A feminista


Eu assisti, involuntariamente*, dois filmes de Roman Polanski. O Bebê de Rosemary, que eu adorei. E Chinatown, que eu nem lembro direito do que se trata. Na faculdade tinha uma lanchonete que passava filmes. Eu ia lá toda noite. Tomar cerveja e comer lanche. Vi, assim, umas cenas de Lua de Fel. Nem reparei. Faço questão de não ver. Porque ele estuprou uma menina em 1977. Não me importa manifesto de Pedro Almodovar. Não me importa adesivo de Free Polanski. Lendo as notícias da prisão, aparece a informação de que ela já o perdoou. Cago e ando. Pouco  importa mesmo como ela lidou com tudo isso. Espero, por solidariedade, que tenha ficado tudo bem pra ela. E que ela tenha exorcizado. Mas essas subjetividades realmente não vem ao caso. Além do que. Eu duvido que ela não tenha comemorado a prisão dele. Eu comemoro. Eu acho que já falei aqui sobre isso. Quando do frisson pelo tal do Pianista. Me incomoda demais a circulação de Roman Polanski pelo mundo. E não é por qualquer mundo que ele circula. O mundo mais poderoso no que diz respeito a imaginário etc. Todas as vezes que me recomendam O Pianista (e não foram poucas), faço questão de responder. Que não me interessa porque blábláblá. Mesmo assim ele é "perdoado". Por conta de supostamente ser um gênio. Pra mim, tem coisa que não dá. Estupro é uma coisa que não dá.

Deve ter algum tonto que fala ah, mas eu gosto tanto dele e o mundo sem tal filme seria um lugar pior. E eu digo que não seria. O mundo dá conta de viver sem qualquer filme. A gente não precisa aceitar o inaceitável sob condição nenhuma. Só precisamos acordar o que seria inaceitável. E acho que estupro é um bom começo para esse acordo aí.

*Eu não me interessava ainda por diretores e não sabia quem ele era e o que tinha feito.

Claro, atendendo a pedidos :)



Escrito por Mary W. às 03h30
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Claro que eu tive mais de mês pra corrigir. Mas fui embaçando. E agora tenho que correr etc. Mas na boa. Enjoei muito de fazer isso. Muito.



Escrito por Mary W. às 16h27
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Tenho 6 mil dessas pra corrigir. Já foram 3200.



Escrito por Mary W. às 15h55
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Todo mundo falando que o Washington tava impedido. E ele tava mesmo e o gol deveria ter sido anulado. O que eu considero incrível foi o que aconteceu no gol do Ronaldo. Pra mim, o erro de arbitragem mais BIZARRO de todos os tempos. Veja bem. Eu entendo que os corinthianos são pés rapados e que ficam uau quando entram no Morumbi e percebem toda a estrutura. Mas aí eles ficam caindo pra usar o carrinho de atendimento. Só pode ser isso. Então o Dentinho caiu. E usou o carrinho. OK. E ficou fora do campo. Daí o jogador do Corinthians lança a bola pra ninguém. E o Dentinho fora do campo, resolve entrar e pegar a bola. Que ia sair. E então passa pro Ronaldo. E o André Dias faz *a* cagada. E os comentaristas da Band. Que redefinem o bizarro sempre. "Os jogadores tem que ficar atentos também ao que acontece FORA do campo". Oi? Alguém tá louco de vez. Não existe o que aconteceu. O juiz é um idiota completo. E o erro em relação ao impedimento FOI BOM. Porque pelo menos nos trouxe de volta ao reino do tangível.

Ai. E o Palmeiras eu quero que se foda. SE FODA. O Santos nem precisa da minha torcida.

Tô com ódio desse campeonato.



Escrito por Mary W. às 12h24
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


A questão é. O que eu posso ter perguntado para que a resposta desandasse desse tanto? Então. NADA. Absolutamente não tem a ver com o assunto.

Você sente aí? Meu ateísmo arrepiando aqui? Intoleraaante.

 

 

 

Há mais, claro:

 

Eu AMEI esse erro.



Escrito por Mary W. às 10h19
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Luke Chueh

Eu acho mais legal do Twitter que você cria o seu mundo. E não tem chance nenhuma de alguém saber qual é ele. Na primeira vez que eu usei foi o que me deixou uau. E ainda é. Sua timeline é única e NINGUÉM consegue vê-la. Você não precisa nem trancar nem nada pra conseguir o exclusivo do lance. Blog é diferente. Quando alguém entra aqui, vê o meu mundo. Clica nos links e vê o que eu vejo. Óbvio que cada navegação na internet é única. Mas você compartilha o mundo. Lá no Twitter você não compartilha o mundo. Isso é o céu e o inferno da internet, sabemos. O céu porque você tem uma possibilidade de se cercar de pessoas que gosta. Portadoras de opiniões que respeita e/ou compartilha. Inferno porque pode acabar em gueto e você eternamente só escutando os seus. O caso é que você monta o seu microcosmo no Twitter e uma coisa doida acontece. Mesmo sendo uma timeline de amigos e pessoas com as quais você se identifica, TODAS as opiniões aparecem. Mesmo aquelas posições feudais do tipo "queime na fogueira". Eu fico encantada com isso porque todos os sociólogos que eu conheço falam isso. Que você consegue induzir a consciência coletiva geral a partir da análise de praticamente qualquer grupo. Seja pelas coisas que o grupo nega, seja pelas coisas que o grupo afirma. Eu comecei seguindo no Twitter pessoas que eu considero amigas. De internet ou da vida. Umas outras começaram a me seguir, eu imagino que porque me conheciam do blog. No começo eu perguntava porque a pessoa queria me seguir. Porque eu tinha curiosidade mesmo. Mas comecei a achar que era meio antipático perguntar. Então hoje tem pessoas lá que eu adoro e não tenho nem ideia de onde me conhecem e fico sem jeito de perguntar agora. Porque, né? Já vivo de papo-furado com elas e tal. Algumas pessoas eu acho que me seguem a partir do Twitter mesmo. Mas acho que são poucas. E não é uma ferramenta reflexiva como blog. E então você não pode investigar isso a contento lá. O caso é que eu acho que tenho um relativo controle da minha timeline. Sei mais ou menos quem é todo mundo. E mesmo assim coisas me chocam por ali. Direta ou indiretamente. Que nem hoje que teve um tiroteio no Rio de Janeiro. E dali a pouco abundaram twits falando sobre como bandido tem que morrer mesmo etc. Veja bem. Quase uma dezena de twits desse tipo. E eu só consigo pensar nisso. Que as coisas são esponjosas mesmo. E sempre brota um pouco de água daquilo que você acha que está seco etc. E aí a gente chega naquilo. Que é quase uma lição de moral no fim da história. Não tem como você montar seu mundo. O mundo já está posto. E blábláblá.

Fica parecendo que eu adoro o twitter por conta da timeline exclusiva. E não é. Meu ponto ainda é o da horizontalização. Que ele leva ao extremo. Blog já deixava as relações mais horizontais. O Twitter radicaliza isso. À medida que é mais simples fazer um bom Twitter do que um bom blog. Veja que simples não é sinônimo de fácil. Etc.

Eu não vou linkar os Twitters que falaram sobre isso. Porque eu não estou falando sobre matar/não matar bandido. Estou falando sobre o micro conter o macro.



Escrito por Mary W. às 14h56
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Da série: 70 anos sem Freud.

Já faz tempo que não tá fácil pro meu inconsciente lidar com o meu petismo. Coitado. Daí eu tava com uma velha amiga* numa balsa, na Itália. Tudo muito tedioso e ela foi dar uma volta. Voltou esbaforida. Você não sabe quem tá aí!, ela disse. Quem?, eu quis saber. O homem mais alto do mundo, ela respondeu. Fui até ele. Quando cheguei perto, vi que era o Roberto Jefferson. Fiquei surpresa e falei assim. Nunca pensei que você fosse desse tamanho.

Eu morei com ela em São Paulo.

Eu sei o que você tá pensando. Que existem escândalos mais recentes. Mas é inconsciente, amiga. Ele pega o trauma lá na infância.



Escrito por Mary W. às 13h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A tal

Eu bem que falei no Twitter, semana retrasada. Que a Branca fez aniversário e quis uma calça da Iódice. E eu fiquei q. Porque me habituei ao maravilhoso mundo da Barbie e da Polly. E tal. E amanhã é aniversário da Marina. Setembro não é fácil pra mim. $. E minha tia milionária, que também é meio biruta, buscou a Marina e foi comprar presente e mandou um bolo pra cá. E as pessoas até cantaram parabéns. Sendo que  o aniversário é amanhã. Eu estava jogando online. Com mais QUATRO pessoas. E falei que eu não poderia sair, porque PESSOAS estavam ali. E ninguém me esperou e ainda ficaram putos. Mas enfim. Não é isso que eu vou contar. É o presente que a Marina pediu pra minha irmã. Uma almofada da Imaginarium. Veja bem. ALMOFADA. Daí eu disse pra ela. Que a gente tinha combinado de ir na loja de brinquedos do Shopping. Eu disse "olha, vê aí, se você quiser ir na cidade, me avisa, pra gente sair antes do meio-dia". E ela aliviou bastante. E falou que passa aqui pra me pegar às 10 e meia.

Teve um momento nesse bolo fake aí. Terminaram de cantar o Parabéns. E blábláblá. Pra quem vai o primeiro pedaço. Marina deu pra uma priminha nossa, a caçula da família. Daí minha mãe cortou e a fatia despedaçou. Minha mãe disse que ia cortar outro. A Marina, fazendo graça, mandou. "Dá o pedaço estragado pra Branca". E a Branca ficou tão desolée com isso. Ofendida e triste mesmo. Tudo piora porque ela deu o primeiro pedaço pra Marina, no aniversário dela. A Branca é mais arteira, sabe? Que a Marina. Mas ela não faz essas coisas. A Marina vive fazendo. Meio do mal ela é.



Escrito por Mary W. às 18h40
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Chegou \o/



Escrito por Mary W. às 15h48
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Eu preciso dizer que eu achei acertada a decisão da Lívia. De cantar As Rosas Não Falam. A possibilidade de se sair bem não é muita. Mas revela bom gosto. E surpreende, né? Porque todo mundo esperava que ela fosse escorar na Bethânia. Tem que guardar pro momento certo, eu acho. Não pode queimar o Carcará assim. Ela não teria problema pra passar hoje. Já tinha encantado o júri. Talvez ela tenha pretendido mostrar possibilidades para As Rosas Não Falam. Mas eu acho que não. Fez um número seguro e só. Ela errou a letra. Mas ficou meio charmoso isso. Porque ela reage de um jeito tão leve às coisas. Eu gostei. Como sempre gosto, aliás. Dessas loiras de reality shows.



Escrito por Mary W. às 02h25
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 
Meu irmão tá com mania de bater foto B&P. Pena. A cor da minha roupa era algo. Roxa. Não era lilás não. Era roxa mesmo.

O casamento foi tão legal que não tem como nem narrar. A cerimônia foi incrível, na varanda da chácara da noiva. Que é colonial e tals. E o cara falou tudo que se espera e mais um pouco. Ele disse que casamento é tão importante, mas tão importante que Jesus iniciou o mandato nas bodas de Canaã. Daí falou de São Paulo e ainda que eu falasse a língua dos anjos. Disse que pela história dos noivos era muito óbvio que se tratava de um lance de outras vidas. E contou a história pra quem não soubesse. Quando tava contando, lembrou-se de William Shakespeare. E citou. Uma frase que eu nunca tinha ouvido. Era assim, mais ou menos. A aritmética não funciona no amor, porque nele 1+1=3. Eu fiquei ué. Sério. Quebrou minha perna essa citação. Eu não entendi o que quer dizer e passei o resto da cerimônia matutando. Meus primos acham que é porque nasce um filho do amor. Eu acho que Shakespeare não seria tão tonto. Pensei que talvez exista UM que sintetize os dois. Daí ficariam os dois mais esse UM sintetizado. Mas não tô muito feliz com essa explicação. Finalizando, o médium disse que daria um presente pros noivos. E citou Gandhi. Ele citou até, esse médium. Que o Gandhi disse que ainda que perdessemos todos os livros e referências, se apenas esse livro fosse salvo, não ficaríamos perdidos. E entregou uma bíblia pros noivos. Ninguém seria capaz de discordar dessa frase do Gandhi porque é a pura verdade. O que eu questiono é que se tudo sumisse. Iríamos querer construir a mesma sociedade? Não poderíamos ousar um pouco e escolher novas bases? Mas nem falei nada. Porque, né? Nada me foi perguntado. Aí abracei os noivos e joguei arroz neles e tudo isso. Eu fiquei no altar improvisado durante a cerimônia. A princípio só minha mãe ficaria. Mas ela começou a chorar muito e fomos lá (eu e minha irmã) dar aquela força e tals. Meu irmão caçula não foi porque ele tava batendo foto. Eu acabei chorando também. E daí minha tia mais velha me explicou. Ela é a chefe espiritual da minha família, essa tia. Ela é toda transcendente. Até viagem astral ela faz. Daí ela me disse que viu o momento em que meu pai entrou no casamento. E que por isso todos nós choramos no mesmo momento. Foi logo que ele entrou. Ela me disse que ele ficou postado ao lado dela. É a pura verdade porque uma outra tia minha também o viu lá. Ele foi visto por muita gente. Daí ele falou com minha tia mais velha. Falou pra ela ir cumprimentar meu irmão. Vai dar um abraço nele, foi o que meu pai disse. Essa história foi contada milhares de vezes durante a festa e a gente chorou milhares de vezes por conta disso. E se abraçou milhares de vezes por conta disso. E etc. A festa estava um estouro. Uma das mais chiques que eu já fui. Super, super campestre mesmo. E chiquérrima. Eu não conhecia nada do que foi servido de entrada. Nada. Tudo novidade. Churros de bacalhau. Capuccino de funghi. Não sei quê de endívia e salmão. Uma coisas assim. INCRÍVEIS. Esse capuccino, tomei uns 8. E aí tinha cerveja, uísque e Chandon. Eu noto que quando a champagne é chique, as pessoas falam a marca. Aceita Chandon? Aceita Clicquot? Não sei se mais gente já reparou nisso. Meus parentes, que são tontos, se jogaram na Chandon. Eu, super esperta, me mantive fiel à cerveja. Porque, né? Baixaria estava fora dos meus planos. E realmente funcionou. O pessoal voltou pro hotel de cabeça pra baixo. Not me. Os doces eram igualmente incríveis. Tipo um quadradinho de chocolate branco decorado com laranja desidratada. Brigadeiro de pistache. Juro por Deus. Como se não houvesse amanhã, eu comi. Ah. Tinha também um sorvete servido numa taça clean. De limão só. Achei fino. Pras crianças tinha um cardápio especial. Com pizza e mini hambúrguer etc. Que foi a sorte da Marina. Ela me confessou que não gostava de nada que estavam servindo. Capuccino de funghi, no thanks. Daí tinha um DJ. Que tocava umas coisas de dançar e tals. E super rolou dos bêbados de Chandon dançarem Macarena e I Will Survive. Os noivos foram prum hotel. E a festa acabou. E acordamos todos no Ibís e ficamos, no café da manhã, falando da festa e das baixarias que cada um deu*. E meu irmão telefonou e disse que adorou tanto e que a noiva também amou. Etc etc etc.

*Na hora de ir embora, um dos meus primos tropeçou e caiu em cima da mãe da noiva \o/ Chandon?, você vai perguntar. Nãããão. Black Label, eu vou te responder. Tem coisas que só uísque faz pra gente.

Teve o bem-casado. Eu disse que era o ponto alto da festa. Porque a mulher que fez é a mesma que fez pra Luciana Gimenez e pro Valentino. E ah. Tava gostoso e tals. Mas não dá pra concorrer. Com capuccino de funghi. Acho que é o fim da sofisticação. Nada mais pode ser feito.

Tem umas fotos. Mas eu não sei se posso por foto dos outros. Meu irmão bateu umas em que eu estou sozinha. Vou colocar. Mas é close e não dá a vibe do negócio. Eu pensei em bater foto da comida, mas achei que era meio jacu.

Minha prima, que também é minha chefe, foi na minha sala hoje cedo. "Foi o melhor casamento que eu já fui", ela disse. E putz. Acho que foi mesmo.

O Google nos dá 130 referências para capuccino de funghi. Veja então. Tá longe de ser banalizado o negócio. O que é realmente uma pena.



Escrito por Mary W. às 13h09
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Meu irmão vai se casar no sábado. Ninguém na minha família nuclear nunca se casou. E é uma família bem grande. E todo mundo já passou dos trinta. O casamento não vai ser aqui, mas na cidade da noiva. Que é onde meu irmão já mora, com ela, faz mais de ano. Pra ser bem sincera, eles já se casaram. Saíram um dia e pá puff. Ligaram avisando. Fato consumado. Sem nenhum conhecido nem nada como testemunha. A mãe dela se chateou. Minha mãe também. E acho que eles acabaram se chateando. Com o pior casamento de todos os tempos. E resolveram fazer *a* festa. Pelo menos tudo está indicando. A noiva do meu irmão não é uma noiva, sabe? Não posso dizer que ela não se importa porque acho que ela efetivamente odeia papagaiadas. Então meu irmão faz a noiva. Mas assim. Totalmente. Ele inventa coisas. Escolhe músicas. Pergunta pra minha irmã*. Passa horas pensando em um detalhe de decoração. Minha mãe está toda funcionando em função de. Hoje nós ficamos, juro por Deus, umas 80 horas na rua. Comprando meia, buscando jóia, escolhendo roupa**. Além disso eu fiz as unhas e escova progressiva*** e mandei até meu carro na oficina. Porque, juro por Deus, minha mãe ficou me enchendo com isso também. Todos os parentes vão se hospedar no mesmo hotel. Imagina. E a gente vai amanhã cedo. Meu irmão se casa ao meio-dia. Não tem cabimento. Muito cedo pra mim. Nem ia rolar lance religioso. Mas acabou que meu irmão fez questão. A noiva. E vai rolar um lance espírita. Seria algo se minha avó estivesse viva. Ela meio que lutava em prol dessa causa. Da gente substituir toda a herança católica por uma estética kardecista. Eu acho bom porque pode sobrar pra Marina e pra Branca um papel de daminha. Como a noiva de fato não queria religião, tudo fico em stand by. Mas as meninas fizeram vestidos idênticos e bem pra ocasião. Daí a noiva de alma inventou the rito´s show. E as duas super se animaram. Tá parecendo natal aqui. A gente fica o tempo todo fazendo coisas pro casamento. Minha mãe resolveu dar um jogo de xícaras dela de presente. É super super chique, uma antiguidade chinesa do tempo do onça. E então ela comprou um baú e pintou o baú e fez a parte interna do baú. Meu irmão caçula coloca a roupa, vem na sala e mostra. Daí troca o cinto, vem na sala e mostra. Tudo assim. Ensaio para a celebração. E eu resolvi enfiar o pé na jaca e vou matar aula amanhã, né? Porque ninguém pode contra a força do fenômeno. Eu nem sabia o que dar de presente. Pensei e pensei. Daí minha irmã teve *a* ideia. E perguntou pro meu irmão o que ele queria. E ele quis uma máquina de gelo. Que custa bem o olho da cara. E juntamos e compramos, né? Todos os presentes que meu irmão escolheu são assim. Estilo shoptime. Faz uma lista no shoptime, minha irmã sugeriu. Porque ele só pensou mesmo em coisas idiotas. Como geladeira para carros e um porta-coca-cola pet que eu nunca tinha nem visto (e que meu irmão caçula, que é mais pobre, está dando). Eu comprei duas temporadas de 3o Rock pra ele também. Eu estou muito comovida por ele. Porque ele ama tanto a moça com quem se casou. Amor mexe muito comigo que eu quase fico triste. E é isso. Estou quase down de tão comovida com isso. Dele querer até dançar Moon River etc.

 

*Minha irmã caçula, sei lá porquê, é um modelo de sofisticação pra gente. Tudo perguntamos pra ela. Posso passar cintilante?, eu pergunto. Posso repicar meu cabelo atrás?, e eu ligo pra ela do salão. Meu irmão mais velho segue o mesmo rumo. E eles tem tido verdadeiras conferências via MSN a respeito da cerimômia. Anteontem ela foi no meu quarto. Ele quer dançar Moon River com a noiva na cerimônia. Eu racho de rir. Não sou suficientemente ritualizada pra coisa. Eu acho cafona, palpitei. Mas é romântico, ela argumentou. Vai ser *o* mico, eu previni. Ah, deixa ele, ela decidiu.

**É. Eu terminei de ver minha roupa hoje. Imagina como minha mãe estava tensa.

***Sem formol.

 



Escrito por Mary W. às 20h57
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Durante muito tempo as salas de aula do Brasil foram divididas pela performance dos alunos. Assim que tínhamos a 7aB e a 7aD etc. No meu tempo de colégio era assim. E eu estudei em escola pública e uma das salas sempre era uó. Os alunos tinham pecha de delinquentes mesmo. Na minha cidade não tinha escola particular e mesmo naquela época eu achava que a divisão era por classe social. Sendo que um ou outro aluno pobre que se destacasse, era "promovido". O principal aspecto da inclusão é esse. Não se refere apenas ao aluno deficiente. A ideia geral é que um ambiente heterogêneo se tornaria um ambiente mais estimulante para a aprendizagem. Só um completo idiota seria a favor da volta da 7aB. Acho que todo mundo percebe que agrupar alunos por desempenho estigmatiza e transforma o fluido em definitivo. Eu falo isso porque há um problema no meu trabalho. Que a gente perde quase todo o tempo do mundo com alunos "problema". São minoria e consomem quase toda a nossa energia. Existe até uma fala entre os coordenadores pedagógicos da minha faculdade. Eles dizem que "aluno bom é aquele que você não conhece". Em sala de aula não é assim. E a gente sabe quem são os ótimos e os ruins. Os médios se perdem. Eu falo sempre isso com meus chefes. Que eu acho que tem que haver uma estratégia pra lidar com isso. O aluno jamais estaria a par de tal estratégia, mas ela deve existir. Eu chamo de aluno "problema" porque ele não apenas tem um desempenho fraco. Ele tem problema mesmo. São meninas que engravidam e voltam no meio do semestre sem qualquer condição e aí precisam de acompanhamento (que na verdade é apenas ajuda e empurrão). São meninos que começam um curso, não gostam e transferem mais de uma vez. Aí a gente não vence administrar aquele mundo de adaptação. E outros casos assim. Veja que não deveriam ser casos problemas. Mas SEMPRE são. Porque são decisões individuais (ter filho, trocar de curso) que não são encaradas como problemas pessoais. Como os alunos estão muito infantilizados, eles acabam querendo que a gente resolva as questões que ficam pendentes. E tomam muito tempo. Eu lido também, hoje, com um aluno que não sabe segurar um mouse. São pouquíssimos. Mas tomam quase todo meu tempo. Sempre que um aluno chega reclamando eu sento o cara na frente do PC. E o resultado é vixê. De qualquer maneira, esse aluno, vai precisar se empenhar. Se a faculdade vai dar curso de computação, se ele vai pagar para, se vai aprender com a vizinha. Ele vai ter que dedicar um tempo. E ele reluta em fazer isso. E quando vai chegando o prazo de entrega das atividades, eles lotam a minha sala. E querem que eu faça com eles, ao lado deles. Coisas assim. Que se tornam insuportáveis. Porque o aluno virou cliente. E porque a concorrência entre as faculdades é imensa. Onde eu trabalho foi criado um negócio chamado Curso de Nivelamento. E o aluno tem aula de tudo, como se estivesse no colegial. Biologia, Matemática, Português, Física, Química. Não há aula de História e eu peço muito. Pelo menos um módulo ensinando o que é Revolução Industrial. Que é a primeira aula que eu sou obrigada a dar em qualquer disciplina. Porque eles não sabem e não é possível conversar de ciências sociais sem isso. Mas enfim. Tem dado super certo o nivelamento. E eu gosto porque é uma estratégia específica para lidar com o aluno ruim. As universidades públicas não tem tantos alunos ruins, mas tem também alunos "problema". E o sistema de créditos resolve bastante isso. O sistema de grade emperra demais etc. Porque o aluno passa a ter problema na grade inteira etc. Acho que é óbvio. O aluno "problema" das públicas fica vagando lá. Por anos. Mudando de curso, graduando-se em 7 anos. O aluno das particulares fica carregado e transforma o professor num picareta. Eu tenho alunos que carregam 17 disciplinas num período. Entre DPs e adaptações. Ninguém no mundo acha viável isso. Todos sabem que não é possível dar conta. Mas existe. Por puro tecnicismo etc. Há uma possibilidade no estatuto e essa possibilidade um dia se materializa, né? Outro problema é aluno que tranca o curso e volta milênios depois. E a grade tá toda alterada etc. Um desses alunos alega ter assistido dois filmes no Cineclube, em 2005. E quer o certificado. Eu tinha um sistema de emitir certificado quando o curso acabava. Assinava ali, na hora, com os alunos na sala. E agora fico atrás de arquivos velhos e listas de presença do tempo do onça. Chega um caso desse tipo pra mim quase todo dia. E pros outros professores também. Claro que eu sei que é problema meu. E eu acho que eu tenho que achar a bendita lista de presença. E adaptar a grávida e o aluno que muda de curso todo semestre. Também tenho que ensinar Revolução Industrial pra quem não sabe o que é. Não é esse o caso. O caso é que eu praticamente só faço isso na vida. A revisão do exame era paga na faculdade. Esse semestre deixou de ser. Porque o aluno tem o direito de ver uma prova tão importante quanto o exame final. Daí todos os alunos reprovados pediram revisão de exame. E assim vai. Tudo pra entrar no tema em si desse post. Que não é sobre isso que eu falei. É sobre o resultado do MEC. Do ranking das faculdades. Que foram divididas em G1, G2, G3, G4 re G5. A faculdade que eu dou aula é uma faculdade G3. E eu entendo a chiadeira. Porque nós somos G4 em estrutura e corpo docente. Caímos pra G3 porque nossos alunos são muito fracos. Chegam pra gente muito fracos. É outro aluno. Não é o mesmo aluno das G5. Em alguns cursos somos G5 em todos os quesitos, menos desempenho dos alunos. Principalmente nos cursos mais técnicos, né? Enfermagem, Farmácia. A gente tem nível de excelência nesses cursos. O aluno acaba se saindo melhor. E isso é tão problemático também. Porque os cursos de humanas demandam um preparo do aluno que os cursos de saúde não demandam. E fica a impressão de que a área de saúde é que é séria e tal. Inclusive o MEC acha isso. E aplaude iniciativas bobas desses cursos. E TCCs tacanhas. Os alunos da Fisioterapia lidaram com um problema. Foram fazer fisioterapia em pacientes com hanseníase e notaram que eles estavam subnutridos. Daí os alunos de saúde se juntaram e fizeram campanha de arrecadação de alimento. E todo mundo achou o máximo. E eu também achei, que fique claro. Porque sempre parece que a gente é favor de pessoas com câncer de pulmão, passando fome e abortando sem parar. E eu não sou a favor dessas coisas. Mas, né? Não é uma atividade acadêmica isso. E não é também aquilo que o MEC fala. De aproximar a universidade da comunidade. Não é isso. É apenas um ato de solidariedade. E que bom que tenha sido feito. E eu doei montes de alimento. Mas o MEC acha que é algo. Mesma coisa com os alunos da licenciatura. Que o MEC acha que tem muita teoria e pouco prática. E querem que eles "adotem" salas de ensino médio e fundamental. Ai, francamente. Eles nem sabem nada direito. Adotar o quê? Vai aprender biologia, o professor de biologia. Mas isso é voto vencido meu. Que a tendência é mesmo considerar que toda informação está disponível para o professor. E que ele precisaria mesmo ser craque nas técnicas de ensinar etc. Fugi do assunto de novo. O G3. Então. É errado isso de G3. Porque ficou uma categoria imensa. Com centenas de faculdades. E elas não estão todas no mesmo nível. Quando é criada uma categoria dessas, a gente não consegue enxergar as coisas. Tipo. Qual é o problema da minha faculdade? Eu digo que é o aluno. Mas, né? Não vale nada isso. É puro achismo meu. Vira tudo uma coisa só. E quem trabalha com educação sabe. O nosso trabalho é um trabalho de exceção. A gente vive de exceções. As normas gerais nunca cabem em lugar nenhum. E o governo estadual e federal vivem disso aí. De criar modelos que são impraticáveis. Ou que só seriam praticáveis se vivessemos de aluno médio. E eles são a maioria. Mas são engolfados e somem. Aí quando saem os resultados de qualquer coisa, a gente fica sabendo o que já sabia. Que a maioria das faculdades é meia-boca. Uma parte significativa é horrorosa. E que as excelentes são as públicas. Um diagnóstico aí que todo mundo já tinha. O caso que eu quero dizer é assim. É preciso dividir todas as escolas em camadas. Sem contar com o aluno. O aluno deveria entrar depois na análise. Porque fica uma coisa assim. Todo mundo é a favor da inclusão. Mas ela "sobrou" pras particulares. As públicas fazem sua seleção. A gente não faz seleção. As públicas tem critérios. A gente inclui. E assim por diante. E eu não acho que a pública tá errada. Pelo contrário, acho que tem que se manter ali, como centro de excelência. Nem é esse meu ponto. Meu ponto é que essas avaliações são a respeito do G3. O G5 e G4 estão salvos. G1 e G2 dependem de mil coisas (principalmente região). Estamos falando das faculdades que estão aí, desafogando o sistema etc. O que fazer com ela. A repercussão midiática é muito em cima das públicas que não foram tão bem. E não é o caso, na minha opinião. O caso é como lidar com essas G3 que estão atoladas em mil coisas e estão fazendo a inclusão e não tá dando tão certo.

Engraçado o negócio das cotas. Que é um lampejo de inclusão das públicas. E eu vejo um argumento. Dizendo que depois os alunos não conseguem acompanhar o curso. Veja o que eu estou falando. Todo mundo acha muito natural mandar esse aluno pra mim. Na hora de incluir, ninguém quer. Porque é difícil mesmo. E ninguém sabe ainda como fazer direito. Estamos construindo isso. Na base da tentativa e erro. Está num momento empírico do negócio. Qualquer teoria ainda é balela.

 



Escrito por Mary W. às 14h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 

online

E-mail

segundosexo@uol.com.br

Sexies

03h45
A Lot of Coisas]
Alta Fidelidade
Aquariana Insatisfeita
Assumidamente
Biscoito e Chá
A desjanelada
A fleur da pele
Beths
Carla Rodrigues
Clarices
Cria-minha
Cynthia Semiramis
Descontrol
Des-edificante
Devaneios S/A
Drops da Fal
Emails de NY
Escarlates
Eu sou submersível
Fazendo Gênero
Feito a mão
Ginger
Girl Jolie
Gulinia
Hello Lolla
I Don't Mind a Rainy Day
Leveza do Ser
Mamíferas
Marta Bellini
Mosca na Sopa
Mothern
Nalu
New Wolrd News
Nunca disse
Os Livros da Minha Estante
Parte Tua
Pausa para o Cigarro
Quiteria
Recordar Repetir Reelaborar
Rosa e Radical
Samambaia Psicótica
Tata Pessoa
Tathy Vianna
Technicolor Kitchen
Terra da Garota
Umas e Outras
Verbo e devaneio
Woman of Affairs
Yalla

Gostosas

[sugarfight!]
Amigo Etheobaldo
Annix
Ashenlady
A Vida é Filme
Até aqui tudo bem
Berenguendem
Acontece Dentro
Bia Badaud
Blowg
Bocozices
Branca por cruza
Caderninho
Depois da Queda
Die Lena
Duas Fridas
Ébom pra quem gosta
Escape
Escreva, Lola, Escreva
Gatos e Fatos
Gerebinha
Inquietudine
Losille
Menina Didentro
Maryann is a Bitch
Nada Profissional
Non Winner
Perolada
Pergunte ao Pixel
Ornitorrinco
Parla, Marieta
Pérolas da Rainha
Quelque Chose
Quitanda
Remi Malcoeur
Recrist
Reverberações
Steffania
Tanto Clichê
Te Dou um Dado
Terapia Zero
Uh baby
Vivo Andando

Sexies

Contudo
Despereaux Tales
Dias Comuns
Mamocos
Nerd-o-rama
Rafa Mendonça
Saggio
Sobretudo de Lona
Velho do Farol
Voltas no Porto
W.Rabelo

Gostosos

A Ilha Ileris
Abunda Canalha
Farinhada
Lixomania
Malcher
Mexerica
O Biscoito Fino
Xtrobo

Histórico