Olive Tree quem tem?


 

para natalia

 

Eu não acho que é culpa do ensino superior privado. Embora a gente perceba que há algo com essas instituições. Algo que sempre houve. Que é um aluno absolutamente mercantilizado. Sempre foi complicado e a gente tem até uma série de expressões. Que dizem respeito a esse aluno não ter vivido a vida universitária. E não vive mesmo. Nem tô falando dos meus alunos. Mas de amigos que cursaram universidades particulares.  Primeira coisa óbvia é que não são comunidades acadêmicas. A pessoa vai lá pra ter aula e ponto. Segunda coisa óbvia é que elas estão inseridas numa lógica capitalista. Então o aluno é um cliente e fica olhando pra mercadoria que está recebendo. Daí que são faculdades bem bonitas e high tec. A outra é que o professor também não é livre. E vai lá e dá a aula e ponto. Então há a supremacia do administrativo em detrimento do pedagógico. Acho que todo mundo sabe isso. Alguns não consideram um problema. Porque acham que a função é mesmo preparar pro mercado. Outros acham que é um problema, porque a universidade seria um local bastante interessante para pensarmos diferente. Seria alternativo. De vanguarda mesmo. E a importância disso todos sabem. Todo mundo sabe o que significa a convivência de vários campos de conhecimento no mesmo ambiente e com autorização para ousar. Todos sabem mas acham desnecessário que a totalidade dos alunos passe por isso. Alguns passam, outros não. Eu me chateio porque acho que todo indivíduo merece ter a experiência de liberdade que o ambiente universitário proporciona. Também ficavam pelados na UFSCar. E eu me lembro de um Cândido  totalmente nu que foi encenado lá. Não no teatro. Mas simplesmente lá. Todo mundo pelado. E alguns adorando. E outros, imagino, buscando dentro de si a tolerância necessária. Uma comunidade em que tudo pode e se não pode, vamos debater. Então esse é o ponto. Óbvio ao extremo. Existem duas experiências distintas de educação superior. A ironia é que a experiência mais libertária tem também mais qualidade. É mais eficiente do ponto de vista técnico.

 

Embora os alunos da UNIBAN sejam clientes e não estejam passando por uma experiência existencial transformadora, me chocou o fato deles serem universitários. E a gente escuta expressões como turba, horda etc. Daí acabei pensando por aí mesmo. Tem uma distinção clássica na sociologia (e eu acho que você conhece) entre público, massa e multidão. A multidão não é conectada. O número de pessoas é grande mas estamos sozinhos e encerrados dentro do nosso mundo. Tipo o pessoal andando na avenida Paulista. O público é um conjunto de pessoas que se reúne com a mesma finalidade. Tipo ver um show de rock. As pessoas estão conectadas, mas não necessariamente concordam. Porque o público aprecia, pensa etc.  Quando alguém faz performance na avenida Paulista é com o intuito de transformar a multidão em público. Trazer um pouco de criticidade para trajetos e comportamentos mecânicos. A massa é mais complicada. Porque ela não pensa. Ela age sempre incitada e comandada. E ela é incitada de forma primitiva e emocional. Isso que é. Quando a gente chama os alunos da UNIBAN de horda, acho, estamos querendo dizer que eles agiram como massa ensandecida e blá. E machismo é um preconceito. Portanto, uma reação emocional. Pode acontecer em qualquer lugar? Não só pode. Acontece. O problema de ser lá é que a gente imagina que os alunos da UNIBAN deveriam ser público. Todo aluno universitário eu imagino como público. E como tal, deveria reagir individual e criticamente. Mesmo que a gente intua que eles sejam os frequentadores das micaretas. Entidade especializada em transformar público em massa. Choca porque muito rapidamente os alunos atenderam ao chamado dos líderes ali. Que estavam na escada. E partiram pro coro de "puta, puta". Assim. Sem qualquer filtro entre o primitivo e a civilização. E eu não acho que a culpa é da UNIBAN não. Mas a gente não pode evitar de pensar que muito provavelmente o que os alunos encontram lá é uma estrutura massificadora. Porque, né? A reação foi rápida e não foi contida dentro dos limites institucionais. As comportas podem estourar a qualquer momento, eu sei. Mas que tenham estourado num estalo e num local destinado à formação de um público crítico. Sei não. Acho que acaba sobrando um pouco pra faculdade sim. Mais. Pra toda estrutura de ensino superior privado. Porque eu vou morrer sem acreditar em exceção. Assim. A UNIBAN não é culpada mas é amazing que ela não tenha evitado. Não tô falando evitar com segurança. Tô falando da vibe mesmo.

 

E as reações de volta são todas de horda também. Isso é interessante demais. QUALQUER site que você entrar. Querem matar com tortura os alunos da UNIBAN. Veja. É espelho. Geralmente são comentários de gente do mesmo nível econômico, com situação educacional semelhante etc. 

 

Curti a entrevista dela. Ela ficou martelando "já usei esse vestido inúmeras vezes". Mas eu vi ela falando lá. "Tô pagando". Não pode. Não é porque ela tá pagando que tem direito de assistir aula etc.

 

 

 

 

 



Escrito por Mary W. às 04h29
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O tal do brainstorm do twitter funciona perfeitamente bem para humor, eu acho. Quando o RJ ganhou pra sede da Olimpíada, foi incrível. Mas eu não sei explicar. É um lugar que acaba funcionando de forma massificada. Engole um pouco o senso crítico. E a reação é em cadeia mesmo. E é sem mediação, né? E as frases devem ser impactantes e não necessariamente coerentes. Na minha timeline, hoje, depois de divulgado o vídeo do que aconteceu na UNIBAN, apenas uma manifestação era reflexiva. E, por incrível que pareça, era curta. Todas as outras propunham mais violência para solucionar a questão. Linchamento e coisas assim. O que aconteceu na UNIBAN é fácil uma das coisas mais violentas do ano. Tudo impressiona. Principalmente, pra mim, ter acontecido num ambiente universitário. O grau de indignação deve ser alto. Não tem como ser de outra forma. Mas as pessoas parecem não perceber mesmo o quanto são contraditórias. E que estão mesmo inseridas dentro da lógica do que aconteceu na UNIBAN. Fariam o mesmo com a situação que lhes fosse incômoda. Eu fico falando que não existe mais espaço para a reflexão. É mais que isso. As pessoas não conseguem mais perguntar "por que?". Segunda vez no mês isso. Que para um ato de violência urbana propõe-se genocídio.

Sempre aconteceu. De eu dar uma aula sobre a nossa mitologia e os alunos falarem que Jesus foi morto. E eu digo não foi morto, NÓS matamos. Aí os mais crentes dizem que não fomos nós, foram os Judeus. E os não-praticantes afirmam que "Eles" mataram Jesus. E assim vai. E aí eu tenho que falar mil vezes. Nós matamos, nós matamos. Porque ninguém mesmo se sente pertencendo à estrutura.  Uma vez eu tava num táxi no RJ e o taxista era bem mala. E ficou zoando meu sotaque. Eu devolvi falando bem do Rio. Ele se empolgou. Eu continuei falando bem. Ele falou da alegria do povo carioca. Eu falei oh, é um povo maravilhoso. E ele oh, é sim. E eu emendei pena que é um povo muito violento. Ele disse que não era, desconfiado. Pensou que eu ia falar de favelas e tráfico. Eu fiquei só falando do povo mesmo. Que era um povo agressivo e tal e coisa. E ele foi ficando bravo, né? E dizendo que eu estava muito enganada. Eu dizia ah, não estou não. E falava coisas violentas que os cariocas faziam. E ele falava da violência como se fosse, claro, algo externo, que tivesse desembarcado numa nave espacial. Eu falava que talvez a violência fosse o Rio de Janeiro, que dava pinta de ser da identidade do povo. E ele foi ficando nervoso e nervoso e virava pra trás. E eu comecei a ficar com medo de tomar uns tapa ou que ele batesse o táxi. Eu falava bem manso, encarnando a caipira. E ele falava bem alto e punha dedo na minha cara. Pra me explicar, né? Que carioca não é agressivo não.

Não. Eu não acho que é por isso que existe crime organizado. Eu só estava enchendo ele. Não. Não é minha opinião sobre violência urbana. Eu só estava enchendo ele.



Escrito por Mary W. às 00h59
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Homem colhendo cranberries no Canadá. Que nem nóis na fazendinha. Ele também não tem dinheiro pra gasolina.

\o/



Escrito por Mary W. às 18h33
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Tem um boteco aqui que toca rock. O resto só toca música sertaneja. E, se você estiver com sorte, Ivete. O bar que só toca rock tem um problema. O dono é um maconheiro da minha idade assim. E ele pensa mesmo que rock do bom foi feito nos anos 70. Então no bar só rola Pink Floyd e The Doors. E algum Raul, claro e ufa. Ok. Eu tô falando mas eu gosto muito do bar. Embora eu considere que ele deva arriscar. E tocar um The Cure eventualmente. Tem muito no interior de SP isso. Bares que só tocam anos 70. A noção de rock, no interior, é um pouco essa. Ok. Daí meu irmão caçula chega hoje, no almoço. E pergunta se eu tô sabendo. E eu não tô. O maior bar da cidade resolveu entrar no ramo do rock. Esse bar explodiu por aqui graças a um evento chamado Quintaneja. É o bar mais bonito e o que toca as piores músicas. O plus é que o dono é sãopaulino e assina PPV do campeonato brasileiro. Ufa (2). E ele quer quebrar o bar anos 70. Segundo as palavras do meu irmão, vai ser uma concorrência sangrenta. Que bom, eu digo. Porque fico com uma opção a mais. E eles querem trazer um rock mais moderno, meu irmão me explica. Melhor ainda, hein? E aí ele emenda. Sabe quem eles vão trazer pra tocar no bar mês que vem? I have no idea. O J. Quest. Eu até engasgo. O J. Quest?. Meu irmão confirma. O J. Quest. Veja bem. Isso não é nem entrar no ramo do rock. Isso é praticamente um mergulho de ponta.

Daí fico batendo boca com meu irmão. Tentando explicar pra ele. Não adianta nada.



Escrito por Mary W. às 12h44
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É assim, ângela, que eu acho. Grande parte das profissões precisou se legitimar. Porque o pessoal ficava meio assim. Será que precisa mesmo de diploma pra ser nutricionista? Será que precisa de diploma mesmo pra ser publicitário? E assim por diante. A legitimação do nutricionista se dá por um meio. A da publicitário por outro. Mas nos dois casos foi feito o uso de áreas do conhecimento. No curso de Nutrição tem um monte de química e biologia. Na primeira grade, que geralmente é *a* grade, havia filosofia, sociologia E antropologia. Psicologia tem também. E assim por diante. Então o nutricionista pode dizer que ele tem uma visão global do homem e da mulher. Considera aspectos fisiológicos, psíquicos e culturais quando monta um cardápio. E ganha um salário melhor do que se fosse técnico em dietética. E aprendesse a juntar proteína com carboidrato sem saber necessariamente o que significa carboidrato. Nutricionistas são legais. Conheço um monte de gente que emagreceu com eles. E eu adoro conversar com as nutricionistas daqui da faculdade. Mas a gente nota um incômodo nelas. Eu, das ciências sociais, noto MUITO. Mas o pessoal da química também percebe. O MEC, agora, permite flexibilidade na grade curricular. Isso significa que pode mexer nas matérias todo ano. E, de fato, mexem nas matérias todos os anos. Daí eles começavam* a reunião olhando pra mim. Porque o professor de filosofia nem era convidado para as reuniões. Eles tiram filosofia na primeira oportunidade. Mas aí olhavam pra mim. E perguntavam o que eu achava de unir sociologia e antropologia numa só disciplina. Ou diminuir a carga horária. Qualquer coisa assim. Eu bláblábla´. E saía da reunião com as ciências sociais reduzidas à metade**. Na reunião do ano que vem, geralmente tiravam totalmente ciências sociais. E na próxima começavam o movimento para diminuir a carga horária de química. Veja. Eu vi acontecer isso em todos os cursos que EU*** dei aula, nos últimos 11 anos. E é um movimento que parte do coordenador e dos profissionais da área. Veja. Nós legitimamos a profissão de nutricionista. E agora eles se sentem à vontade pra chutar a nossa bunda e se transformarem em técnicos em diética. É isso que eles sempre quiseram ser. Mas eram obrigados a entender o processo do trabalho deles. Foi dito por alguém que o curso superior deveria ser desalienante. Então o profissional deve dominar o know how. Não basta ver um pedaço de pão. Tem que entender a composição do amido. Mais do que entender então. O curso superior faria com que a gente DOMINASSE todo um campo de conhecimento e conseguisse percebê-lo dentro da estrutura e fazendo as relações todas. E eu nem quero entrar no mérito do mercado querer ou não um profissional reflexivo. Vou isolar isso que eu tô falando, embora eu saiba que não é possível e tal. O caso é que dentro dessas profissões é que começou o movimento mesmo. De independência em relação às ciências "básicas". Então quando a gente pensa em técnico-científico. Eu truco o científico. Vejo isso. Quando que um publicitário tem formação humanística hoje? Ele é técnico em anúncio. Ele não reflete MESMO sobre o que está fazendo. E não quer refletir. Ele quer entupir as pessoas e só. Ah, nas universidades públicas... Ok. E só. Mas eu vejo a comunicação social como um exemplo clássico de ciências socias e filosofia RIFADAS assim que a profissão se legitimou (e queria, claro, saber se a ju concorda, discorda ou acha que isso nem é discussão, whatever). Ai. Todas as profissões eu vejo assim. Simulando uma práxis, que necessita muita aula e aprendizado. E é mentira. Não é práxis. É prática só. E necessita de treinamento. Claro que tem um lugar para a sociologia e as ciências sociais. Mas ele vai ficando pequeno. E se tornando especialidade mesmo. Todas as consultorias e comissões do MEC que vem aqui, falam isso. Que é preciso colocar mais prática. Meter o aluno no estágio. Que a partir do segundo semestre já deveria reservar uma noite para. Etc. Tem gente que não pensa assim e destoa mesmo. Engraçadamente, há o curso de Engenharia de Alimentos aqui. E os profissionais são o contrário dos nutricionistas. Por isso que eu gosto desses exemplos. Eles querem mais. A coordenadora vive no meu pé. Pra eu dar curso não sei que jeito, que na indústria eles aprendem rapidinho, mas que sabem pouca matemática. Ela tem essa vibe cultura escolar. Fábrica é pra qualquer um. Matemática é para poucos. Mas ela é bem datada. Bem mesmo. E eu poderia pensar que Engenharia de Alimentos ainda não está suficientemente legitimada por isso fica atrás de matemática. Mas acho que nem é o caso. 100% dos nossos alunos saem daqui direto prum emprego. Sério. Chegam a telefonar pedindo. É o curso que tem mais aproveitamento. É dela mesmo isso. Ela é SUPER hippie. Eu já contei umas histórias dela aqui. Como quando ela me deu uma bolsa de presente porque achou que tinha a minha energia. E que um dia a encontrei no café e ela me falou que os chacras dela tavam entupidos. Uma coisa assim. O caso é que o ensino acabou. Virou tudo um grande treinamento. Não sei o quanto é necessário um profissional reflexivo. Não é esse o meu ponto. O meu ponto é que ele não é mais formado nas faculdades. Não precisa mais. Já funciona sozinho o sistema. Por que alguém chega e pede opinião prum publicitário? Porque, presume-se, que ele tem um olhar sobre a sociedade de consumo. Mas ele não tem mais. Ele não sabe mais nada. Ou melhor. Ele não precisa saber mais nada. Daí eu nem queria especular. Sobre o lugar da análise na nossa sociedade. Se é um lugar muito isolado etc. Tô falando só da formação. Que fingia ser tipo holística. E tá ficando tipo jumenta.

Eu não estou falando que publicitários, nutricionistas e engenheiros de alimento não pensam. Se alguém entendeu isso. Ai ai.

E eu vejo muito isso. Dessa atitude "não precisamos mais de você, sociologia". Nossa. Tenho ouvido tanta crítica ao meu blog. Por causa daquele negócio que eu faço. De falar de teoria e misturar com alguma coisa. Eu espero que esse post não seja confundido com aquilo. Veja que eu nem citei ninguém. Mas as pessoas falam em tom pejorativo. De "blog intelectual". De "blog analítico". E falam que qualquer um pode dar opinião com o advento da internet. Aí é mentira, né? Pouca gente pode dar opinião, infelizmente. Porque não tem condição mesmo. Isso que eu faço que o pessoal fala que é metido a besta. Isso é análise. Boa ou ruim, é análise. E muito pouca gente sabe fazer análise. E isso não desmerece ninguém e blá. Eu escolhi como profissão fazer análise. Então eu gosto. De fazer e ler etc. Mas eu percebo uma vibe geral de zoar análises. Tipo ui, ui. Gozando mesmo. Alguns podem dizer que tem um pouco de inveja nisso. Sim, claro. Tem sim. Veja que eu estou dizendo que os outros profissionais todos precisam de sociologia ou filosofia pra parar de pé. Abandonaram as duas e daí não se sustentam mesmo. Mas fica aquilo. De pelo menos eu ganho bem ou na minha área sou o maioral. E a crítica fica sempre em torno de que a análise seria perda de tempo. Eu cheguei aqui na minha sala às 19:40. E entre cafés e pequenos probleminhas que eu tive que resolver, escrevi esse post. Dá bem uma hora. Tem gente que acha muito. Eu acho super ok passar 1 hora tentando organizar o que eu penso.

*ComeçaVAM porque agora as disciplinas de ciências sociais são online.

**Pessoalmente ($$$) nunca me fez diferença porque eu sempre tive mais aula do que tempo. E eu vivia largando essas coisas tipo Nutrição pros novatos e ficava mais nos cursos de humanas. Mas eu sou titular de tudo e blá. Então eu que vou na reunião.

***Experiência pessoal sem grande pretensão analítica.



Escrito por Mary W. às 20h46
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Gustave Igler. Left To Their Own Devices, 1881

 

Eu acho mais ou menos assim. Eu já falei isso outras vezes. Eu acho que "acabou" a escola. E os professores "acabaram" também. Mais ou menos como quando apareceu a imprensa e muitas pessoas começaram a ler etc. E aí várias coisas aconteceram. Tipo romantismo e todo um público leitor e, então, coisas escritas. Revolucionou tudo isso. Mas. Um monte de gente não aprendeu a ler. Um monte de gente não é leitor de nada. E agora isso acabou. Aconteceu outra coisa. A internet mesmo. E as pessoas estão se virando aqui sem saber ler ou escrever. E há uma preocupação em inseri-las e tal. Mas ao mesmo tempo a gente vê as campanhas do governo dizendo "Meu amigo livro" e sabe que não vai rolar. Já foi isso. E nunca todo mundo participou da cultura letrada. E ela já acabou. Eu acho que isso vai acontecer com o direito ao aborto também. Daqui a pouco vai haver uma tecnologia reprodutiva que vai colocar um fim em gravidez indesejada. E que bom, claro. E a luta pela legalização vai passar sem nunca ter conseguido fincar-se de fato. E a escola é assim, eu acho. Como esses dois exemplo aí. Um monte de gente não teve acesso. Um monte de gente não tem cultura escolar. E à medida em que pensamos estar caminhando para universalizar o direito à educação através da escola, ele escapa dela. Não tá mais na escola a educação. Acho que o Giddens que usa a expressão "crise das múltiplas autoridades". Pra falar de como pai e mãe não estão mais com essa corda toda por conta das várias referências que povoam o mundo da criança (e que antes não povoavam). Eu acho que o professor foi ferido de morte nessa crise aí. Ele não é mais referência. Ele não é mais respeitado. Ele não tem mais nada para ensinar. E assim por diante. Eu acho mesmo que o sistema escolar só fica em pé por conta dos laterais. Lugar pra mãe deixar o filho. Mercado de trabalho imenso. Sem qualquer mimimi de falsa modéstia. Hoje. Quem precisa de professor de sociologia? Quase ninguém. Não tô falando de mestrado e doutorado. Que aí eu acho necessário ainda. Mas graduação, não acho. As melhores experiências que eu tenho com aluno são todas de ordem "existencial". Você acaba "inspirando" o cara. Mas não ensina bulhufas. O que eu ensinei esse ano? De mais legal? Eu ensinei duas alunas a fazerem uma monografia sobre mulheres tratoristas numa usina de cana. Quebrou tudo o trabalho delas. Entrevistas incríveis e análises bastante boas. Elas vinham aqui na minha sala e eu ficava mostrando uns livros pra elas. Olha como essa fulana fez. Fiquei encadeando. Primeiro fala de trabalho, depois inserção da mulher no mercado e aí trabalho rural. Daí olhava e não gostava. E mudava. Daí ensinei a fazer entrevista. Com livro dos outros. Palpitei no questionário. E elas foram pra campo e arrebentaram. Deu tudo certo. Tudo. Mas quando que você pode fazer isso? Sentar com duas alunas e ler Heleieth Safiotti com elas? Nunca. E não quero cair naquela tonteira lá. Que educar é ensinar a fazer pesquisa. Porque eu acho que existiu um lugar para a docência pura etc. E tem muita monografia de DOER. Que você não consegue nem corrigir. Mas essas meninas conseguiram fazer algo. Tem uma outra que fez uma revisão de literatura sobre maioridade penal. Nossa. Ficou ótima também. Ela quis ver assim. Como os diferentes profissionais que lidam com menor infrator se posicionam. Daí entrevistou um monte de gente de conselho tutelar e autoridades etc. Pra ver como é o racha ali e tal. Eu não entendo nada desse assunto, ficava só corrigindo mesmo. Uma aluna bem mala, ela. Vinha todo dia encher com alguma coisa e pedir pra eu ler um negócio. Ela se empenhou um monte. Eu gostei do trabalho dela. Mas não tanto quando o das tratoristas. Por isso nem cito muito. Nem sei mais o que eu tô falando. Assim, acho. Claro que eu contribuo na vida dos meus alunos. Mas são poucos diante dessa estrutura toda. Dentre milhares, só um pingo está interessado em cultura escolar. Como se a cultura escolar fosse tipo querer estudar latim. Sei lá. Uma coisa desse tipo. E eu tenho cada vez mais certeza que não é realmente importante. Eu gosto de pessoas que tem cultura escolar. É meu tipo de gente. Mas não indica nada isso. Nem mais inteligência, nem mais dinheiro. Veja que tô falando de cultura escolar e não de anos de escolaridade. Que contam, claro. Porque o ÚNICO lugar que tem pra ir aprender alguma coisa é a escola. Daí conta no mercado e blá. Mas cultura escolar não rola mais. Professor de curso técnico tá em ascensão, Mary. Isso que você pode me dizer. Que existe um tipo de ensino nos moldes que conhecemos e que apenas o que está sendo ensinado é que mudou. O professor de filosofia me explicou isso maravilhosamente bem no dia em que ele foi demitido. Mas eu não quero falar sobre isso. Ele foi demitido em junho e eu não consigo falar sobre, aqui. Mas tem a ver com isso. De fim da filosofia e da sociologia como conhecimentos escolares. E aí pode enfiar esse post no buraco. Porque a cultura escolar está firme e forte. Só o  conteúdo que eu sei é que saiu dela. Enfim. Eu discordo dele nisso aí. Mas não queria falar porque já comecei a chorar. Não lido bem com a demissão dele. E tô na faculdade agora. Tentando faz duas horas terminar esse post. Colocar os negritos e tal. Cada hora chega um.

Eu estou certa de que conhecimento é sinônimo de tecnologia. Ou melhor. De conhecimento técnico. Então falam de Sociedade do Conhecimento. Eu truco. É Sociedade do Conhecimento Técnico.

A Informação também é técnica. Acho que informação tem mais a ver com capacidade de armazenar dados. Por isso prefiro o termo Sociedade do Conhecimento. Porque conhecimento guardado vira informação. Alguém diz que sempre tivemos conhecimento, que o quente agora é termos transformado o tal em informação. Não concordo com quem diz isso.

Tem o sentido senso comum da palavra Informação. E eu gosto demais disso, em tempos de twitter. Informação, no twitter, é saber de Katylene e de Maitê Proença e tal. Eu sempre tô correndo atrás dessa informação. Veja bem, se pegarmos por aí. Veja bem onde está a cultura escolar. Todo um mundo à nossa frente. Um bando de letrados. E a gente fica atrás de moça da laje. Essa que é a verdade.



Escrito por Mary W. às 21h00
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Da série: a culpa é do professor (134785)

O que me encanta numa reportagem como essa. Todos tem acesso ao perfil do moleque nazista. A mãe. O pai. O padre. O médico. Até eu. Mas o questionamento parte assim. O que deve fazer o professor quando descobre que seu aluno é neonazista pelo Orkut?. Daí monta-se um curso. Ética Digital em Tempos Pós-paripapá. E os professores todos são supostamente treinados para lidar com a questão. E todo mundo dorme em paz. A mãe. O pai. O padre. O médico. Eu não sei até quando isso. Que a escola vai ser a instituição central e única para a resolução dos problemas do mundo. Mas não tá funcionando. Veja um Roda Viva qualquer. Um Programa do Jô qualquer. E um entrevistado metido a besta qualquer. E um problema qualquer. E aí a pergunta como fas pra resolver? e a resposta sempre será a mesma. É preciso mais educação, responderá o entrevistado qualquer, do programa qualquer, sobre o problema qualquer. E já me irrita. E agora essa. Comunidade "Amo Bulimia" deve virar objeto de atenção também. Veja que uma lá chamou a polícia. E está como um exemplo do que deve ser feito. De como entrar no século 22. Uma coisa assim. Naonde, hein? Que chamar a polícia é resolver alguma coisa? E o chefe dos professores diz que ele está preocupado com a apatia em relação ao tema. Já que ninguém o procura para discutir as novas posturas diante das redes sociais. Aliás. Peguei um pouco de gastura desse termo aí. "Redes Sociais".

Menção honrosa para a incrível história do aluno que roubou a comunidade "Eu amo professor fulano" no Orkut e renomeou para "Eu odeio professor fulano". E toda a investigação que o tal professor promoveu para descobrir e apurar. E tudo isso relatado como um exemplo de conduta etc. Se fosse eu. Que tivesse roubado a comunidade teria renomeado bem em outros termos. Ah, e se fosse a comunidade "eu amo a professora Mary W." que tivesse sido roubada?. Bem. Eu jamais saberia. Eu nunca entro. Não vou. Não leio. Não me interessa. Eu não criei. Não uso para feedback. ETC.


O que eu quero dizer é que um bom lugar para que as pessoas expressem ódio pela professora Mary W. é na comunidade onde uns tontos alegam amá-la. O tal do contraponto. Uma prática bastante comum nas redes sociais.

Cada vez mais eu vejo isso aí. Intercâmbio institucional entre escola e polícia. Cada vez mais.



Escrito por Mary W. às 12h15
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Ainda sobre o filme do Lars Von Trier. Eu sempre tive cachorro, né? Desde pequenininha. Casa grande, sempre vários e vários. Nunca tinha tido gato. Uma vez eu achei uma gatinha em frente de casa, na chuva. Ela era meio filhote e achei que ia ficar. Mas ela fugiu logo. Então tinha sido muito rápida minha experiência. Daí apareceram esses gatos todos aqui. E é uma paixão mesmo etc. Mas aí a gente começa a vivenciar algo que já sabia. Que gatos são animais polêmicos. Um monte de gente me diz assim, do nada. Eu não gosto de gato. E eu pergunto se já conviveu com. E nunca, obviamente. Mas seguem dizendo que não gostam. E aí desfilam motivos super ignorantes mesmo. E a gente percebe que colocam o gato numa esfera sobrenatural. No sentido da palavra mesmo. Coisas banais que todo ser curte, o gato não etc.  Coisas que nenhum ser consegue fazer, o gato consegue.  Etc. E nem precisa saber de onde puxamos esse imaginário, né? As bruxas da Idade Média, que tinham gatos e não sei quê. É realmente impressionante. O número de pessoas que diz isso. Não gosto muito de gato. E eu vejo como uma coisa medieval. Por conta da aura de maldição/encatamento que colocam. Eu só tô dizendo isso porque é um imaginário que tá do meu lado. Na minha frente. Às minhas costas. Em todo lugar. Etc. Daí a gente faz as coisas e eu acho que tem que fazer. As coisas modernas todas. De lei etc. Mas o imaginário é complicado. Nem todo Garfield do mundo dá conta. De alterar rapidamente etc.

Meus alunos estão fazendo semana do saco cheio.



Escrito por Mary W. às 22h34
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Beauvoir — ... Os homens de esquerda estão começando a tomar cuidado com a linguagem, estão...

Gerassi — Mas isso é real? Quer dizer, eu aprendi, por exemplo, a nunca usar a palavra “gostosa”, a prestar atenção nas mulheres em qualquer discussão de grupo, a lavar a louça, arrumar a casa, fazer as compras. Mas será que eu sou menos sexista em meus pensamentos? Será que eu rejeitei os valores masculinos?

Beauvoir — Você quer dizer, no seu íntimo? Para ser sincera, quem se importa?

 

Eu nunca tinha lido essa entrevista.


Uma feminista, quer ela se autodenomine esquerdista ou não, é uma esquerdista por definição.

 





Escrito por Mary W. às 21h12
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Daí que eu tinha lido umas coisas do filme da Danni Carlos. E até sabia que ela beijava uma menina nele. Mas nossa. Superou tudo. Ela vive um romance com a tal moça. Com direito a todo o sexo, drogas e rock'n roll que você puder imaginar. O filme é todo fofo. Três histórias encantadoras. Desses filmes com personagens underground. Escritor fracassado, puta, trans, lésbicas e uma menina do interior que fica deslumbrada. É emocionante tudo. Danni Carlos bate bumbo e faz chover. Mas o escritor fracassado. Oh. É algo. Ele compra o livro dele mesmo num sebo. Veja bem. Que cena. Recomendo geral. Duvido que alguém não goste. Ah. E tem isso. É uma ode a São Paulo, a capital. Então tenta captar toda a atmosfera da urbe e etc etc.



Escrito por Mary W. às 15h52
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COM SPOILLER
Mais do que isso. Todo um comentário sobre o final do filme.


Eu tive uma dificuldade imensa pra entender Anticristo. E o que eu tô lendo não tá me adiantando. Quando o filme começou, falei "pronto". Uma coisa é seu filho morrer, né? Outra coisa é seu filho morrer enquanto você está trepando. Haja culpa. Não tem muito jeito. Era uma trepada muito homérica. Só num mundo sem Cristo mesmo. Que a gente pode trepar daquele jeito em paz. Eu cheguei a pensar que ia pegar fogo na casa inteira. Porque eles derrubam a garrafa de vodka lá. Mas não pega fogo. Não. O moleque morre . Mas fica essa intuição, desde o começo. Que o eixo vai ser a culpa pelo sexo e tal. Ao contrário de Dogville, eu não achei Anticristo bom de assistir. Tem umas cenas incríveis. A Charlotte Gainsbourg é tão linda. E tão louca, no filme. Mas é ruim de assistir. Daí eu tinha lido que o Lars Von Trier é misógino. É mentira das pessoas isso. Ele não é. O filme dele não é. A Charlotte que é. Ela estuda violência contra mulheres na Idade Média. Tortura e morte das "bruxas" e tal. E ela conclui que elas realmente mereceram. Que elas realmente eram assustadoras e perigosas e más, as mulheres que a Inquisição matou. Mas não é também só misoginia dela. O filme é sobre birutice. A mulher tem culpa saindo por todos os poros. E aí a gente nota com esse papo das bruxas que ela não tem culpa individual apenas. Ela tem culpa de ser pecadora e de ser mulher. E todas nós pecamos etc. Ela faz salada mesmo com tudo isso. Enlouquece de dar medo. Aí o capítulo final se chama Feminicídeo porque é o que a Charlotte estuda e blá. E porque, obviamente, William Dafoe é obrigadoa a assassiná-la no final. Que é uma coisa legal, quando ele a mata. Porque dá um pouco essa impressão. Que a Charlotte realmente acredita que o mundo só ficará livre da maldade feminina dessa forma. É uma maldade meio sofisticada demais pros meninos. Eles não entendem e não conseguem lidar. E o Feminicídeo é uma defesa mesmo. Uma parca defesa contra uma maldade infinita. E quando ele sai da casa, lá estão. Milhares de mulheres subindo a colina em direção a ele etc. O moleque era homem, né? O filho dela que morreu. E eu queria tanto ter entendido por que ela colocava os sapatos trocados nele. Não entendi nada. Fiquei pensando nesse imenso poder da mulher. De vestir e alimentar o homem. E de então ter facilidade para envenená-lo ou aleijá-lo (no caso dos sapatos). Alguns símbolos são meio óbvios demais e a gente fica sem saber. Se ele quis realmente ser simples ou se a personagem é simples. Quando ela coloca a roda na perda do marido por exemplo. Eu acho que a premissa pra assistir Lars é sempre uma só. Ele é mais inteligente do que eu. Ele não erra, sou eu que não entendo. Eu não entendi o nome Anticristo. Pra mim é porque ele, William Dafoe, queria livrar a mulher da culpa. Em nenhum momento ele carimbou a culpa dela. Então todo o símbolo que pesa nela, ele tenta aliviar. Até que termina daquele jeito ele. Tentando manter a sanidade e resolver as coisas. Tanto que eu não gostei de assistir mutilação genital, claro. Mas a cena que mais me impressionou foi dele na toca, matando o passarinho. E eu comecei a chorar quando ele abre os olhos e vê "os três mendigos". Mas eu não sei porque eu chorei. Eu fiquei muito sentida por ele. Eu vi que ele tentou. E é verdade que ele é um arrogante, como a esposa diz. Mas ele tá usando isso pra tentar construir as coisas. E a partir da desconstrução. Ele não é um conformado com o mundo. Mas ele também não deixa as coisas como estão. Ele fala aquilo. Que o diabo está na natureza. E então ele tenta sair da natureza ou pelo menos desnaturalizar as coisas. E a Charlotte pega ele de jeito. Porque ela tá deixando a natureza tomar conta dela. No caso a tal da natureza feminina, que ela acredita. E ele NÃO. É importante dizer que ele não acredita. Enfim. Pra mim ele é mesmo o maior de todos. Eu não consegui entender esse filme. Tô tentando ainda. Isso tudo que eu escrevi é mais blá mesmo. Não fechou pra mim ainda.

E talvez pode ser que qualquer terapia seja o Anticristo, né? Porque nos livra da culpa e tal. Todo o processo é uma luta contra cristo mesmo vai ver. Eu pensei isso porque me disseram que ele tava muito deprimido e in treatment quando fez o filme etc. Não acho que tem muito a ver com calvário, o título. Embota tenha aquela cena. Em que ele acorda com pregos na mão.

Mas misógino não achei. Não mesmo. É preciso mais do que um clitóris decepado pra que eu considera algo misógino. Mas como disse. Não entendi.



Escrito por Mary W. às 11h04
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Eu sei que não é exatamente culpa dele. E eu sei que a minha TOTAL implicância com o cara não tem nada a ver com o ENEM. Mas eu acho um absurdo Fernando Haddad ainda não ter caído. Ele diz que a licitação ferra o processo porque abre mão da excelência por causa dos custos e aí uma empresa não tão boa fica responsável pela prova. Ele tinha que ter visto isso antes, né? Que a empresa não tinha condição de fazer a prova. E eu não entendo lhufas de licitação. Mas acho que dá pra colocar um critério que dê conta da segurança, né? Enfim. Achei que ia cair do dia pra noite. E não. Tá lá. Dando entrevista como se entendesse de educação. Coisa que vem fazendo faz tempo, inclusive.

E ainda bem que os ladrões procuraram os cursinhos. Eu tava super ué deles terem ido direto na imprensa. Eu fiz Intergraus-Pinheiros. Era *o* cursinho na época. Meus professores fuçavam os lixos da FUVEST. Sério.

Eu soube de duas questões da FUVEST naquelas aulas que tem na véspera. Uma sobre Camilo Castelo Branco. E o professor de literatura entra esbaforido. Era um mulato meio acima do peso ele. E todo feliz "conseguimos a questão". A outra era de História. Que ia cair aquela musiquinha do Getúlio. Pega o retrato do velho/ bota no mesmo lugar/ o sorriso do velhinho/ faz a gente trabalhar. E caíram mesmo. As duas. O professor de história não tava lá. Não sei o motivo. E quem nos passou a questão foi o professor de química mesmo.

Hoje dá impressão de terem sido sopradas essas questões. Porque, né? Fácil de passar no boca a boca. Questão de química não dá pra passar assim. Mas eles disseram que pegaram no lixo da FUVEST.

Ah, sim. Eu passei na USP.



Escrito por Mary W. às 15h43
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Nobelada e tabagista \o/

E hoje é, de novo, o dia mundial do meu pai. Sempre chega. Eu comecei a chorar, claro, quando vi que saiu o Nobel. E eu tava no trabalho e fico esperando mesmo, ele me ligar. Pra comentar. Nunca conheci quem gostasse mais desse prêmio. Daí eu fiz o que achei que ele faria. E entrei no Submarino e na Cultura pra tentar comprar um livro dela. Não tem. Eu posso ouvir ele falando. Ninguém sabe quem é essa mulher. Pra ser sincera, eu não sei. Ninguém sabe, ele diria. Ele gostava mais quando ninguém sabia quem era o autor laureado. Ano passado eu disse que nem ia ler o ganhador. Mas foi mentira. Eu acabei lendo O Africano. Naquele ritmo meio molenga. Porque, né? Anyway. Eu adorei O Africano. Gostei bastante mesmo. É um belo mico pras editoras brasileiras, a Herta Muller. Não consegui comprar ainda. Tô tentando desde cedo. Imagino que a qualquer momento vai entrar, né? Que alguma gráfica já esteja imprimindo *o* livro. E que alguém já tenha começado a traduzir os outros.

Pra variar, quem cobre melhor são eles. Tem até vídeo do anúncio.

3 Nobel sem meu pai. Mulheres 2 X Homens 1. Inacreditável que eu não possa dizer pra ele. Acho que os homens não sabem mais escrever, pai.

Eu imagino que o comentário dele a respeito do prêmio seria no sentido de que leste europeu é so last century. Mas não tenho como afirmar.



Escrito por Mary W. às 12h49
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A Bia Abramo disse assim na Folha. Que o caminho da televisão é a Fazendinha. Que alguns chamam de Farmville. E que é um aplicativo do Facebook. Eu não gosto de falar esse nome "aplicativo". Fico com aquela sensação de que tô usando uma palavra importante para falar de algo idiota e que já existe faz tempo. Mas o Facebook tem um monte de aplicativo. Então tem que falar. E a Fazendinha é gênio puro. E eu acho que é o futuro de tudo, não só da televisão. Me agrada muito isso, de pensar a interatividade. Um problema de internet é esse. Ela coloca a interatividade. E é uma ferramenta de comunicação comum  também. Daí as pessoas confundem. Elas pensam que estar se relacionando é estar interativo. E não é, né? Quando eu falo no MSN com vc. Não é interatividade. A gente tá só conversando. O Twitter é legal porque é interativo de fato. Etc. Todo mundo sabe isso. Eu fecho o meu twitter justamente porque não quero tanta interatividade. Embora queira me relacionar com as pessoas e me comunicar. A televisão não faz nada interativo. Nada. Só se comunica, mais ou menos, com o telespectador. Daí todo programa tem lá alguém recebendo e-mail. Primeiro vamos combinar que o e-mail acabou. Daí lê os emails lá. E pensa que interagiu. Não foi isso que aconteceu. A Globo tem um negócio que chama de interativo. Durante o jogo de futebol, um telespectador faz uma pergunta pro Falcão. Tipo o Sport devia jogar com dois atacantes?. E o Falcão responde. E grandes bostas, na minha opinião. Na Fazendinha, é balada é outra. É meio tosco ainda, mas é interativo o tempo todo. Poderia ser melhor. Sei lá. Você poderia ter que comprar as sementes de outro jogador. E ao invés de simplesmente vender um item para o Cosmo, tivesse que arrumar um comprador. E acho que vai por aí. Mas você entra na Fazendinha dos outros. Varre as folhas, vê os morandos amadurecendo em tempo real. Coisas assim. E mais importante. Você escolhe as fazendas que quer ter como vizinhas e quais vai visitar etc. Eu acho mesmo que o Zinga vem pra substituir a Endemol. No quesito "oi, estamos no século XXI". Mais importante mesmo é equilibrar o universal com o particular. Todos jogam Fazendinha MAS eu quero saber da Fazendinha dos meus amiguinhos. E assim por diante. Essa noção de comunidade pós-moderna que todo mundo tenta dar conta etc. Eu imagino que daqui a pouco, tudo. Mas tudo mesmo vai funcionar nesse esquema. Blogs? Serão como fazendinhas. E assim por diante. Eu vejo que as pessoas tem preconceito com o "jogo social". Mas é que as pessoas. Você bem conhece. Elas olham pruma Fazendinha e pensam que é sobre tomates. Elas demoram pra perceber que não. Que é sobre interatividade*.

*Vamos ser condescendentes, entretanto. Conheço gente que até hoje acha que Big Bother é um programa de televisão. Dá dó.

A Zinga saiu com o Café agora. Adorável também. Não tem um sentido prático ainda, mas traz uma tentativa de interatividade nova. Tipo. Eu sou  a chef. E preciso de uma garçonete. E contrato entre meus amigos. Eu contratei ela. Porque ela é a rainha dos jogos sociais. Então espero que faça um bom trabalho. E eu posso demiti-la etc. É uma função que está sendo tentada que é algo. Penso eu.

Ah, claro. Eu espero que o Google Chrome tenha incorporado isso aí. Da interatividade do FarmVille.



Escrito por Mary W. às 14h53
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Eu não sei nem como falar isso sem soar repetitiva. E eu entendo que são momentos distintos, embora acredite bastante que ainda vivemos sob a "ética" da contracultura. Mas eu não poderia ficar mais incomodada do que eu estou. Com isso da mãe da menina. Que a mãe da menina deixou ela ir na casa do Jack Nicholson com o Roman Polanski. Olha. Se eu aprendi uma coisa estudando feminismo foi isso. Que a tentativa de trazer para o reino doméstico é um truque. E é super perigoso porque às vezes isso acaba nos servindo. E então jogamos também com isso. No reino do doméstico a gente sabe o que existe. É afeto que existe. E quando Gloria Steinem e o pessoal falou que "o privado é público" tava dizendo isso aí. Que temos que tirar da esfera do afeto e colocar na esfera dos valores. Redefinir os valores a partir dessas experiências que eram comuns a várias mulheres e acabavam relegadas a um conflito entre pessoas. Coisa que não é. Ou que também é. Mas não é apenas. Então a gente pode encontrar 500 mil mulheres que afirmam adorar cozinhar, lavar e passar pro marido e pros filhos e ainda assim vale a pena lutar para que ela possa não lavar. E ainda que aborto seja uma decisão pessoal e intransferível, a luta é por valores (como é óbvio nesse caso). Então *o* caminho do feminismo é esse. Pegar tudo do privado e desvelar. Eu não sei se alguém discordaria desse resumo. O que faz principalmente o feminismo? E a resposta ainda é essa, eu acho. Transforma sofrimentos privados em questões que interessam a todos nós. O feminismo é um humanismo. Quem me disse isso foi Naomi Wolf, a primeira vez. E a gente nota mesmo um monte de coisa. Que o espaço doméstico, ainda que seja domínio feminino, é o local onde se acua a mulher. Por ela ser a tal "rainha do lar", é em casa que não pode se defender. Então se a gente tá falando de um problema qualquer. Tipo os salários são menores. Você percebe que a panela não ferve. São menores e as mulheres devem continuar lutando e é mesmo injusto quando elas fazem a mesma função que os homens. Não ferve. Por isso é que mandam a gente pra casa, mesmo quando o assunto é da rua. Porque supostamente a colocam na condição de dona do pedaço. E aí ela tem que responder e dar conta do pedaço. Toda a vez que alguém diz uma coisa do tipo "onde que está a mãe dessa criança?", eu fico ressabiada. Primeiro pelo óbvio. Por que não perguntam cadê o pai? Quando não perguntam cadê o pai e martelam sem parar cadê a mãe. Já sei. Que vem machismo dos bravos. Que vão acuar a mulher no doméstico. Veja que ela deveria estar reinando em casa quando tudo desandou. Foi durante o mandato dela e tal. Mas tem a outra coisa. Que é a tentativa de não deixar o assunto vir pro público. Onde teria que se confrontar com valores e racionalismos e não mais com afeto. E lamento. Aí a gente vê que não querem que o assunto "suba". E ficam dizendo "a menina perdoou o Polanski", "a mãe não deveria ter deixado", "ela nem era mais virgem". E eu não vejo o que eu tenho a ver com isso. Tipo essas três coisas aí. Nenhuma delas é da minha conta. Começa a ser da minha conta naquele momento ali. Que há muitas meninas sendo jogadas em banheiras. E elas realmente não podem se defender. Então nós tentamos fazer isso. De forma bastante rudimentar. Com leis para punir quem as joga nessas banheiras. E com oxigenação da esfera doméstica, para que as meninas tenham coragem de nos contar. Ela teve. E contou pra mãe. E a mãe foi na polícia. E eu acho que assim estamos indo bem. E pá. Tem gente que volta o dedo contra a mãe. Para que? Pra trancar o assunto em casa? DE NOVO? Foi tão difícil tirá-lo de lá. Eu vejo mulher que apanha do marido. E dá queixa e volta com o cara. E eu não fico tão tensa. Sério. Ela já fez um lance que eu acho fundamental. Ela já falou que apanha. Tenho sempre medo do silêncio. De tudo que acontece e fica trancado. Daí que fico puta da vida dessa tentativa de tentarem trancar a mãe e a menina. Caminho inverso. Tornar privado, o público. Vixê. Mas não entendo MESMO. É caso de polícia, não é caso de família.

Claro que danos subjetivos sempre ficam. Talvez a mãe da menina tenha tido culpa. Eu imagino o quanto ela não ouviu. No meu caso específico, até hoje. Toda vez que eu me lembro, eu penso. Eu deveria ter voltado de táxi. Não voltei. Me fudi. Etc. Meu tio falou. No dia. Também, pq vc não pegou um táxi? Não peguei. E isso não dava autorização nenhuma para me obrigarem a fazer sexo. Era 9 da noite, eu respondo. Mas, né? Nem que fosse as 4 da manhã. Eu não faço sexo se não quero. Se me obrigam, é um crime. Não pode ser tào difícil entender isso. Tem como soletrar mais?



Escrito por Mary W. às 21h29
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A
C
A
B
E
I

de corrigir as provas.

 

Eu fico bolada demais com essas coisas. Tipo. Faltam 5 minutos pro meio-dia. Geralmente quando eu tenho uma tarefa hercúlea pra cumprir é assim que acontece. Eu termino em cima. Não rola de eu acabar as 10 da manhã ou 9 e meia da noite. É sempre ali. Na risca. Como se o corpo fizesse a conta e se adaptasse. O homem que dá consultoria pra gente nisso de EaD mandou eu fazer a conta. De quanto tempo eu levo corrigindo cada questão. Pra ver viabilidade etc. Só que eu nunca contei. Mas o meu corpo já contou. Porque é impressionante mesmo. Nunca termino no meio do expediente.



Escrito por Mary W. às 11h55
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