalhei o dia inteiro com uma conexão meio ruim. Mas não curto o rumo que a conversa tá indo por aí.

 

E adorei o que a Monix falou:

Valeu ter visto a Bigelow vencer com um filme tão pouco "mulherzinha", um filme de guerra, reflexivo, mas sem aquela coisa da "delicadeza feminina", nossa, foi bom demais.

 

 

O rumo da conversa pra mim é esse. Não tem que inverter e dizer que mulher só ganha quando faz filme de homem. Porque é um passo pra trás, né? Supor que existe filme de homem e filme de mulher etc. Eu acho que ela arrebentou duas coisas, então. O teto de vidro. E a obrigação das mulheres dirigirem apenas um tipo de filme.

 



Escrito por Mary W. às 17h38
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Eu adorei que a Barbra Streisand apresentou o prêmio por inúmeras razões. Principalmente porque ela já sofreu com esse sexismo da Academia. Acho que todo mundo se lembra que ela não concorreu ao Oscar de direção com Príncipe das Marés. E é raro isso de um candidato a melhor filme não ter também indicação para melhor direção. A gente pode dizer que foi um momento de duplo sexismo, esse que rolou no Oscar 1992*. Veja o que aconteceu. Príncipe das Marés indicado. Barbra Streisand não. E quem entra no lugar dela pra concorrer pra direção? Ridley Scott, que tinha feito o maravilhoso Thelma & Louise. Só que. Thelma & Louise NÃO foi indicado a melhor filme. E a Academia driblou as mulheres duas vezes** naquele ano. Indicando Scott e não Streisand. Colocando Príncipe das Marés e Thelma & Louise não. Eu me lembro muito bem desse ano. Porque eu morava em São Paulo e daí vi todos os indicados a qualquer coisa. E a Barbra Streisand chiou e chiou e falava de machismo em toda entrevista. E ainda teve um momento. Quando o Nick Nolte perdeu o Oscar. Ele ficou puto e acho até que levantou e foi embora. A equipe toda do Príncipe tava puta. Eu também tava. Daí que eu gostei que ela entregou. Porque a Academia vive de pedir perdão pelas merdas do passado. E eu acho bonito isso.

O caso todo é que a Bigelow não deu pinta ali. De ter qualquer compromisso com o feminismo. Ela não se lembrou de 1992. E duas vezes quis dedicar o prêmio às mulheres que estavam não-sei-onde e não conseguiu. Estendeu pros homens também. E ela agradeceu todo mundo que usa farda. E bombeiro e soldado e tal. Veja que Susan Sarandon não agradeceria soldado. Perceba que Barbra Streisand também não. E eu vi uma galera descendo a lenha nisso. E eu discordo TANTO. Ela não precisa ser feminista. O filme dela não tem que ser. Nada disso. Acabei de falar do filme mais feminista da história e foi um homem que dirigiu. Nesse caso específico trata-se apenas de quebrar um histórico telhado de vidro. Simbolicamente importante. A luta é feminista. Mas as ganhadoras não precisam ser. Uma coisa assim.

*Foi o ano do Silêncio dos Inocentes. Então não reclamo muito. É provavelmente um filme que entraria no meu top 3 com facilidade. E Geena Davis não ganhou. E nem Susan Sarandon. Mas, né? Jodie Foster e tals. Difícil esse ano. Difícil. Tinha Tomates Verdes Fritos. Era tudo meio feminista, sabe? E esse filme da Streisand. Eu sou maluca por esse filme. Sou maluca pelo livro que deu origem ao filme. Basicamente, pra quem nunca viu. Ela é psicanalista e o Nick Nolte está em terapia. E, rapaz. Começa a funcionar o tratamento e sai debaixo etc. O livro é bão porque detalha mais. Os sonhos dele etc.

**Ou três. Se você perceber que eles tentaram fingir que Tomates Verdes Fritos não existia. E indicaram só Jessica Tandy. Quando, na verdade, eram 4 atrizes indicadas que o filme deveria ter.



Escrito por Mary W. às 16h26
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Porque era assim antes. E agora já não é mais.

 

Beijo, Guerrilla Girls.

 

 



Escrito por Mary W. às 02h25
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A semana esteve completamente lotada. Minha prima que mora em Barcelona esteve aqui. E aí rola tudo aquilo. De tomar porre homérico terça-feira. E ouvir as histórias de lá. Ela falou sobre essa tolerância forçada que a Europa tem com os muçulmanos. Contou que na Itália assistiu uma mulher islâmica sendo agredida pelo marido. Ele cortou o rosto dela com uma faca. Minha prima estava com os amigos e o namorado italiano e foi bater boca e cobrou os amigos, né? "Vocês não vão fazer nada?". E todos eles repetiram a ladainha de que é a cultura deles. #sarkozyfellings, minha prima acha que os muçulmanos tinham que aceitar a cultura européia se querem viver lá. Cada coisa que você vê na rua, ela me diz. Eu já disse aqui da minha dificuldade de conjugar tolerância em relação a situação das mulheres no Oriente Médio, então nem encrenquei com ela. Quase concordei pra ser sincera. Daí essa é a semana de apresentação e entrega de DVDs. Nossa. Andei muito. Visitei 44 salas de aula. Falando EXATAMENTE a mesma coisa. A aula de inglês, pra variar, foi tão legal. Essa professora pega cada veia. Daí ela falou assim. Que a gente fala mal do Paulo Coelho e enaltece a J.K. Rowlings e que em termos de qualidade não tem diferença nenhuma entre eles. Cara. Ela lê minha mente. Não só escolhe assunto que eu não consigo deixar passar. Mas fala umas bobeiras sobre as quais eu sempre tenho pelo menos uns 4 pontos pra elencar. Eu comprei um netbook e ele chegou essa semana. É bem legal mas ainda tá sem o tal do 3G. Eu nunca tive internet móvel. Notebook, celular que conecta. Nunca tive nada disso. Eu tenho dúvidas sem tenho coragem de entrar na internet em público*. Acho que não faria. Anyway, eu comprei mais pra levar pro trabalho mesmo. Graças a Deus é Sexta-Feira tá fazendo muito sentido pra mim hoje. Eu estou absolutamente exausta.

*Eu sei que essa fase já passou. Mas eu acho super cafona ver as pessoas falando no celular na rua. Mais do que cafona. Acho muito carente.

Comprei outra coisa também. Essa totalmente inútil e compulsiva. Comprei um quebra-cabeça do Renoir e outro do Rockwell. Passeei na loja e quando vi, tinha escolhido 24 quebra-cabeças e gastado 1100 dólares. Daí tive que reduzir. Outra coisa pra fazer quando eu ganhar na mega sena. Ah. O do Rockwell é esse aqui ó:



Escrito por Mary W. às 18h38
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Dentre tantas coisas que se tornaram engraçadinhas. Pega bem falar mal de filme iraniano. Mostra, né? O quanto você é descolado e apto a rir de CQC. Revela, né? Que você considera coisa de intelectual qualquer manifestação artística que não seja convencional. Mais que isso. Quando você fala mal desses filmes, fica claro. Que ninguém te engana, campeão. E que você sabe mesmo reconhecer um bom filme, tanto que viu o último do Tarantino três vezes. Eu sempre penso em ignorância quando vejo alguém falando mal de filme iraniano. A pessoa só pode não ter assistido, eu acho. Porque são filmes muito bons de ver. São agradáveis e ágeis. Surpreendem sempre porque colocam o clímax num lugar que a gente nunca imaginaria. E de todos esses filmes que fizeram a última revolução do cinema, o melhor é O Balão Branco. E mando mais beijos pra você, por ter me dado um de presente. É um filme tão especial e perfeito. E a gente só pode supor que o diretor seja um ET. Porque nunca vi um humano com tanta sensibilidade. Daí eu me deparei com O Círculo. Numa locadora em São Carlos. E assisti. E fiquei tão absolutamente tocada. O filme conta a história de mulheres iranianas que saem da cadeia. E mostra como elas fazem para se reintegrar naquela sociedade anacrônica. Então esse post não é nada. Eu acho o presidente do Irã a pior pessoa da face da Terra. Prendendo ou não prendendo esses diretores que eu tanto amei. Mas o caso é que ele vive prendendo. Então toda vez que ele prender, vou ficar puta. E vou ficar chiando etc.



Escrito por Mary W. às 13h53
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      Para pintar o retrato de um pássaro

      Primeiro pinte uma gaiola
      com a porta aberta.
      Depois pinte
      algo gracioso
      algo simples
      algo bonito
      algo útil
      para o pássaro.
      Então encoste a tela a uma árvore
      em um jardim
      em um bosque
      ou em uma floresta.
      Esconda-se atrás da árvore
      sem falar
      sem se mover...
      Às vezes o pássaro aparece logo
      mas ele pode demorar muitos anos
      antes de se decidir.
      Não desanime.
      Espere.
      Espere durante anos, se for necessário.
      A rapidez ou a lentidão do pássaro
      não influi no bom resultado
      do quadro.
      Quando o pássaro aparecer
      se ele o fizer
      observe no mais profundo silêncio
      até ele entrar na gaiola
      e quando ele assim agir
      delicadamente feche a porta com o pincel.
      Então,
      apague uma a uma todas as grades
      tomando cuidado para não tocar na plumagem do pássaro.
      Em seguida, pinte o retrato de uma árvore
      escolhendo o mais bonito de seus galhos
      para o pássaro.
      Pinte também a folhagem verde e o frescor do vento
      o dourado do sol
      e a algazarra das criaturas, na relva,
      sob o calor do verão.
      e então espere até que o pássaro decida cantar.
      Se ele não cantar
      é um mau sinal,
      um sinal de que a pintura está ruim.
      Mas se ele cantar é um bom sinal
      um sinal de que você pode assinar.
      Então, com muita delicadeza, você arranca
      uma das penas do pássaro
      e escreve seu nome em um canto do quadro.
                                                Jacques Prévert

 

 

Você sabe o que é liberdade de expressão, Branca?, eu perguntei. Porque me chamaram pra fazer essa tarefa com ela. Ela está na sétima série e eu considero um absurdo que esse desenho e esse poema sejam exigidos etc. Mas ninguém tava dando conta e pediram pra eu resolver. Daí tivemos uma conversa sobre liberdade de expressão e eu fiquei pedindo pra ela dizer quando não sentia liberdade pra dizer o que tava pensando. E ela respondeu, né? Que na escola ela sentia. Que em casa ela sentia. Por que tem dois balões?, ela perguntou. E eu disse que não entendi também. Que provavelmente ele precisava apoiar o canto em outra coisa. E que um balão era tão pesado e que o outro era tão leve. Eu não quis falar que um balão é escuro porque acho mesmo racista esse simbolismo. E a gente ainda tinha esse poema aí pra destravar. Aí lemos o poema. Se você soubesse da minha capacidade lírica, começava a chorar agora mesmo. E eu falei com ela sobre possibilidades mesmo. Que a gente pode desenhar o pássaro na gaiola e fora dela. E que o pássaro pode ou não entrar. E que temos responsabilidade pela liberdade. E eu achando tudo muito difícil porque eu não acredito que uma criança possa pensar tanto tempo simbolicamente. Daí voltava pra vida dela. E tentava colocar, né? Quando ela quis ser livre, quando ela achou melhor ficar presa e segura. Ela matou aula uma vez e sofreu consequências terríveis por conta disso. E às vezes é melhor ser obediente, acho que ela aprendeu. Ficamos nisso. Deitadas no sofá. Naquela posição deliciosa de se ficar com quem se ama, ela deitada no meu ombro, eu segurando o livro e a gente falando o quanto esse poema era esquisito. O quadro também. E aí ela respondeu as questões. Que mandava falar o que era liberdade numa e na outra obra. E foi. E aí hoje a professora entregou os trabalhos. E fez a Branca passar um vexame público. Disse que não era ela que tinha feito, que provavelmente ela possuía um exemplar do Livro Anglo de Professores. E disse que ela era desonesta e etc. Eu tava no trabalho quando minha tia me ligou, contando. Eu cheguei em casa e a Branca tava aqui. Ela me viu e começou a gargalhar. Você viu a confusão que deu o surrealismo?. Eu vi. E estou imensamente chateada.



Escrito por Mary W. às 18h37
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