Clube de companheiras de genero


 

Meu carro quebrou a semana passada. E oh etc. Ninguém sabendo do que se tratava. E eu a pé, o que já é bem chato sempre. Eu não vejo beleza em dar uma caminhada. Nem pela manhã. Daí passo lá hoje e ele me diz que nossa, descobriu o que é. E eu digo nossa, mas que bom. E a peça, diz ele, custa 5 mil. E começa aquela conversa de homem. Mas é uma peça que nunca quebra. E outro diz que nunca viu quebrar. E não quebra e não quebra, mas estamos ali. Com a tal peça quebrada. Eu não tenho 5 mil. Você saberia só de olhar pra mim. E ele emenda dizendo que além de cara, não é uma peça fácil de achar. Por que, né? NUNCA quebra e etc. E eu me lembro do meu pai dizendo. Que carro importado é bão, mas se quebra uma peça etc. E ele morreu. E a primeira coisa que eu fiz foi isso aí. De comprar um carro assim. Enfim. 2009, na minha veia foi isso. Gasto e dívida. Pensei que ia terminar o ano dizendo "até que foi mais ou menos". Idiota, eu. Ciclo é ciclo. Se foi uma bosta, foi uma bosta. Tem que fechar e abrir outro e assim por diante.

Muita gente tá me dizendo que o cara tá viajando. Eu tô fuçando, né? Vendo se acho a tal peça. Não achei. Mas achei uma de BMW por 2.800. Que é um carro trocentas vezes superior ao meu. E daí pode ser viagem mesmo do mecânico. Evidente que nesse momento da conjuntura eu vou achar o MÁXIMO a peça custar 2 contos.

Eu faço aniversário 14 de janeiro. E hoje é 14 de dezembro. Pensei se panz e tal.



Escrito por Mary W. às 11h30
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


No blog do Birner:

Léo Lima está acertado com o São Paulo. Falta assinar

O acordo verbal foi acertado e o contrato redigido.

Deverá ser assinado nesta quarta-feira.

No mínimo, o São Paulo se livrou de um problema. Ele sempre jogava bem contra o time do Morumbi.

Escrito por Vitor Birner às 22:17


COMENTÁRIOS:

Birner, esse tipo de contratação não dá certo. Só porque ele joga bem contra o São Paulo não serve de referência.
O problema é o São Paulo que joga mal, tem apagões em campo, e deixa um camarada inútil como o Léo Lima aparecer.
Vide exemplo do Júnior César, Arouca e Washington que contra o São Paulo, na Libertadores de 2008, jogaram, no entender de boa parte da imprensa, um bolão, mas que na realidade eram jogadores medianos e não levaram o Fluminense ao título naquele ano. Mas mesmo assim foram contratados.
O São Paulo não tem que contratar jogador para a posição do Léo Lima, mas sim a para a posição do jogador que tinha a função de marcá-lo.

Comentário por Régis — 08/12/2009 @ 23:03

 

 

Toda a clareza do Régis. Toda a lucidez. Todo um pensamento montado dentro de uma lógica cristalina. Sinceramente. Até me emudece. Falou simplesmente TU-DO. Obrigada, Régis.



Escrito por Mary W. às 11h08
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 

Acho que assim. Todo o carisma da Helen Lyu mesmo. E eu adoro a voz dela. E acho engraçado esse mau gosto musical que ela tem. Ela é uma mulher que cantou Calypso. Quando as pessoas estavam cantando Noel. A lua me traiu. E ficou na minha cabeça por uma semana. Eu tava torcendo pela Priscila. E obviamente estou apaixonada pelo Diego. Mas nem sei se é bom pra ele ganhar um programa desses. Essa coisa de estigmatizar. Ele sendo eliminado, reforça a nossa crença. De que o populacho não sabe mesmo votar e tal. O caminho dele é meio alternativo. Mas de repente também acontecer um contrário. Pode ser bom. O caso é que as pessoas não gostam dele o suficiente. Muitas vezes na zona de perigo, né? Sendo que ele faz chover ali. É fácil perceber que ele é hours concours. Então como ele vai pra zona de perigo? Do Saulo, eu que não gosto. Porque não curto música romântica. Acho sempre um lance enjoativo. Daí devo torcer pra Helen.

 

É interessante isso do Diego. Não ser tão carismático como a Helen e o Saulo. Porque eu acho ele tão fofo. Ele tem um olhar e um sorriso. Aquela coisa de pureza. E muito brilho. Mas veja que não colou o suficiente.

Engraçado também o teflon da Helen. Porque os jurados tanto batem até que fura. E, no caso dela, o público nem tchuns. E embora eu adore, é fácil perceber o que os jurados falaram. Que ela não decolou como o resto. E eu também percebi a estagnada da Priscila, mesmo ela sendo minha favorita. Dá pra sacar. E veja que eu nem entendo de música. E a Helen segue na moral etc.

E eu discordo que ela escolhe mal as músicas. Eu acho que ela não tem repertório mesmo. Escuta rádio, Alcione e só.



Escrito por Mary W. às 01h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Lyndon Wade

Eu ia acabar nem falando nada dos 70 anos do Segundo Sexo. Porque eu não sei se tem algo a ser dito mesmo. Acho que todo mundo que se interessa por construção social já conhece o mote do livro. Mas como eu gosto muito, resolvi fazer uma meia de dúzia de posts a respeito. Vou começar pelo que eu não gosto muito. E provavelmente há algo que eu goste menos. Mas eu me lembro de ficar BEM desapontada quando li o capítulo A Lésbica. Eu não sei ao certo o que eu esperava. Então não tenho condição de dizer objetivamente o que eu não achei ali. Mas não fez revolução em mim. E o resto livro fez, né? Pra quem nunca leu, A Lésbica está no volume II (A Experiência Vivida). O volume I (Fatos e Mitos) é bem mais importante. Porque é nele que ela desnaturaliza o feminino e o masculino e tal. Mas eu conheço pessoas que preferem A Experiência Vivida. Eu prefiro Fatos e Mitos.

(Eu cortei o texto aqui. Quem quiser ler, leia inteiro. Não pode ler só o começo ou só até o meio. Porque a Simone de Beauvoir faz assim. Ela fala como as coisas são vividas e pensadas. Tenta explicar porque elas são vividas e pensadas dessa maneira. E no final discorda de tudo. Do vivido, do pensado e do explicado.)

Definir a lésbica "viril" pela sua vontade de "imitar o homem" é votá-la à inautenticidade. Já disse a que ponto os psicanalistas criam equívocos aceitando as categorias masculina-feminina tais como a sociedade atual as define. Com efeito, o homem representa hoje o positivo e o neutro, isto é, o masculino e o ser humano, ao passo que a mulher é unicamente o negativo, a fêmea. Cada vez que ela se conduz como ser humano, declara-se que ela se identifica com o macho. (Segundo Sexo, volume II)

O mapeamento que a Simone de Beauvoir faz no começo do capítulo é bastante incômodo. Porque soa um tanto datado, embora a gente saiba da existência das representações. Ela começa dizendo quem é a lésbica no mundo. E apresenta diversas situações do chamado protesto viril. Sempre olhando para o que a psicanálise tem a dizer, ela vai colocando as possibilidades de refutação. Seria assim. Os psicanalistas dizendo que a lésbica nega a feminilidade e tenta imitar os homens. O mundo dizendo que às mulheres feias, só restaria o lesbianismo. Ela vai, então, fazendo as intervenções. E dentro dessa lógica. Parece que ela aceita. Que há lésbicas viris e lésbicas passivas. E que a virilidade seria um refúgio para a falta de beleza, encanto, whatever. Ela lida diretamente com isso e por isso talvez incomode. A teoria venceu essas representações já. Em 1949, ainda não tinha vencido. As pessoas não venceram até hoje. Porque, né? As pessoas são meio lerdas e tal.

Se tais amores são por vezes tempestuosos é também porque estão geralmente mais ameaçados do que os amores heterossexuais. São condenados pela sociedade, conseguem mal integrar-se nela. O que dá às mulheres encerradas na homossexualidade um caráter viril não é sua vida erótica que, ao contrário, as confina num universo feminino: é o conjunto das responsabilidades que elas são obrigadas a assumir pelo fato de dispensarem homens. (Segundo Sexo, volume II)

Esse ponto eu gosto muito, do capítulo. Embora seja isso que eu tenha reclamado. Existencialista demais. Mas eu gosto especialmente porque me resolve. Eu já disse outras vezes que não consigo me descolar quando leio sobre o assunto. Não faço a leitora. Penso que estão falando de mim. E nesse trecho ela dá conta. De explicar um pouco porque a gente dá pinta, né? E ela centra aí, nas responsabilidades. Mas isso pode ser extendido. O que eu não gosto é o vocabulário: encerradadas, confinadas. Eu entendo que é um vocabulário típico da filosofia que ela pratica. Mas eu não gosto.

A associação de duas mulheres, como a de um homem com uma mulher, apresenta numerosos aspectos diferentes; assenta no sentimento, no interesse ou no hábito; é conjugal ou romanesca; dá ensejo ao sadismo, ao masoquismo, à generosidade, à fidelidade, à devoção, ao capricho, ao egoísmo, à traição; há, entre as lésbicas, prostitutas como também grandes amorosas. Entretanto, certas circunstâncias dão a essas ligações caracteres singulares. Elas não são consagradas por uma instituição ou pelos costumes, nem reguladas por convenções: são vividas, conseqüentemente, com mais sinceridade. (Segundo Sexo, volume II)

Parece mais do mesmo. E é. Mas eu acho interessante olhar pra isso. Porque ela faz a pergunta certa e coloca a questão de maneira certa. Ela vai direto na singularidade. O que singulariza? Porque há dois caminhos mesmo, para o olhar. Pensar no que é diferente. Pensar no que é igual. Quando tentamos ser tolerantes, pegamos o caminho do que é igual. E temos medo de perguntar o que é diferente. Ela fica o tempo todo atrás da singularidade. Pra concluir desse jeito, que eu não sei o que pensar. Sobre a sinceridade. Simone de Beauvoir não escreve auto-ajuda. Então sinceridade aqui me deixa meio sem saber. Veja. Eu poderia aceitar que somos mais sinceras. Por conta disso que ela falou. Não há compromisso social, só depende, então, das envolvidas. Mas aí ela explica a afetação lésbica.

Se há muita provocação e afetação na atitude das lésbicas, é porque elas não têm nenhum meio de viver sua situação com naturalidade: a naturalidade implica em não refletir sobre si mesmo, agir sem se representar os atos; mas as condutas de outrem levam sem cessar a lésbica a tomar consciência de si. Somente sendo bastante idosa ou dotada de grande prestígio social é que ela pode seguir o seu caminho com uma indiferença tranqüila. (Segundo Sexo, volume II)

Eu entendo que a sinceridade ela atribui ao relacionamento que não é mediado pelas convenções. E que a afetação ela atribui à pessoa. Mas quando ela diz que a lésbica reflete sobre si mesma o tempo todo, fico perdida. Porque a relação já ficaria comprometida. Já que parece não haver lesbianismo fora da ação. Embora ela não faça distinção de orientação sexual e crise de identidade de gênero. A gente percebe que ela não considera a tal crise de identidade uma crise. E que tá pensando mesmo na lésbica enquanto alguém que pratica. Daí alguém pode me dizer que refletir sobre si mesma traz sinceridade. E eu preciso pensar mais a respeito.

A mulher sozinha apresenta-se sempre como um pouco insólita; não é verdade que os homens respeitem as mulheres: eles se respeitam mutuamente através de suas mulheres — esposas, amantes, teúdas e manteúdas; quando a proteção masculina não se projeta mais sobre ela, a mulher fica desarmada em face de uma casta superior que se mostra agressiva, escarninha ou hostil. Como "perversão erótica", a homossexualidade feminina mais faz sorrir do que outra coisa, mas se implica um modo de vida suscita desprezo ou escândalo. (Segundo Sexo, volume II)

Aí ela dá conta também, na minha opinião. Porque muito é falado a respeito disso. Da homossexualidade feminina ser até bem vinda, se for apenas erotismo. Enquanto que os gays não são tolerados nem eroticamente etc. Acho que essa explicação dela fez estrada. E acabou meio que sendo uma linha e que daí partiram desdobramentos etc.

O sentido da toilette feminina é evidente: trata-se de se "enfeitar" e enfeitar-se é oferecer-se; as feministas heterossexuais mostraram-se outrora tão intransigentes a esse respeito quanto as lésbicas: recusavam-se a fazer de si mesmas uma mercadoria que se exibe. Hoje, elas conseguiram dominar a realidade e o símbolo tem a seus olhos menor importância. Êle a conserva para a lésbica na medida em que esta se sente ainda com reivindicações a fazer. (Segundo Sexo, volume II)

Veja que as feministas de 1949 não estavam mesmo esperando pela segunda Onda. Mas o caso aí é outro. É essa frase final. De que se ainda temos reivindicações a fazer, ainda fazemos uso dos símbolos. É bingo isso pra mim. Porque eu vejo muita diferença. Entre as lésbicas da minha geração e as lésbicas Chá com Bolachas. E acho que a gente pode ver esse processo. Você pode pensar que as meninas do Chá são mais "femininas" que as meninas do Farol Madalena. Pode ser mesmo. Sapatão Vila Madalena # de sapatão Rua Augusta. Então poderíamos pensar a partir dessa reflexão. Como se as meninas do Chá não tivessem esse compromisso todo com a militância nem nada. E então seriam mais livres para brincar com os símbolos todos. Embora a gente note, acho. Que há símbolos. Então acho que precisaria de investigação mesmo. A gente tentar entender se o espaço foi conquistado e agora o uso não precisa ser engajado. Ou se o engajamento é que está metamorfoseado. Eu tendia a pensar na metamorfose (porque sou bem influenciada pelo recorte das Riot Grrrls), agora já não sei. Porque também me parece mesmo que o protesto viril perdeu bastante terreno. E se a gente pensar nesses termos de dominar a realidade X uso dos símbolos, a gente consegue entender por que. E daí a diluição do protesto viril traria isso que a gente vê hoje. A lesbianidade não mais como uma identidade, mas apenas como um traço ou sei lá. É interessante e visível isso, principalmente se você frequenta sites como o Leskut. Nossa, percebe na hora. Que deixou/está deixando de ser uma comunidade. E isso é incrível. Primeiro porque posso simplesmente não assistir The L Word. Como a nova geração simplesmente deixou de ouvir as cantoras da MPB. Tem lésbica que nem de Puccini para Iniciantes gostou. Um pouco isso mesmo. De ter um domínio da realidade que permite um remanejamento melhor dos símbolos. Completamente diferente de quando estávamos construindo a identidade e que precisávamos compartilhar tudo.

 

Acabei palpitando, mas só queria comentar mesmo.

 

Tem até comunidade Lésbicas que curtem Micareta no Leskut.



Escrito por Mary W. às 16h24
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 

Eu não quero justificar minha intolerância. Mas eu tinha feito um trabalho interno. Nos moldes junguianos, inclusive, como minha seríssima psicóloga, uma vez me ensinou. Olhei pra tudo. Separei as coisas dentro das minhas possibilidades. Procurando, antes de tudo, deixar claro para mim mesma. Que eu sou uma intolerante religiosa. E que isso acabou contaminando muita coisa. E eu extendi essa intolerância para auto-ajuda e discursos motivadores em geral. Comecei a investigar isso em terapia. Teve algum resultado. Por que eu detesto tanto esses discursos? Por que tanto incômodo? Há aqueles que só se incomodam. Eu não apenas me incomodo. Meu corpo inteiro treme. E eu moro aqui, sabe? E no mundo todo há discurso religioso, eu sei. Mas acontece que alguns lugares são blindados. A USP é blindada. A UFSCar também. Eu te contei, acho que você até se lembra. Que logo que eu comecei a dar aula. E tava dando uma aula de símbolos e coisas assim. E falei de santos. E emendei dizendo que até pouco tempo atrás as pessoas acreditavam neles. E o silêncio da sala. E um aluno levantando a mão e dizendo. Professora, eu acredito em santos. E eu achei tão pitoresco. E mais alunos levantaram a mão. E disseram que acreditavam em santos. Em tempos de Robin Willians devemos sempre dizer. Que oh, captain, my captain sempre acontece pelo avesso. E você fica falando mal desse filme no twitter. E não devia. E aí os alunos que não acreditavam em santos, explicavam. Que só Jesus salva e que não devemos adorar uma imagem. Eu vinha de 8 anos de UFSCar e pensei que o bezerro de ouro servia apenas para que a gente analisasse os elementos. Não pensei mesmo que servisse pra outra coisa. Um desses momentos em que a gente vê o mundo girando, nas patas do meu cavalo. Mas pelo avesso. E eu moro no interior. E um interior que manda seus filhos estudarem. E eles voltam e já sabem de tudo. Mas parece que não pode falar. É a cultura, estúpido. E eu nunca falo. Eu não sou encrenqueira, você sabe. Eu pareço ser, mas não sou. Eu pareço ser tanta coisa. Eu pareço ser hippie e maconheira, acho. Mas eu não sou. Eu pareço gostar de Ana Carolina. Mas eu não gosto. Eu pareço ser do tipo que apóia terapias alternativas. Provavelmente parece que eu bato palma pra medicina ayurvedica. Mas eu nem me importo. Eu até consigo rir quando eu vejo alguém meditando e fazendo ohmmmmmmmm. Eu não rio muito disso porque eu entendi os lugares das coisas. Porque eu quis entender, foi uma opção. E eu sei o lugar da meditação e eu não estou nesse lugar. Não é mais difícil pra mim perceber essas coisas. Daí que eu entendo até eu ser chamada pra banca de uma monografia desse porte. Porque eu dou pinta de ser alguém que faz ohmmmm. E eu não sei o que fazer pra me livrar disso. Daí aquela bobajada. Que câncer se cura com amor. E dizendo que o coração é o único órgão que não tem câncer. Justamente porque é o órgão do amor verdadeiro. E dizendo que a doença é a salvação. O capítulo tem o nome de quando um mal se torna um bem. E falando sobre câncer aumentar a honestidade do doente. E usando as palavras alma e espírito indiscriminadamente. E encerrando nos temos de que devemos ser quem realmente somos e não como a sociedade quer que a gente seja. Sermos do jeito que Deus nos criou. Daí a salada. Porque a orientadora é daquelas birutas de terapias alternativas. Eu imaginava, mas não sabia o quão biruta ela era. Soube ontem. E um dos alunos é evangélico daqueles. Ele, inclusive, já me presenteou com um livro do Edir Macedo chamado Umbanda, a religião do demônio (ou uma coisa assim). Daí eu lembro da minha psicóloga dizendo. Escolha as suas batalhas, menina, não deixe que te coloquem. Escolha. E veja que no primeiro ano de faculdade ele me dá esse livro e no último me coloca na banca de monografia. Ele quer brigar comigo. E eu briguei com ele. Ele que escolheu, esse é o ponto da terapia. E quando termina a apresentação. Um dos alunos (eram 4) diz assim "nós sabemos que o tema é novo e polêmico e que nem todos estão preparados para pensar diferente". Eu que tinha me preparado tanto pra detonar a monografia sem detonar as pessoas, joquei a caneta na mesa. E disse "não me irrite, menino". E falei, né? Que aí ficava muito difícil o debate, porque minha crítica era vista dessa forma. Várias vezes no trabalho eles falam. Que estão um passo à frente do resto da humanidade. E que trabalham num nível que não é compreendido por todos. Daí detonei a monografia. E já estava irritada. Daí a outra banca falou, e foi impecável. E não perdeu as estribeiras como eu perdi. E sério. Durou duas horas. De tanta coisa que tinha pra falar. Daí os alunos falaram. E o evangélico repetiu. A gente já esperava que as pessoas não fossem entender. Uau. Meu sangue já não estava frio. E eu falei um monte de tonteira. Dentre elas que eu já fazia crítica da medicina ocidental antes dele sequer pensar em prestar vestibular. Que eles não estavam propondo porra de novidade nenhuma, que era a volta do pensamento teológico. E eles saíram e a orientadora bancou tudo. Disse que ela indicou os autores. Que nós (banca) tínhamos nos irritado porque somos resistentes ao novo. Aquele papo. Não tem debate, né? Porque não é possível. Na volta os alunos me entregaram uma planta (!?!) de presente. E ficaram com aquela cara de que você ainda não viu a luz. Na saída, encontro com o professor behavourista. Ele tem uma briga antiga com essa professora. Ele é meu amigo pessoal, mas eu sempre achei que ele fosse meio intolerante demais. Ele é super positivista, saca? Do tipo que acredita em hormônio e coisas assim. E eu falei de qual banca eu tinha acabado de sair. E ele já disse "e você teve a RESPONSABILIDADE de reprovar, né?". E eu não tive. Na verdade a monografia precisa ser corrigida e reenquadrada. Ao invés de se apresentar como olhar junguiano, vai ter que se apresentar como terapias alternativas. Na hora da discussão com a orientadora, ela falou assim que terapias de vidas passadas é uma coisa cada vez mais estudada. A outra banca, que é uma psicóloga, disse que o Conselho de Psicologia não reconhece. E que não reconhece astrologia também. Você precisa ler essa monografia pra entender porque eu tô fazendo tanto caso com isso. Daí ele também concordou. Que tem que ficar claro que não é de Psicologia, a monografia. Essa tolerância, né? Que a gente tem. Daí fiquei mais um pouco conversando com ele. E ele é super engraçado. Tem uma cara meio de nerd e super reage nas conversas. Faz careta, passa a mão na testa, na boca. Fingi que vai cair duro. Ele e ela são ENCRENCADOS. A ponto dele dar conteúdo das disciplinas dela na aula dele. Porque tipo ela não acredita em esquizofrenia, transtorno bipolar, TOC etc. Então não ensina. E ele fica puto e bem ele que eu encontro quando saio desse embate. Eu nem sei porque estou tão nervosa ainda. Se é por ter perdido a linha . Se é por saber que tem professores ensinando pensamento mágico-religioso pros alunos. Nem sei.

Eles abrem a monografia dizendo que a medicina é uma crença. Vou te dizer que realmente é. Mas que é preciso entender o que significa dizer isso. Porque parece que a antropologia está nivelando os saberes. E juro pra você. Não é isso que a antropologia tá fazendo. Mas qualquer dia eu explico porque hoje não tô aguentando.

Uma dica. Se você não é chinês, não fique falando de Yin e Yang. Soa ridículo.



Escrito por Mary W. às 15h29
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 

online

E-mail

segundosexo@uol.com.br

Sexies

03h45
A Lot of Coisas]
Alta Fidelidade
Aquariana Insatisfeita
Assumidamente
Biscoito e Chá
A desjanelada
A fleur da pele
Beths
Carla Rodrigues
Clarices
Cria-minha
Cynthia Semiramis
Descontrol
Des-edificante
Devaneios S/A
Drops da Fal
Emails de NY
Escarlates
Eu sou submersível
Fazendo Gênero
Feito a mão
Ginger
Girl Jolie
Gulinia
Hello Lolla
I Don't Mind a Rainy Day
Leveza do Ser
Mamíferas
Marta Bellini
Mosca na Sopa
Mothern
Nalu
New Wolrd News
Nunca disse
Os Livros da Minha Estante
Parte Tua
Pausa para o Cigarro
Quiteria
Recordar Repetir Reelaborar
Rosa e Radical
Samambaia Psicótica
Tata Pessoa
Tathy Vianna
Technicolor Kitchen
Terra da Garota
Umas e Outras
Verbo e devaneio
Woman of Affairs
Yalla

Gostosas

[sugarfight!]
Amigo Etheobaldo
Annix
Ashenlady
A Vida é Filme
Até aqui tudo bem
Berenguendem
Acontece Dentro
Bia Badaud
Blowg
Bocozices
Branca por cruza
Caderninho
Depois da Queda
Die Lena
Duas Fridas
Ébom pra quem gosta
Escape
Escreva, Lola, Escreva
Gatos e Fatos
Gerebinha
Inquietudine
Losille
Menina Didentro
Maryann is a Bitch
Nada Profissional
Non Winner
Perolada
Pergunte ao Pixel
Ornitorrinco
Parla, Marieta
Pérolas da Rainha
Quelque Chose
Quitanda
Remi Malcoeur
Recrist
Reverberações
Steffania
Tanto Clichê
Te Dou um Dado
Terapia Zero
Uh baby
Vivo Andando

Sexies

Contudo
Despereaux Tales
Dias Comuns
Mamocos
Nerd-o-rama
Rafa Mendonça
Saggio
Sobretudo de Lona
Velho do Farol
Voltas no Porto
W.Rabelo

Gostosos

A Ilha Ileris
Abunda Canalha
Farinhada
Lixomania
Malcher
Mexerica
O Biscoito Fino
Xtrobo

Histórico