Eu tive uma chefe que está afastada do cargo. Eu admiro muito essa mulher e sempre que puder fazer algo por ela, farei. Meio que em cima da hora, a faculdade pediu pra ela organizar o curso preparatório para concurso de professor. Ela veio aqui em casa no carnaval (porque tá morando em outra cidade) e pediu pra eu dar aula de 3 livros indicados. Eu disse que ok e fiquei com a primeira aula pra amanhã. Porque os outros professores não toparam, com prazo tão curto. Mas eu faço coisas impossíveis por ela. Na boa, é uma das pessoas que mais ajudou profissionalmente. Quarta-feira ela me liga. Eu teria que dar aula de um quarto livro. Pra amanhã também. E me mandou o livro. E é, talvez, o livro mais chato do mundo. É um desses livros sobre pedagogia do futuro. Ou o ensino em tempos tecnológicos. É uma bosta. Ele faz toda uma teoria a respeito das mudanças da corporeidade (ui). E como cérebro e mente estão se adaptando ao cibernético. É um teólogo que escreveu esse livro. Na capa ele mente e diz que é filósofo e sociólogo. Ninguém é filósofo e sociólogo. Só Marx. E ele fica só dizendo aquelas coisas. Que o paradigma cartesiano foi superado e que agora temos novas referências para pensar a realidade e o corpo humano. A anatomia não dá mais conta e ela tem que pedir ajuda para a teoria do caos e as teorias dos sistemas complexos. Como ele nem sabe direito o que nenhuma dessas teorias que ele tanto cita, a gente só consegue ler uma coisa durante todo o livro. Bláblábláblábláblá. Minha aula é amanhã à 1 da tarde. Eu tô na metade do livro. Porque tenho que montar a apostila e tô lendo e montando ao mesmo tempo. Aí inventei uma coisa arrojada, né? Dormi a tarde inteira. E dou aula agora e depois entro a madrugada até acabar isso tudo. Pra ser sincera. Tô sem intenção de dormir. Termino de fichar às 6 da manhã. E fico formatando as apostilas até a hora da aula. Não tem nada mais chato que dar aula pra concurso. Porque você não pode discutir. Criticar. Ilustrar com imagens ou um curta-metragem. É só informação, informação e informação. No caso de um concurso para professores. A informação é a respeito de como uma aula não deve ser apenas centrada na informação. É o segundo concurso pro qual eu dou aula, organizado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Tô pra ver um órgão mais incompetente. Eles tem essa mania de pedagogia do amor. E tudo aquilo que o tonto do Gabriel Chalita nos ensinou. Daí que sempre tem montes de teológos e coisas assim na bibliografia. Na boa, é de chorar.
Escrito por Mary W. às 18h18 [ ]
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Eu tinha desencanado de contar essa história. Eu tinha contado num post e não tinha postado. Aí ela me disse assim, enquanto jogávamos Farmville. Nesse mundo tem coisas fundamentais e coisas desnecessárias, a merda é qdo as desnecessárias são fundamentais pras fundamentais. E é sobre uma coisa aparentemente desnecessária esse post. Mas que na época já era fundamental pro fundamental. E tem sido cada vez mais. Eu tenho pensado nisso toda vez que vejo algumas tags de twitter tipo #twittuma saudade. E me lembrei disso na terça-feira, quando eu estava triste e usei aquele truque. De pensar numa coisa que te faz muito bem. E hoje na aula de inglês, eu pensei de novo. Eu tô fazendo aula de inglês VIP agora. Só eu e a professora e consiste em ficar falando e falando tudo em inglês. Hoje eu tive que explicar pra ela porque o ensino no Brasil vai mal. E eu tinha falado basicamente assim. E ela me solta que a culpa é da família. Daí eu tive que explicar tudo o Bourdieu pra ela. Juro por Deus. Em inglês. Ela é esperta essa professora. Porque ela acertou bem um assunto que eu não consigo deixar passar. A culpa é da família. Nossa. Capaz que eu caio dura se não conseguir falar alguma coisa diante disso. Mas a lição não era sobre isso. Era sobre o que eu faço quando me sinto deprimida. E eu me lembrei de novo disso. Desse desnecessário. E respondi que antes, eu jogava Age of Empire. Vou fazer um parágrafo então \o/ Eu comecei a jogar Age of Empires no ano 2000. Eu estava fazendo mestrado e meu afilhado de Brasília veio pra cá no Natal e me deu o jogo de presente. Eu gostei tanto e me envolvi tanto. Porque cada civilização tem características próprias e você precisa saber combatê-las. Se te atacam com catapultas, você defende de um jeito. Se for um ataque de bigas, de outra. E quem tem as melhores bigas? E assim por diante. Você traça uma estratégia de ataque e defesa e daí escolhe. Tem gente que não tem paciência pra descobrir qual biga tem maior alcance e simplesmente escolhe uma civilização simpática etc. Eu não fui assim. Logo eu era especialista em Age. E ganhava do PC com muita facilidade. E aí comecei a jogar multiplayer. No zone.com mesmo. E eu quase não defendi minha dissertação por conta desse jogo* . Jogando online, eu descobri um mundo. Os jogadores se agrupavam por níveis. Quem era de um determinado nível nem jogava com os níveis inferiores. Dentro disso havia os clãs de age. Um clã era um grupo de jogadores de alto nível que tinha uma homepage e que promovia campeonatos internos (pra fazer a hierarquia) e externos (para descobrir qual era o melhor grupo de jogadores do Brasil). Quando eu cheguei no zone.com, só havia uma mulher. Ela se chamava Lara e devia ter uns 12 anos a menos que eu. Rapidamente ficamos amigas e passávamos a noite no ICQ, enquanto esperávamos os jogos. Basicamente conversávamos de estratégia. Os meninos do zone.com também me aceitaram rapidamente, por conta de eu ser mulher, acho. Todos eles com 16 anos. Na época eu tinha 28. A Lara foi, então, convidada pra participar do clã mais tradicional de Age. O nome do clã era The Brazilian Empire (TBE) e o nome dela passou a ser Lara_TBE. Eu me dava muito bem com todo mundo desse clã, mas não fui convidada. A Lara jogava muito melhor que eu e ficávamos muito tempo treinando. Ela me ajudando. Me lembro que ela era especialmente crítica quanto ao fato de eu não pescar tanto quando devia. Porra, Mary, você não pesca!, ela sempre falava isso. Eu me sentia mais segura conseguindo comida com fazendas. Havia um menino nesse clã, ele se chamava Arkanjo_TBE e eu percebia que ele estava se apaixonando pela Lara_TBE. Era um clã basicamente carioca e eles acabaram se encontrando pessoalmente e ficaram amigos de verdade. O Arkanjo me alugava bastante no ICQ, mas não falava de estratégia. Só falava dela. E pedia pra eu ajudar. Eu tentava ajudar, mas ela queria falar de estratégia. E eu também. E então íamos pro treino ou pra jogos. Tinha um outro cara no Age, que tinha a minha idade. Ele se chamava Inter, porque era torcedor fanático. Nós éramos os mais velhos da sala e logo começamos a ter meio que um crush também. Ele me esperava pra jogar, sempre éramos da mesma equipe. Ele era de um clã chamado Destemidos Guerreiros do Sul (DGS), que só tinha gaúcho. Logo eu acabei entrando pro clã e passei a me chamar Mary_DGS ou algo assim. O Inter_DGS só reclamava da vida. A namorada tinha engravidado na adolescência e eles tinham se casado. Ele tinha, então, dois filhos e uma esposa. E ele acabava que detestava ser um pai de família. A esposa não curtia muito ele também, eu acho. Ela estudava um monte e era doida pra mudar de vida. A Lara ficava brava do tanto de tempo que eu passava com o Inter. Ele é casado, porra, ela dizia. Devia ter uns 20 clãs de Age funcionando no zone.com. E então marcamos o campeonato brasileiro. Todos os clãs se enfrentariam e saberíamos, afinal, qual era o melhor clã. Então começamos a decidir internamente quem seriam os jogadores que representariam os clãs. Numa partida de 3x3. Os três melhores iriam. Eu fiquei em 5o lugar no qualifying do meu clã. Isso me colocava na 2a reserva. Se eu não me engano, Inter_DGS, Fernando_DGS e Gucky_DGS eram os três primeiros. Fiquei chateada, mas não muito. É possível assistir aos jogos de Age e a "arquibancada" ficava lotada. A Lara_TBE também ficou na reserva e a gente se divertia horrores durante o campeonato. Até que um dos meninos tinha um casamento. Chamaram o reserva. Ele também tinha um compromisso de família. Tudo isso, você pode imaginar, o quanto eles ficavam putos. Xingavam a família e os parentes que resolveram se casar nesse dia. E eu fui escalada pra representar meu clã nas quartas de final do I Campeonato Brasileiro de Age of Empires. No sábado, às 4 da tarde. E eu fiquei feliz e emocionada e treinava toda a madrugada. Eu dava aulas já, nessa época, mas muito poucas. 8 aulas apenas. E então a minha chefe me chama (eu e os outros professores). E reclama do curso e do rumo das coisas e diz que a gente precisa fazer uma reunião. Apoio e concordo. E ela manda, então "vamos ter que fazer no sábado, às duas da tarde". Eu não sei te dizer até hoje. Se meu coração inchou e explodiu ou se diminuiu e virou ameixa. Sei que eu deixei de senti-lo. E falei "tá". E voltei pra casa e avisei os meninos que eles deveriam chamar o terceiro reserva. Todos os meus amigos ficaram chateados por mim. Eu não me lembro se foi útil a reunião e se conseguimos mudar o rumo das coisas. Mas eu me lembro que cheguei em casa e o Inter_DGS me mandou as fotos do jogo pelo ICQ. Foi um massacre. As catapultas deles destruíram até as nossas florestas. O mapa não nos favoreceu e estávamos fora da semifinal. Eu falei pro Inter que ia chorar, ele respondeu que já tinha chorado. Os TBEs se classificaram, mas a gente não jogou contra eles. O resultado do campeonato foi esperado. Um clã chamado Born To Kill (BTK) foi campeão. Todo mundo no zone.com comentava que eles eram melhores que os TBEs. Que os TBEs só jogavam com o nome. Eu concordava com isso. Um jogador foi fundamental pro título, o nome dele era Víbora_BTK e ele era de Brasília. A Lara_TBE nunca mais me deu sossego. Ficou gamada no Víbora durante o campeonato. E eles ficavam de tititi no ICQ e ela dava copy/paste nas conversas deles. Ela era uma menina bem bonita. Super carioca mesmo. Aquele cabelo loiro/queimado de praia e super batedora de boca. O Víbora se apaixonou por ela. E o Arkanjo sofria tanto com aquilo tudo. Eles passavam o dia juntos, ele e a Lara. Namora o Ark, eu dizia pra ela. E ela ria e dizia "se você conhecesse o Ark, jamais me diria isso". Eu conhecia por fotos e ele me parecia bonitinho. Mas o Víbora era bem mais gato. Tinha cabelo meio despenteado, caindo nos olhos. Pinta de skatista. E tanto ele e a Lara armaram que a mãe dela deixou. Ele ir pro RJ e ficar hospedado na casa dela. Ele estava completamente excitado. E meu ICQ virou um triângulo amoroso. Víbora e Arkanjo falando de Lara loucamente. E ela lá, flanando. A rainha do império. E o Víbora embarcou. E chegou. E a Lara e o Ark foram esperá-lo no aeroporto. E andaram pela cidade. E se beijaram e o Ark pegou um ônibus e foi pra casa. E chorou no meu ICQ como nunca antes na história desse país. Lá pro terceiro dia que o Víbora estava na cidade maravilhosa, entra a Lara no ICQ. Preciso falar com vc!!!!!! (sempre exagerada e com milhões de exclamações, ela era). E falou que não aguentava mais o Víbora. Que ele era um moleque. E que era bobo e infantil. E que gostava de homens mais maduros. Queixou e queixou. Fiquei num dilema ético. Mandou ou não pro Ark essa conversa? Nem lembro se mandei. Sei que logo ele e a Lara só faziam falar mal do Víbora pelas costas. Foi uma longa semana pros três. E o Víbora voltou pra Brasília. E pro meu ICQ. E ele estava irremediavelmente apaixonado. Nunca tinha conhecido uma mulher daquela antes. E não sabia o que tinha feito. Tudo tinha sido tão bom no começo e depois ela não queria mais beijá-lo e no fim mal tava falando com ele. O que eu fiz? Pergunta pra ela?. Isso durou um tempão. Aí o prazo da dissertação apertou demais. E eu tive que me despedir deles por um tempo. E desinstalei o Age. Defendi o mestrado, arrumei três empregos, comecei a ganhar bem e ficar sem tempo. Perdi o contato. Daí que terça-feira fui procurar esse pessoal todo. Não achei muita coisa. Os sites não estão mais no ar. O do DGS é o único que ainda funciona. E mesmo os fóruns (a gente passava horas nesses fóruns) não abrem mais. Sobre mim, achei essa referência aí. Veja que eu era do Conselho de Guerra. E um relato de jogo. Sobre a Lara, tinha perdido a esperança. Aí achei isso. 2007, em algum lugar do RJ. E comecei a chorar. Claro que num mundo perfeito ela teria se casado com o Ark. *Mas podemos inverter. E dizer que eu SÓ defendi minha dissertação por causa desse jogo. O que é interessante é o que eu conto dessa época. Mergulhada em Simone de Beauvoir, Claus Offe e Alain Touraine. Participando de debates feministas intensos, mapeando ONGs e grupos. Passava a tarde estudando como uma camela. Eu conto dessas dificuldades. Então não parece. Que estávamos na era dos clãs. E cada vez mais eu consigo integrar essas lembranças. Antes elas eram duas. Podiam ser de suas épocas. Ou mesmo de duas pessoas diferentes.
Escrito por Mary W. às 15h28 [ ]
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E já que estamos ressuscitando. Eu queria falar rapidamente sobre o caso do menor que participou do assassinato do João Hélio. E que foi solto depois de cumprir os três anos de ressocialização. E que depois foi colocado e tirado do programa de proteção. E isso que todo mundo sabe. Eu acho super importante mas não vou tratar aqui daquilo que inventaram. Que ele tava na Suiça. Eu não entendi nada sobre essa invenção, mas dou conta de especular bastante. Sobre todo esse lugar que a Suiça tem no imaginário brasileiro. E sobre isso de entrar num programa de proteção ser considerado um prêmio. Uma ideia que as pessoas mais liberais espalharam. E aí eu penso se isso do "Estado cuidar de mim" ainda é a meta. A contradição está, obviamente, que os liberais deveriam afastar essa ideia e considerar uma merda ser colocado num programa proteção. Eu sou toda esquerdinha e não consigo pensar numa coisa pior pra minha vida. Mas enfim. Não vou falar sobre isso. Eu passei esse mês às voltas com o ECA, isso que eu quero dizer. E dentre tantas coisas que li sobre isso, a mais legal diz respeito à revolução que o ECA representa. Que antes dele, a legislação só se preocupava com o menor se ele oferecesse um risco aos adultos. Então você tinha uma legislação apenas punitiva. O menor não era sujeito dos direitos. Mesmo quando ele tinha direitos, eram os direitos que interessam aos pais etc. A criança e o adolescente mesmo, não tinham nenhum. Então, a Constituição de 88 propôs um novo olhar, mais democrático, sobre tudo isso. E resolveu transformar crianças e adolescentes em sujeitos de direitos. E aí tem esse gesso, né? Você tem que definir o que é criança e adolescente e a nossa sociedade usa faixa etária pra fazer isso. E ninguém gosta muito desse critério, porque ele realmente é pobre. Mas ninguém consegue dizer outro. Então as crianças passaram a ter direitos. E você pode dizer que quase não são aplicados. Mas fez bastante diferença. Em alguns sites, de ONGs etc., há relatos de como o ECA mudou minha vida. E claro que são bobos e meio mal escritos. Mas mostram pra gente algumas coisas. Um deles conta história de um menino deficiente que precisava de cuidados especiais na escola e não tinha vaga em escolas públicas que ofereciam isso. E então o promotor ficou fuçando e encrencando até que o estado foi obrigado a pagar uma particular pro moleque até que uma vaga na pública aparecesse. Entendeu? O moleque tem o direito. E assim por diante. Sei que a gente escolheu isso. Como a infância e a adolescência passaram a ser vistas como fases do desenvolvimento, precisam ser protegidas. A gente escolheu proteger porque consideramos que algumas coisas que acontecem durante esse período podem ser extremamente nocivas pra criança e que temos responsabilidade, caso aconteçam. A criança e o adolescente, por exemplo, não podem ficar em situações de risco. E isso é extremamente complicado. Baseado nisso, de criança em situação de risco que o juiz daqui criou o toque de recolher para menores de 18 anos. Ele considera que a rua oferece riscos depois das 11 da noite. E a ideia é impedir o risco. Eu vejo alguns problemas com essa lei, mas entendo que é uma interpretação possível do ECA. Tanto que tentam revogar e não conseguem. É uma preventiva exagerada essa, eu acho. Mas o principal problema, pra mim, é que para algumas crianças a casa é um ambiente de risco e se a gente radicalizar daqui a pouco ninguém mais pode ficar em lugar nenhum. O menino que participou do assassinato. Ele estava numa situação de risco quando o crime foi cometido. Isso que eu acho. Porque nós decidimos assim. Que quando menores de 18 anos estão na companhia de criminosos é porque o Estado #fail. Ele não deveria estar ali. Os danos são imensos e ele precisa ser reabilitado. Então ele cumpriu uma pena e o juiz achou que ainda não estava totalmente pronto. E então ele tem que fazer semiaberto etc. O caso da proteção não deveria nem precisar de explicação. Quando ele vai pra audiência, a segurança tem que ser reforçada. Quando a gente vê a reação popular, a tecla única é a do linchamento. Se eu fosse juíza, não soltava esse menino sem proteção de jeito nenhum. Veja que assumimos um compromisso com proteção e desenvolvimento dos nossos menores. Falhou quando ele estava na companhia dos assassinos e participou do assassinato. Tá falhando na hora de reabilitar. E vai falhar de novo na hora da integração? Pelo visto sim. Eu não vejo por onde ficar puto com a proteção sem mudar TODA a concepção que temos de infância e juventude. É preciso que as pessoas entendam o que é visão de mundo. Se temos essa na nossa Constituição, temos que bancá-la e fazê-la funcionar. #irãfeelings e #taliãofeelings falaram no twitter. E essa a impressão mesmo. De que a proposta das massas é o retrocesso. Então decidam aí. O que não pode é todo mundo ficar feliz quando o promotor arranja uma vaga pro menino deficiente e irado quando outro garoto é colocado no programa de proteção. Fica difícil pensar o país, o futuro e qualquer merda assim. Fica difícil fazer sentido.
Peço desculpas antecipadas pelos erros na abordagem do estatuto. Principalmente pra cam. Ou quase que exclusivamente.
O texto fica confuso porque é a medida da minha confusão. Eu tenho dificuldades em entender leis etc. Muita mesmo.
Escrito por Mary W. às 13h54 [ ]
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Eu ia twittar. Mas vou ser old school. O melhor post sobre tudo isso está aqui.
Escrito por Mary W. às 17h38 [ ]
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Eu tratei BBB com tanto carinho durante todos esses anos. Por isso me sinto quase na obrigação de dizer alguma coisa sobre a eliminação da Morango. Primeira lésbica assumida do programa. Sobre a trajetória dela, não tenho muito a dizer. Eu não tô assistindo à décima edição e não vi o point of no return que ela teve. Acompanhei um pouco pela internet, entretanto, a violência da "campanha" de eliminação. Fiquei chocada, como todo mundo. Como ícone lésbico, considero que ela fez e fará um ótimo papel. Ela bem bonita, um pouco articulada e tem aquele bom humor e aquela risada. Bem vinda, sente-se ali, abaixo da Shena. Bem abaixo. Mas sente-se. Meu desapontamento com ela se deu por conta da amizade dela com o Dourado. Não tenho elementos pra dizer que a ruptura a redimiu. Já disse. Parei de assistir. O que ficou pra mim foi a mobilização mesmo. Eu fico com pé atrás e acho super perigoso o movimento gay chamar no peito essas coisas. Já falei sobre isso no post sobre a enquete do Senado e mantenho aqui a opinião. Mas eu gostei da ação nesse caso específico. É um movimento social interessante esse. Porque ele faz uso de todas as brechas, capta a reação popular, embarca junto. Eu sou meio moderna demais e prefiro as ações em instâncias mais legítimas. Mas não tem medo esse movimento. Medo de nada. Vocês estão putos com o Dourado? Nós vamos com vocês. O movimento feminista não consegue fazer isso. Arregalei os olhos quando vi as Riot Grrrrls pela primeira vez, mas noto que elas também se tornaram modernas. O movimento gay chega junto. Que merda é esse tal de jornal Meia Hora? Quem já ouviu falar dele? Qual é a relevância dele em qualquer debate? NENHUMA. Mas não importa. A capa foi linkada twitter afora. Incomodou gays e lésbicas do Brasil. Então, o movimento vai lá. E faz tudo. Solta nota de repúdio, se oferece para treinamento. Como se fosse assim. A Folha de São Paulo. Claro que todo movimento social tem que ter uma agenda. E a gente sabe que o movimento gay tem e a gente até conhece parte da agenda. Mas é absolutamente incrível perceber isso. Como ele deixa que os potenciais militantes influenciem na agenda. Nós estamos parados, votando contra Marcelo Dourado. Isso é tão tolerante e flexível. É tão século XXI. Contrasta demais com o movimento feminista* que já tem agenda tão pronta. E hoje eu acordo e vejo todo um clima de derrota do movimento. E eu pensei "mas que merda é essa?". É tão óbvio que foi um sucesso. E que baixamos o percentual de maneira incrível. E que a "oposição" só está fazendo uma coisa: dizendo que não é homofóbica e que tem um amigo gay. Mudamos tudo. Estamos todos fora do armário, dizendo: "Saiam, homofóbicos". Esse movimento é tão intenso. E sempre inventa uma. Porque isso de mobilizar pra votar, ele já tinha feito. Mas aí alguns militantes inventaram uma nova. Avisar o movimento gay do mundo inteiro. E aí tentar alguma repercussão**. Eu acabei morrendo de rir quando li isso. Fiquei com vontade de legendar o vídeo. Que movimento é esse que leu Pierre Lévy certinho. E sabe tudo de internet. O movimento fazendo chover em inovação. E escuta o que de volta? "Bigoduda". Hahahahahaha. Alguém avisa pra esse pessoal todo trabalhado na homofobia que insultos são uma espécie de combustível pra militância. E a gente passa a entender o medo que eles tem de nós. Eles falam, né? "Se o movimento gay se unir, eles ganham, porque eles são muito fortes". Eu passo a vida fazendo q pra comentários desse tipo. Mas cada vez mais entendo. A inteligência está do lado do nosso movimento. A filosofia e todo o pensamento caminha conosco. Nós temos a ironia e eles tem aquele humor chulo, que nem sequer faz sentido. Bigoduda. Eles tem a violência e nós temos essa mobilização viral. Eles tem o mau gosto, eles não sabem nem usar photoshop pra colocar bigodes em morangos. Então eu não ia falar nada sobre a eliminação da Morango. Mas tenho que falar. De como eu tinha ficado deprimida com esse programa. Eu estou, ainda, muito triste, mas o movimento não está. Ele está on fire!. E eu só posso agradecer. Eu só queria agradecer. Prometo cada vez mais respeitar suas táticas, movimento gay. Tem alguém aqui pronto para o século XXI. E não sou eu. Advocate.com também lamenta. Hahahahahaha.
Outro link aqui. Da tentativa de internacionalização da questão. E outro link do Advocate (antes do paredão).
*Quero deixar claro que eu gosto mais do movimento feminista do que eu gosto de mim.
**Eu fiquei sabendo dessa tentativa derepercussão internacional graças à Tata.
Escrito por Mary W. às 15h17 [ ]
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Então nossa Doutora em Coices estava tentando organizar sua participação no tal programa. E os twitteiros perguntavam e ela tateava etc. Muita cobrança, as pessoas insistiam que ela sabia como era e tal. Então ela disse.
 Há. Pra que, hein? A nação cadu* logo viu indícios de suícidio. Nossa Doutora até riu. 
Mas aí a nação cadu* ficou preocupada e todo mundo mandando apelos para que ela não se cortasse. Tentou finalizar. 
Acho que não conseguiu. Porque, né? Não é fácil não.
Escrito por Mary W. às 05h30 [ ]
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Eu não sou uma pessoa ar-condicionado. Sei de um monte de gente que é viciada e que dorme com cobertor mas não deixa de ligar etc. Eu não sou assim. E conheço um monte de gente que não é. Popularmente nos chamam de "friorentos". E é isso. Eu levo cachecol e meia quando vou no cinema. Senão morro de frio. Isto posto. A moça que trabalha na sala comigo também é. Friorenta. Mas eu deixo gaúchos e cariocas falando. E fico na minha. Mas eu moro no Brasil Central, né? Você não sabe direito o que é calor até vir aqui. Ou melhor, você conhece outros calores. Aqui tem um bem específico. Que fez fama por conta de Cuiabá. O trem ferve. Só digo isso. Então nós estamos naquele momento, né? Em que o ar-condicionado precisa ser ligado. Até por uma questão de elegância. Minha nunca pinga. Meu cabelo, nem sei. Meu rosto brilha. E eu suo demais. Mas demais mesmo. E ela fica naquela "tô com frio com esse ar ligado". E eu fico aqui, ao lado dela, nesse liga/desliga ar condicionado. E eu não chego a deixar de sentir calor.
Escrito por Mary W. às 19h42 [ ]
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