Olive Tree quem tem?


Uma coisa que deve ser dita. Ninguém respeita os profissionais da área de humanas que não sejam advogados. Há uma luta pela legitimação dessas carreiras. E nenhuma dessas profissões conseguiu se firmar. O professor tinha um lance de "vocação". Que é complicado, qualquer idiota sabe. Quando caiu a "vocação", caiu a profissão também. É o vamos acabar com a palhaçada mesmo. Mesmo os departamentos de pesquisa das humanas. São bastante questionados. São vistos como inúteis. Tem muita gente querendo jogar pá de cal, faz tempo. Já vi alunos da Economia, que trabalham na FIPE dizendo. A gente fatura pra USP poder bancar as pesquisas de história antiga da FFLCH. Uma sensação mesmo que eu tenho que as pesquisas das ciências humanas são mais consideradas quando se aproximam do Direito e da Economia. Lembro da história do professor de teoria econômica da ESALQ. E eu chorava de rir quando via os meninos que faziam agronomia contando. O irmão de uma amiga minha da graduação estudava lá. Então existia essa ponte aérea São Carlos-Piracicaba. O professor entrava na sala e dizia. Isso é uma aula de teoria econômica. Para que serve? Para nada, é apenas teoria. Onde você vai aplicar? Não vai, é apenas teoria. E falava e falava, no tom mais mal humorado do mundo. E, claro, os alunos no meio do curso levantavam a mão e perguntavam. Professor, pra que serve isso que o senhor está explicando? E ele jogava o giz no chão. PARA NADA. Essa é uma das histórias recorrentes da minha vida, sabe? E eu experimento um prazer quando alguém me pergunta. Pra que serve Sociologia? PARA NADA. E adoro dizer isso. Mas eu devia acrescentar, né? Serve pra você entender essa resposta. Blá. Não esperava mesmo o tratamento que as ciências humanas vem recebendo do governo Lula.



Escrito por Mary W. às 20h36
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Eu não sei o quanto de aula as pessoas mataram na vida. Mas foram muitas. Tantas que. O MEC vem agora. Com isso de trocentas mil vagas para formar professor. O problema da carreira de professor é tão sério. E o MEC faz isso. De abrir licenciatura à distância. Sempre na base dos trocentos mil. E o Dimenstein bateu na tecla de oh, mas por que um engenheiro não pode ensinar Matemática?. E a verdade fica parecendo coorporativista e por isso não é dita. Porque a carreira é muito ruim. O salário é muito ruim. A jornada de trabalho é de 60 horas. Então não atrai ninguém. Só tonta. Que brigou com o pai porque queria ser socióloga. E ele me dizia. Minha filha, não tem emprego pra isso, você vai acabar professora. Mas, né? Eu poderia ser a advogada das grandes causas. Ou a economista das grandes previsões. Mas fui ser socióloga e virar professora. E começa o questionamento contemporâneo. À respeito das profissões discursivas todas. As profissões normativas não. Estão protegidas. E eu me lembro das minhas tias véias. Que só consideram curso superior se for Engenharia, Direito ou Medicina. Só existe uma profissão regulamentada para cada aptidão. O resto todo é perfumaria mesmo. E a luta. Do Conselho de Enfermagem. Tentando provar que existe essa profissão. Os losers jornalistas, hoje famosos, tentando provar que existe uma profissão. Mas voltamos aos tempos das tias velhas. Só podem restar três. Mundo globalizado, trabalho flexibilizado. Recomendo SEMPRE Richard Sennett. Para que a discussão saia do resmungo. Trabalho flexibilizado, caráter flexibilizado. Whatever. Existe uma possibilidade, porém. Na carreira de professor. Que é fazer mestrado e dar aula nos cursos de graduação em licenciatura. Geralmente os professores das faculdades são também professores da rede. Mas aí ganham um bom salário. O que o MEC e o estado de São Paulo querem fazer? Querem acabar com a carreira acadêmica para os professores de licenciatura. Veja bem. Uma vez instalado o processo de formação virtual, deixa de existir o professor para licenciatura. Através desse negócio de tutor. Deixando de existir o professor de licenciatura, deixa de existir carreira acadêmica para esse pessoal. Veja se isso só é meio grave. Há uma separação instituída entre teoria e prática. E como, me diga, como? Você vai atrair pessoas inteligentes para uma carreira que aliena o profissional do saber? Mas claro. Eu não posso falar nada disso. Porque é coorporativismo.

48% dos cursos à distância. Mel Dels.

Meus amigos que são esquerdinhas. E batem palminha pro governo Lula até pelados. Eles falam. Você tem que prestar concurso numa Federal. Isso que eles falam. Veja que horror. Aplaudem um modelo e me mandam pro outro. Tipo, a gente concorda com o Haddad. Mas foge, nega.



Escrito por Mary W. às 20h21
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Durante toda a minha infância eu não tinha nenhuma dúvida de que ela era a mulher mais bonita do mundo. Embora tenha se tornado cafona, eu considero o cabelo repicado dela algo. Extraordinário. Nunca eu deixei de parar em frente à TV se ela lá estivesse. Nunca eu deixei de clicar num link com notícia sobre ela. Ela nunca deixou se ser *a* pantera pra mim. Fiquei sabendo do modo como sempre fico. Minha mãe me avisa e eu vou pra TV. Michael Jackson eu fiquei sabendo pelo Twitter. Eu não li muito sobre as duas mortes porque quase não fiquei on line hoje. Mas são dois ícones mesmo, da tal cultura pop americana. É sempre difícil falar do Michael Jackson. Porque tornou-se mais importante a relação que as pessoas tem com ele. O tanto de significado que colocaram. Enfim. Dizem que a música ficou esquecida em meio aos escândalos. Eu digo que não é isso. Eu acho que ele ficou esquecido no meio do tanto de opiniões que temos a respeito dele. Símbolo máximo de tudo isso, que sabemos estar errado. Do tal culto à celebridade. Vi as piadas no twitter. A gente percebe que há uma espécia de inveja, de despeito. Ninguém se conforma com o tanto. De disco, de exposição, de sucesso. Não é proporcional, nem justo. A lógica é mesmo ser desproporcional. E ele é o símbolo máximo de tudo. Ele nos mostra o tamanho do preço. E fica até um pouco moralista o nosso olhar. Porque a gente vê esses pilares. Da futilidade, do excesso. E vê Michael Jackson se equilibrando neles. E vê Michael Jackson adoecendo. E pensa "hum, deve ter alguma coisa aí". A gente faz a relação. Eu faço pelo menos. Tento evitar. Mas quando vejo tô ali na santíssima trindade, relacionando as coisas. Reduzindo as coisas. Britney, Amy e Michael. E outros, você vai dizer. E outros, eu vou concordar. Mas não deixa de ser moralismo da nossa parte, pensar assim.

De novo o mesmo "apelo". Que eu vejo como uma cruzada mesmo. Nem é caso de unfollow. Um único motivo me faz dar unfollow no twitter. E você sabe qual é. Mas, né? Tanto pode ser dito sobre Michael Jackson. Eu sou obcecada pelas coisas e pelo que elas representam. Então falo disso. Eu tenho uma pá de amigos obcecados por música. Eu não sou, você sabe. Mas muitos são. Então falem sobre isso. Pra que fazer piada? Ele morreu. Não foi fácil pra ele estar na Terra. Mas ele esteve. E tocou a vida de todas as pessoas contemporâneas a ele. É piada isso?



Escrito por Mary W. às 22h01
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Assim. Eu meio que gosto disso de não pensar por curso. Pensar por aluno. Uma das consultoras mais legais é que falou sobre isso. Uma historiadora, bem inteligente mesmo. Só que acaba não dando pra fazer. Porque veja que tem que mudar tudo. Tipo o setor de informática da faculdade me manda lista de aluno por curso. E eu adoto porque fica fácil, na hora de passar a nota e tal. Além disso, a gente nota resistência/dificuldade por curso também. Acho que contamina mesmo. O pior curso que nós temos é Fisioterapia. Você não acredita o tanto que eles resistem. A turma que está no segundo ano já teve 6 matérias online e mesmo assim continuam dando problema. Não fazem as atividades. Boicote de sala inteira. É complicado. Já as Engenharias, veja você, adoram. Vão super bem. O curso que mais se rebela é História. Fisio não gosta, mas não sai às ruas. História vive saindo. E fazendo manifestação contra, na faculdade. A sorte sou eu mesmo. Modéstia à parte. Porque eles me adoram. Então eles se manifestam, eu chego. Eu dou outras coisas pra eles. Palestra, minicurso, cineclube. Daí eles me conhecem. História rebelada, Mary W. escalada. E la nave va. O caso é que tem dois portais. Um da faculdade e outro das disciplinas online. O portal da faculdade funciona por curso. O da EaD funciona por aluno. Viu que complicado? Eu tô com idéia de montar turma de EaD. Tipo cada turma com uns 120 alunos aleatórios. Pra misturar, que é a idéia, acho. Porque senão não dou conta de gerenciar. Eu preciso ter um agrupamento, pra gerenciar. A moça da consultoria diz que minha cabeça que é dura e tal. Mas veja. No portal das disciplinas online tem duzentas ferramentas. Tem blog, tem vídeo conferência, tem sala de bate papo, tem wiki. Tem comunicador instantâneo. Como eu posso propor uma atividade de wiki sem ter turma? O legal é eu dizer "vamos construir o conceito de cultura". E os alunos vão pro wiki. Se 1500 vão, perde a interação, saca? Se um grupo menor vai, eles sabem. Quem escreveu o que, quem foi corrigido. Isso que eu acho. Minha chefe fez o mestrado na UNICAMP. Em EaD. A orientadora dela é uma das maiores autoridades nacionais no assunto. Já veio aqui dar assistência também. Elas acham que os portais acadêmicos tem que virar rede de relacionamento. Tipo Orkut mesmo. Ela trabalha nisso, minha chefe. Pra que o aluno tenha um lugar mais amplo dentro do portal. Eu acho legal. Mas eu acho também que se for fazer tudo dentro do portal, é desperdício de internet. Sei lá. É uma bola que não tá no chão pra mim ainda.

Mas obviamente que aconteceu direto. Os alunos me procurando pra saber. Como eu sei se alguém postou uma mensagem no fórum? Porque milhares de mensagem, né? Ficavam perdidos. Mas claramente queriam achar as mensagens dos amigos, paqueras, desafetos. Enfim. De quem importa. Interação, né? Que é o verdadeiro pilar dessa revolução. O resto é o resto.

Não. Eu não faço blog interno, pros alunos, no portal. Me corta o coração, não fazer. Mas não deu tempo. Esse semestre foi uó. Eu nunca imaginei que era possível trabalhar tanto. Foi um divisor de águas na minha vida.



Escrito por Mary W. às 19h40
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Tá lá no Tendências e Debates da Folha. Pró e contra EaD. Dois professores da USP e blá. Eu acho que é uma tendência e é irreversível. Vamos fazer uma reunião semana que vem. Minha chefe acha que não está funcionando, o nosso modelo. Porque tá presencial demais. Veja que eu não faço parte de um curso EaD. Eu dou uma disciplina dentro de um curso "normal". Presencial. O problema é que meu aluno não se adapta e procura muito. A leitura de gabarito, por exemplo. Que funciona em qualquer lugar do mundo. Vestibulares e concursos. Pra mim não funciona. Quando a máquina lê o gabarito, ela anula a resposta mal preenchida ou borrada. O meu aluno já sabe disso. Então ele pede pra verificar o gabarito. E eu que faço isso, artesanalmente. Tem uma crise de confiança mesmo, em relação à máquina. Não preciso dizer que eu passo semanas apenas recebendo aluno e conferindo gabarito. Por que não reclamam da FUVEST? Óbvio, né? Porque a impessoalidade impera. FUVEST não é ninguém. Minha chefe vai terceirizar totalmente a correção das provas, acho. É a única forma. Senão a gente não faz outra coisa. Eu tenho que gravar os vídeos da aula essa semana. E nem comecei a mexer no conteúdo ainda. Outra coisa que criticam é isso de professor conteudista e professor tutor. Que NÃO são a mesma pessoa. Na minha faculdade é. E acho bom. Por causa de salário mesmo. Covenhamos que ainda demora pro Brasil valorizar o conteudista etc. Uma prima minha também tá dando aula à distância. Numa das maiores faculdades de Ribeirão Preto. Lá também adotaram conteudista e tutor na mesma pessoa. A diferença crucial entre o meu modelo e o dela é quanto ao pagamento do conteúdo. Aqui faz parte das minhas funções e eu recebo no salário. Tantas horas pra atender aluno e montar conteúdo. Lá ela recebe por fora. Eles compram o conteúdo dela no começo de cada semestre. Mesmo que seja o mesmo. E então o salário é só pra tutoria. Também é isso. Uma matéria dentro do curso, não o curso inteiro. E ela tem pouco aluno, porque dá matéria específica. Eu dou uma matéria básica, daí esse mundo de gente. Ela super monitora as salas dela etc. Fórum de discussão funciona e blá. Os meus fóruns não funcionam. Imagina. Debater com 1500 pessoas. Não dá. Eu já abri fórum por curso. Um fórum só pra Pedagogia, outro só pra Enfermagem etc. Daí tenho que gerenciar 27 fóruns. É meio complicado, mas dá. Porque fóruns são meio que auto-geridos, eu acho. Só que o pessoal que dá consultoria não quer. Eles querem que os cursos não existam no espaço virtual. Abandone a noção de curso e concentre-se na noção de aluno, eles dizem. Outra coisa que eu nã consegui me adaptar, ainda, é com correção de prova dissertativa por amostragem. Que é sugestão dos especialistas também. Aí demoro um mês pra corrigir, né? Porque leio tudo. Ou acabo fazendo só múltipla escolha mesmo. Veja que são dois modelos. Um curso regular com uma matéria online (minha prima). Outro com uma matéria geral para todos os cursos (eu). Perceba que a massificação está mais do meu lado. Mas perceba que minha prima não se sustenta com isso. Ela ganha 4 horas semanais de tutoria. Que seria o mesmo se desse aula na classe. Eu não entendi ainda o que a faculdade dela ganha com isso. Se é só espaço na grade. Porque aí tem isso. Você coloca aula nas 5 noites da semana. E dá duas matérias online. Que não caberiam na grade, mas acabam cabendo. E o aluno se forma mais rápido. Um curso de 4 anos, cai pra 3 anos etc. Só que não é difícil imaginar que, daqui a pouco, os professores vão estar lotados de aula online. Porque eu conheço vários que tem 60 horas semanais. Não é nada incomum. E online? Que não tem limite. Imagina a loucura. Presencial tem o limite das 60 horas. O cara que dá aula comigo (tem um cara e uma mulher, além de mim). Então. Ele tem 70 horas semanais. É uma loucura. Claro que na USP essas questões não se colocam. Fica mais mesmo a discussão a respeito do que é fazer Universidade. Do que significa essa instituição. E estar dentro dela. Blá. Eu acho super pertinente essa discussão. Pelo menos pra mim. Fazer universidade é uma experiência que transcende a matéria dada. Em sala de aula ou via internet.

Na verdade eu dou duas disciplinas por semestre. Então seriam 54 fóruns. Olha. é muito complicado de arredondar um esquema desses. Mas estamos aí. Fazendo, refazendo. Tentando coisas, desistindo de coisas. Etc.



Escrito por Mary W. às 18h53
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Ontem eu bebi que nem um gambá. E hoje é aniversário de 85 anos da minha avó. Assim. Não apenas ela faz 85 anos. Vai ter uma mega festa. Aqui em casa. Estou suando frio na arrumação. Não sei porque eu ainda faço isso. Trinta e seis anos e ainda cometo erros básicos de estratégia.

O Birner explica com mais detalhes a queda do Muricy. Olha. Eu entendo. Mas é porque ele devia estar notando. Que a questão não era treino. A questão é outra mesmo. Não acho que é motivo. E ai. Eu adoro Ricardo Gomes.



Escrito por Mary W. às 16h15
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Na boa. Se eu fosse o Rogério, nem voltava.

 

QUE ÓDIO.



Escrito por Mary W. às 03h44
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Sabe. Não é pouca coisa. São três títulos brasileiros seguidos. Eu discordo do Juca Kfhouri. Libertadores é tudo. Libertadores ou nada. É minha opinião futebolística. Você tem que ter estado lá. No Monumental de Nuñes. Pra saber. Mas eu acho que nos leva pra vala comum. Vamos ser iguais aos outros. Tristes outros. Que demitem técnicos porque perdem uma partida. Que trocam elenco como quem troca de celular. Eu já sabia. Que a partida de ontem era o tsunami. Que as coisas ficariam sombrias no Morumbi. Com o fantasma dessa Copa do Mundo. Que quer mudar o nosso estádio. Que não é um estádio. É parte da nossa identidade. Pensei que não fariam isso. Que não demitiriam de chofre. Acabando com a estabilidade. Que é parte de quem nós somos. Nós. Que acreditamos em processo. E em construções. E desconstruções. Nós somos a torcida estruturalista. Nós vemos o mesmo time que brilhou ano passado, naufragar esse ano. A torcida caleidoscópio. Sabemos que as mesmas partes nem sempre formam o mesmo todo. Eu fiquei apreensiva ontem. Quando li que torcedores picharam os muros do estádio. Como assim? Nós não somos corintianos. Nós não somos palmeirenses. Nós não pichamos o nosso estádio. E pichar o quê? E para quem? Nós conhecemos a crítica pós-moderna. Não há um culpado. Ninguém falou em nome. Nós somos a vanguarda. Nós não somos como eles. Nós não apontamos dedo. Nós não demitimos técnico. Ficar tão próxima deles, me incomoda. Eles é tudo que eu não quero ser. Então.

VAI TOMAR NO CU, JUVENAL JUVÊNCIO.

 



Escrito por Mary W. às 03h31
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"Quando você perde uma pessoa da família ou perde um jogo desse... Não tem jeito. Só o tempo"
(Muricy Ramalho)

Eu sei que o time não tá jogando bem. Eu sei que o meio-de-campo no habla español. Eu vejo o ataque bater cabeça. Mas mesmo assim. Entrei no parafuso já. Assisti o replay o dia inteiro. E gostei da seguinte reflexão:

RT @3color:  O Tricolor tá que nem a Ferrari. Corre atrás do Campeonato 2009 ou já começa a montar o carro para 2010?

Eu penso assim. Que adianta uma Ferrari em 2010 se a gente não estiver na Libertadores? Ferrari pra ganhar Paulistinha? Acho complicado demais. 



Escrito por Mary W. às 19h08
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É claro que não sai da minha cabeça. É óbvio que eu não penso em outra coisa. Rolei na cama tentando decidir. Vim pra faculdade tentando decidir. Li as declarações todas tentando decidir. E eu decidi. Não. Eu não quero que o Muricy saia do São Paulo. Não quero. Eu falo mal dele mas é tudo mentira. Não aguento vê-lo treinando outro time. Então. É uma medida preventiva. Caso o "fora" ganhe as ruas. Aqui o movimento é "fica".



Escrito por Mary W. às 16h09
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Hey, Hetero

A Cam falou. O que você achou da reportagem da Época?. Eu fiquei pensando se ela estava perguntando o que eu acho de duas mulheres serem mães da mesma criança. Ou o que eu achei da forma como Época tratou o negócio. E eu achei legal. A forma como a Época tratou. A gente que é isso e que além de tudo mexe com isso, vê sempre problema, né? Escorregão mesmo. Mas é chatice de quem é da área. As duas poderem registrar a criança eu acho tão básico. Eu já falei aqui uma vez. Que eu demoro demais pra sacar que as leis sobre isso são pra mim. Tipo que eu não posso casar e ter filho. Eu demoro mesmo. Porque eu vivo com planos de me casar. Se um dia acontecer, queria ver minha cara de "" quando não deixarem. Fico muito concentrada em arranjar a noiva e esqueço que antes preciso mudar o mundo etc. Não sei o que é mais difícil. Arrumar uma noiva ou acabar com um preconceito. Talvez eu devesse quebrar átomos por aí. Daí que eu não posso ler essas reportagens. E na internet tem os comentários. E eu fico irritada com os comentários que aparecem. Fico de verdade. Principalmente os comentários "ponderados". Que dizem olha, cada um faz o que quer, mas o que será dessa criança quando ela entrar na escola?. Uma coisa assim. Metida a ser reflexiva. A Maria Berenice, a advogada que mais atua nisso aí, de garantir os nossos direitos. Ela fala cada coisa legal. E eu queria falar dela aqui, há uns dias. Que foi quando o projeto da homofobia foi rejeitado no Senado. E uns senadores queriam fazer a alteração lá. Pra permitir que as igrejas continuem dizendo que nós somos pecadores e que o inferno é o nosso lugar. Ela disse que não era pra alterar porcaria nenhuma. Que as concessões encobrem o preconceito e que fica a impressão de que há tolerância, quando não há. É necessário que conheçamos mesmo a posição dos senadores. Posicione-se, Senado Federal. Uma coisa assim. E eu acho legal. Porque fica mesmo a impressão, sabe? Que há tolerância. Porque a gente tem muita visibilidade atualmente. E os valores individualistas respingam em nós. Então todos dizem cada um faz da sua vida o que bem entende. E é por isso que nós podemos ser gays. Porque a vida é nossa. E é óbvio isso, mas incomoda. Mas fica uma coisa complicada. Eu não sei resolver. Porque meio que encapsula a homossexualidade nisso aí de "cada um com sua vida". E fica latente o "desde que não me incomode". E "desde que não envolva a vida de um inocente". Whatever. Tudo tem me incomodado, como é fácil notar. Diante desses resmungos todos. Mas eu só vejo véu sobre véu. E minha psicóloga falava é uma cebola, mary. Você vai tirando as camadas. Infinita cebola, eu digo. Então eu não escrevi sobre a reportagem da Época porque eu não sei o que achar. Lendo assim, achei legal. Mas, né? Se fosse tão fácil, eu já tinha casado. Queria saber o que você achou.

Esse médico é legal também. Esse que fez. *O* cara.

Eu tenho muito problema com esses assuntos. Me ofende e me deixa no chão mesmo. Principalmente esse negócio de criança, de acharem que a gente é tarada e que melhor criança nem ficar perto. Que uma "casa gay" não é ambiente saudável. Ai. Nossa, fico mal mesmo. Por isso que não dou conta de debater direito. E pensar direito e tals.



Escrito por Mary W. às 16h17
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Quase que visceralmente eu sou contra a exigência de diploma para grande parte das profissões. Pra mim é bastante claro que diploma é o instrumento máximo dessa cultura do certificado e que foi inventado pela classe média. Logo que ela percebeu que não subiria na pirâmidade, tratou de arrumar mecanismos pra não despencar. E etc. Mas. Porém. Entretanto. A tal da democratização do ensino superior está em marcha. Tem INÚMEROS problemas e duvido que eu não tenha tocado em quase todos por aqui. Mas está em marcha. E os governos Lula e FHC foram agressivos nesse sentido. De colocar a tal democratização em marcha. E agora a classe média percebe que o seu mais importante certificado está chegando às mãos dos pobres. E dá as tais piruetas. Exigência de inglês, curso de extensão, ter  morado em outro país. Cada vez mais acessórios contam no currículo. Acessórios inacessíveis às classes populares. Então me incomoda DEMAIS que diplomas deixem de ser obrigatório no momento em que as classes populares tem acesso a eles. Através de aumento de vaga e de política de cotas etc. Daí que o cara nasceu pobre e rala e estuda. E quando pensa que está legitimado a concorrer com os filhos da classe média, vem a paulada. Não é mais diploma que conta, querido. Sei lá. Não gosto. Me incomoda. Talvez porque eu trabalhe com alunos que fazem sacrifícios imensos pra cursar a faculdade. Talvez porque eu esteja vendo tudo isso, desde a própria democratização, como política populista pra iludir a população. Existe uma pirâmide. O acesso à classe média é complicado. Há uma barreira. E eu só consigo escutar uma coisa. Não passarão.

Entendeu? Essa coisa de mudar regra quando outros atores aprendem o jogo. Não precisa mais de diploma. Precisa de quê, então? É muito, muito complicado isso. Como bem diz o professor de filosofia. Flexibilização é bom pra quem tá por cima. Quem tá por baixo só se fode.



Escrito por Mary W. às 13h52
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E já que eu vim aqui no blog pra resmungar. Vou guardar essa foto. Que o marcus me mostrou e eu até já twittei. Porque eu achei tão bonita. Os dois vivendo um dia mágico, sem nem se importarem com o resultado da eleição. Dá pra gente ver o quanto eles estão protegidos de Mousavi e Ahmadinejad. Muito preocupados com outra coisa. O jeito que ela segura o balão. Parece que que segura forte, mas as mãos estão contraídas por outros motivos. Não é pra prender o balão. E os braços cruzados dele. E o sorriso de ambos. Como se o corpo não desse conta de relaxar diante de um encontro tão legal. Eu adorei mesmo. E a gente quase sente o quebra-quebra ao redor deles, sem atingi-los. Enfim. A linha tênue que separa alienação de transcendência. O amor é importante, porra. Adorei mesmo. E recomendo a foto grande. Que não cabe no blog. Porque nessa que eu postei não dá pra ver tudo. E tem muita coisa pra ver na foto.



Escrito por Mary W. às 02h39
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Eu dou uma aula de Sociologia Clássica e aí pedi na prova mais-valia. E Marx é daquele jeito. Pode ser bem economista. Pode ser bem sociólogo. E eu só fico ali na mais-valia. Aumenta as horas trabalhadas. Ou aumenta a produtividade. Não faço grandes contas nem nada. E na prova começa a aparecer toda uma tecnicidade do conceito. E meio mal ajambrado.E eu fico ué. Onde essas alunas arrumaram isso? Porque é Pedagogia e tal. E aparece uma vez. E duas vezes. E três vezes. Eu com aquela preguiça. Mas na quarta vez, googlei. A frase tal como ela estava aparecendo. Diretamente do Capital? Nops. Diretamente do Yahoo Respostas. Ao contrário da maioria, eu não tenho nada contra o Yahoo Resposta. Embora também não milite a favor. E aí zerei as quatro provas, que estavam idênticas ao site. Daí me liga uma na faculdade. Como assim, professora, não sei quê. Daí eu digo que a gente não pode copiar as coisas do mundo. As idéias são do Marx, as palavras são suas etc. E chiadeira. Aí chego na faculdade. Pra aplicar uma prova de exame nos alunos virtuais. Já expliquei por demais como é EXTENUANTE aplicar provas pros alunos do virtual. Porque eles são muitos. E eles não me conhecem. Então não há qualquer nível de empatia na relação. E há uma estratégia gigante já que 44 salas fazem a prova simultaneamente. Que eu, inclusive, já detalhei aqui, a estratégia. Daí tô lá. E toda essa logística. E claro que os dramas humanos aparecem. Eu preciso muito falar com a senhora etc. A senhora, no caso, sempre sou eu e mais etc ainda. Tipo uma mulher. Que tem um escritório da Avon. E eu nem sabia que existia isso de escritório da Avon. E ela disse que ontem era o dia mais importante da Avon. Porque era o dia de fechamento. E que ela precisava aumentar as vendas em 36% senão o salário (dela) despencaria. E que pra piorar ela tinha ficado menstruada e que tá com problema. É quase hemorragia. Eu tentando enfiar uma prova nela e ela desviando, com essa conversa. E tudo isso. De repente me ligam da Secretaria. Imprevistos não sei onde, e eu me dirijo até lá. E no caminho encontro. Uma das alunas que estuda Sociologia Clássica a partir do Yahoo Resposta. E ela vem pra cima de mim. Estava te procurando. Preciso falar com você. Mas assim. Vindo pra cima. Daí ela deu aquela vaticinada. Minha nota está errada. E eu respondi. Olha. Não está não. E explico o lance da cópia ou sei lá. Plagiando Yahoo Resposta. E ela só cresce pra cima de mim. E diz ok. Isso eu copiei do Yahoo Resposta, mas e o resto da prova? E eu respondo que não há resto da prova porque copiar é antiético e então é zero. E ela começa a dizer que não aceita essa nota. E que não vai fazer meu exame. E eu digo oh, mas então vai tomar pau. E ela fala vamos ver. E eu falo vamos. E aí ela começa a dar uma baixaria. E então Roberto DaMatta se materializa na minha frente. E eu me lembro da distinção do "quem você pensa que é?" e do "você sabe com quem está falando?". Porque eu não acredito muito em baixaria, sabe? Dessas de por dedo na cara e ameaçar. Sempre que alguém faz isso, eu páro tudo e observo. Porque pra mim é óbvio que a pessoa tem costa quente. O cheiro do pistolão. E ela surtada, falando e eu pensando "mas que porra. quem será o tio dessa maluca?". Aí ela faz uma "ameaça". E diz que vai pedir transferência pra faculdade concorrente. Os alunos VIVEM falando isso. Talvez porque sintam esse fiapo de cidadania nas faculdades particulares. Que enquanto consumidores, podem exigir. É muito raro que a gente sinta isso, eu admito. Que pode exigir porque é cidadão ou consumidor. Alunos de faculdade particular sentem o tempo todo. E foi direto na Secretaria. Onde eu deveria estar, por supuesto. Já que recebi um telefonema de lá. E aí vejo ela dando *o* chilique e dizendo que ia largar essa faculdade por causa daquela professora louca. Por simples indução, a professora louca sou eu e blá. Continuei minha orquestração da prova pros alunos à distância. E eu fico mal, né? Depois que essa louca gritou comigo. Ela é meio adulta já. E é bonita. E namora o maestro da cidade. Que faz um trabalho social com crianças carentes. Na verdade, ele montou uma super orquestra foda com crianças carentes. E enfim. Você sabe com quem está falando?. Nascida e criada numa cidade do interior, eu queria saber logo. Com quem estava falando. Porque eu realmente não tenho idéia. Até agora, que tudo já passou. Eu ainda não tenho. Daí chego hoje de manhã no trabalho. E meu chefe entra na minha sala. Querendo falar comigo. Que ele tinha sido procurado etc. E me pergunta o que aconteceu. E eu conto. Durante a discussão, ela tinha me perguntado. Quem é seu superior?. Que ela queria falar com ele. Daí eu respondi. O coordenador do curso. O diretor pedagógico. O diretor administrativo. E o presidente da fundação. São os meus chefes. E ela foi no coordenador. Minha chefe dos cursos online disse que eu bobeei. Que eu não tenho chefe de Sociologia Clássica. Que eu decido a porra toda. L'État c'est moi. Daí minha chefe me contou de um amigo. Que dá aula com ela na faculdade de medicina. Que custa 5 mil por mês. E só rico. Ela disse que é complicado. E que o pai de um aluno entrou na Justiça contra o professor que deu pau no filho dele. E que virou um pampeiro, a vida do professor. E que ele dá uma outra matéria pro garoto. E só diz "não entre na minha aula". E dá 10,0 de média pro cara. E foda-se. E ficamos dando essa crise de autoridade como fato consumado e percebendo essa tal de democratização do ensino como uma exigência externa. Como um fato social, nas palavras de Durkheim. Exterior a mim e eu nada posso contra ele. Fora do processo. E meu coordenador disse "ah, você faz o que quiser". E as outras meninas que tiveram a prova zerada, começaram a me ligar. Com outro tom. Implorando e uma delas chorou. E eu ali. Com 210 provas de DP pra corrigir (dos alunos virtuais, do semestre passado). E aí entrei na intranet e mudei a nota de todo mundo. The End.



Escrito por Mary W. às 02h29
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Pra mim é tudo a mesma coisa. Invasão da USP, proibir cigarro e instituir toque de recolher. Acho tudo igual. Isso de por ordem no recinto e blá. A manchete da uol sobre a petrobras dar calote na argentina, porém, não é dessa turma. Veja que a imprensa ficou justificando um monte quando Evo Morales falou a real da petrobras na américa do sul. Daí que eu vi essa manchete e fiquei pensando. ah, eles querem desmoralizar e tal. talvez por causa do blog. certamente por conta da cpi. que vai acabar parando na argentina, parece. enfim. eu não acho que é esse o caminho, pra incluir a discussao acerca da petrobras na santissima trindade invasao da usp, lei anti-fumo e toque de recolher. Eu acho que tem que bater na tecla o petroleo é nosso. e dizer que tem orgulho. e mostrar-se PREOCUPADO. quase ASSUSTADO com as ongs esquerdistas que pegaram a empresa e nao sei que e blá. tem que dizer que quer que a empresa volte a ser o que era. nao é um discurso liberal e privatista que cabe. é mais conservador e moral mesmo.



Escrito por Mary W. às 02h01
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Ai, que legal. Desenharam os pms.



Escrito por Mary W. às 01h39
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Não tenho idéia do que acontecerá com o Serra. Parece aquele caminho do Bush mesmo. De pegar um eleitorado moralista e blá. Mas essa reitora. Perdeu a condição. Perdeu. Entrou pra história mesmo.



Escrito por Mary W. às 01h29
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Hé.

As moças não atualizam o picasa.



Escrito por Mary W. às 01h26
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E a FEA nem se abala.



Escrito por Mary W. às 01h22
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Não é uma sugestão. Porque eu sei que excesso de diálogo assusta as pessoas. Mas eu estudei na Universidade Federal de São Carlos. Para alguns, não existe outra que seja tão vanguarda. Para mim, certamente não há. Pois havia um Restaurante Universitário por lá. E a refeição era grátis. E um dia quiseram cobrar. E o DCE ficou puto. E todo o movimento estudantil ficou puto. E o Susto* ficou mais puto que todo mundo. Porque ele era *o* revolucionário. Eu vivia dando pro Susto. Por que, né? Eu sabia que nunca mais comeria um comunista de fato, quando saísse da UFSCar. E então foi todo mundo pro Restaurante, seguindo o Susto. Puto. Chegando lá, havia uma caixa registradora no corredor que dava pra entrada do Restaurante. Quando o pessoal foi se aproximando, eles FECHARAM a porta de vidro do Restaurante. E ficou todo mundo no corredor. O Susto não teve dúvidas. Pegou a caixa registradora, símbolo da nossa opressão, e tacou na porta de vidro. Que espatifou. E o Restaurante era nosso de novo etc. Ok. Depredou o patrimônio público. E a Reitoria abriu um processo para jubilá-lo. Ele e outros vândalos. A comunidade universitária se dividiu. Se mobilizou. Se apaixonou. Etc. Mezzo mozzarela. Mezzo calabresa. Como quase sempre. E então chegou o dia. E o reitor tomou uma decisão e tanto. Ele fez uma audiência aberta. Com pinta de assembléia. No anfiteatro da reitoria. E ele falou coisas tão legais nesse dia, o reitor. Que fizeram com que eu visse que o Susto não passava de um tonto. O reitor falou sobre liberdade. E sobre como ela começa e termina. E o mesmo sobre direitos. E falou sobre aspectos técnicos da decisão de cobrar. Mas concentrou-se mesmo na expulsão do Susto. Ele falou sobre por que expulsar. E principalmente por que não expulsar. E eu nunca vou conseguir repetir o que foi dito. Porque eu era uma menina e foi me causando um forte impacto. E o reitor ali. Refletindo em cima do que fazer diante de uma porta espatifada. E o Susto ali. Com cara de tonto. E aí deu-se o mágico. O reitor disse que era hora da decisão. E pediu pra todos no anfiteatro. Vamos votar. Quem quer que o Susto saia. Quem quer que o Susto fique. E todo mundo votou pedindo pro Susto ficar. E quando todos os braços estavam levantados. O reitor levantou o dele também. E assim teve gente que descobriu que ser contra espatifar portas, significava votar pela permanência do Susto. O tonto. Que saiu de lá se gabando. Que é mesmo a única coisa que ele sabia fazer. Eu descobri um monte de coisas esse dia. Um monte. Coisas importantes sobre o sentido da vida e blá. Mas descobri, também, o que é uma comunidade universitária. E o quanto ela é importante. E como ela permite. Outros mecanismos e outras coisas. Enfim. Foi inesquecível. O meu reitor se chama Newton Lima Neto. Eu já contei isso mil vezes aqui. Depois ele se tornou prefeito de São Carlos. É considerado o melhor prefeito da história da cidade. Fez o sucessor e é da linha pragmática do partido dos trabalhadores. Tem cartaz com o Lula e é sempre muito cotado pra ser candidato a governador.

O DCE tinha um caixão e quando o Newtão pisava na bola, havia um enterro simbólico dele. O cortejo andava pelo campus e o Susto, mesmo depois do episódio, sempre ia na frente, segurando a alça.

O Newton fez tanta coisa em São Carlos. Mas toda vez que me perguntam porque eu gosto dele, eu digo. Porque ele fez uma assembléia pra decidir o destino do Susto.

*Que era da Convergência e saiu. E foi pro PSTU e saiu. E acabou se acomodando no PCO. De 4 em 4 anos ele se candidata a vereador. E tem sempre uns 80 votos. Eu acompanho.

Pode parecer que o movimento estudantil na UFSCar era folclórico. Mas era fortíssimo e super articulado.



Escrito por Mary W. às 00h50
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Eu queria falar um lance sobre isso. Da vida familiar ter se tornado o foco do way of life americano. Porque eu estou completamente absorvida por essas discussões. Da ética vingente e da identidade que ela possibilita e tal. Por conta do projeto de doutorado que tô fazendo. E claro que é muito recortado e não interessa pras pessoas, projeto de doutorado. Mas eu estou fazendo sobre riot grrls mesmo. Que é o que eu queria estudar desde sempre. E acho que é um grupo que meio que sintetiza o que eu quero estudar. Que agora eu chamo de transfiguração do político, por causa do Maffesoli. Se esses grupos transfiguram o político (a ponto de podermos pensá-los como despolitizados num certo sentido) ao mesmo tempo que atuam sistematicamente, eu achei que eu precisava ter alguma coisa sobre identidade. Porque ela tá transmutada também, se a ação política está virada de ponta cabeça. Eu acredito mesmo que primeiro é a ética que muda, depois muda a identidade, depois muda o agir político. Mais ou menos assim. Daí eu peguei um livro maravilhoso, que eu já tinha tido contato, por ordem do meu co-orientador de mestrado. Eu acho que ele queria me mostrar como se construiu essa ética da pluralidade, mas eu vi outra coisa. E agora então. Tanto tempo depois. Tô lendo focada mesmo nas ativistas do feminismo contemporâneo. Mas, né? Charles Taylor não escreveu um livro. Ele escreveu um tratado de 700 páginas sobre a construção da identidade moderna. E então eu tô aprendendo muita coisa. E organizando outras que eu já sabia. Dentre as coisas que eu tô aprendendo, uma é absolutamente uau. A ponto de eu fechar o livro quando li. E ficar sentindo o meu coração acelerado. Com a sensação de "não é possível, todo mundo sabia isso, menos eu". Vamos então, ao post. Porque preâmbulo é a especialidade da casa. Ele situa o Locke como o cara da identidade moderna. Pra ele tá ali a coisa toda e tal. Mas aí ele explica. Como foi possível que assumissemos esse tipo de ética. Aí ele explicas as éticas anteriores. Porque a identidade é o resultado da configuração que a sociedade tem em determinado momento etc. Configuração pra ele é uma palavra super importante. E eu ando encantada por essa palavra. Ele diz assim. Que uma ética tem três eixos. Que são mais ou menos valorizados numa determinada sociedade. Primeiro, o respeito ao próximo. Segundo, o significado de viver uma vida que vale a pena (sentido da vida). Terceiro, a dignidade (o quanto eu sou merecedor do respeito). Ele diz que a moral orbita em torno disso aí. Ele diz que na antiguidade, existia a "Ética Guerreira". E que o mais importante nela era a dignidade. Sendo que ter uma vida plena significava ter o respeito dos demais. O primeiro eixo era super precário na Grécia Antiga, por exemplo. O outro não merecia maiores atenções e eles jamais entenderiam o quanto o primeiro nos é caro etc. A nossa época, pelo que eu entendi, tem quatro éticas. E aqui a porca torceu o rabo pra mim. Ele diz que o segundo eixo (sentido da vida) é fundamental pra gente. Mesmo porque nós somos a época que mais diz que NÃO há sentido. O que é uma celebração desse eixo e dá mostras contínuas do quanto nos importamos com ele. Discutimos até para concluir que ele não existe. Nós temos a discussão mas NÃO temos configuração que nos dê a resposta. Os gregos tinham, eles sabiam porque deviam viver e morrer. Nós? Não. E aí ele diz algo já. Que gregos viviam pela fama. Pela imortalidade. Claro que já vem BBB na minha cabeça, né? Mas eu tiro porque não dá pra passar a vida analisando *o* programa. Ele resolve o problema da fama, mas não vai caber aqui tudo que ele fala etc. O primeiro eixo ele fala que nós levamos ao limite. O Direito se ocupa de transformá-lo em lei obrigatória etc. E que a configuração mais escancarada que temos é a ausência de uma configuração comum a todos. Daí ele fala que Platão se colocou contra a "Ética do Guerreiro". E sugeriu uma "Ética Racional". Por isso eu digo que temos três éticas (ou quatro se considerarmos que a "Ética Teológica" ainda vigora pros tontos etc). Daí o sentido da vida seria a autonomia mesmo. E viver bem é viver a supremacia da razão sobre o desejo. Os estóicos etc. Ele diz que nós temos uma apropriação disso. Que é o indíviduo desprendido. Aqueles que conseguem objetificar o mundo e os próprios sentimentos. Aqueles que possuem distanciamento e autocontrole nas diversas situações e tal. Que vê o mundo desencantado, no sentido weberiano mesmo. Eu sou assim, sabe? Eu vivo essa atualização da ética platônica. Autocoerência e eficácia instrumental estão no centro dessa ética. E todo mundo a conhece. Porque ela é a ética do capitalismo. Nós também fazemos uso do altruísmo como um valor e nosso respeito ao outro é marcado por ele. Isso é atualização de ética religiosa, como é óbvio etc. Aí tem uma "Ética da Expressão". Que seria dos artistas. Porque nossa sociedade valoriza as artes como nunca antes e tendemos a considerar que viver para se expressar confere à vida um sentido. E os artistas vestem essa ética. Mesmo artista que não vinga, tem um sentido pra vida. Que seria poder fazer sua arte e se expressar etc. Nós legitimamos essa ética. Ele diz que a gente leva em conta, por exemplo, opinião política de artista etc. Eles dão norte pra todos nós e não há qualquer explicação racional pra isso. Só pode ser porque consideramos o expressar-se como algo. E aí ele chega à ética mais comum do nosso tempo. E precisamente aqui, meu queixo cai. Ele diz que a ética que mais floresce é a da afirmação da vida cotidiana. Eu noto mesmo. Que o mais importante, para um número gigante de pessoas, é a vida da produção e da reprodução. Daí trabalho e família etc. O sentido da vida está aí. O respeito ao outro está aí (a gente vê as pessoas sempre dizendo "e se fosse meu filho", sempre, pra justificar respeito ao outro). E a dignidade também. Você é respeitado por ser pai de família e um funcionário exemplar. Eu sou um pai de família é *a* evocação para exigir dignidade. Então nós temos. A "Ética da Vida Cotidiana". A "Ética Guerreira" e a "Ética Racional" relegam o cotidiano a segundo plano. Há coisas imensas para serem conquistadas etc. E de onde vem essa valorização do cotidiano? Morra. Porque vou transcrever. Pra não parece que eu tô mentindo.

A afirmação da vida cotidiana envolve, portanto, uma posição polêmica diante dessas concepções tradicionais e de seu elitismo implícito. Isso se aplicou às teologias da Reforma, que são a principal fonte do impulso a essa afirmação nos tempos modernos.

Veja que ele diz O CONTRÁRIO do Weber. Porque a "Ética Protestante" é a ética da razão. E o Charles Taylor fica falando da vida cotidiana e chamando de "Ética da Reforma". E ele chega a citar o Weber quando fala da atualização da ética do Platão. E toda essa leitura que a gente tem? De que a ética católica vigora nos países latinos. Isso faz sentido se pensarmos em termos de encantamento do mundo. Mas vida cotidiana? Não faz nenhum. Enfim. A culpa é do Lutero. Acho que só eu que não sabia. Porque, nossa. Tá na cara.

Não é minha "área". Mas claro que eu me considero militante GLBT. Mas não entendo do assunto. Só milito mesmo. Me arrepia um pouco pensar a luta gay por essa ótica. Mas assim. Me arrepia MUITO. Nós, feministas, temos um histórico de luta estrutural que eu não vejo tão seriamente abalado por essa ética. O movimento gay me parece estar sucumbindo. Mas enfim. Não entendo mesmo do assunto.



Escrito por Mary W. às 14h46
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Eu fico tão feliz de ver a GM quebrando que nem posso falar. A indústria automobilística, para mim, é o símbolo da miséria humana. Como já foram as carvoarias e os engenhos de cana. Foi nelas que o pesadelo do Marx se concretizou. O maldito fordismo que afastou, para sempre, o trabalho das pessoas. E que foi imitado pelos demais setores. O filosófico conceito de alienação sendo concretizado dantescamente. O produto nojento que sai daquelas fábricas. Um produto que acaba com a qualidade de vida. Que transformou a vida nas metrópoles num inferno. Que separou as classes em todas as ruas. Pobres de ônibus, ricos de carro. Em qualquer rua. Um espaço concebido para ser público e democrático. E o que ele significa? Esse produto feito por essas indústrias? É tão icônico do way of life americano. Outra bosta, "filosofia" de vida tosca. Que tem só a vida familiar como foco. Trabalho alienado, produto alienante. Virou símbolo de status. E sonho. E meta de vida. O que pode ser mais pateta que um sujeito que delira diante de uma Ferrari? Foda-se, GM. Mas eu tenho medo, sabe? Todos os meus inimigos, quando ameaçam cair, é por obra de uma merda maior. Foi assim que eu vi a Igreja Católica perder adeptos pra essa palhaçada que se convencionou chamar de Igreja Evangélica. O que era ruim, ficou pior. E se você quiser achar um tonto, é só entrar numa dessas igrejas. Nunca conheci um evangélico que fosse sequer meia-boca. E aí eu vi a Rede Globo balançar. E, primeiro, por causa daquela cafonice chamada SBT. E daquele picareta chamado Sílvio Santos. Um homem que subestima minha inteligência toda vez que abre a boca. E agora eu vejo a Globo balançar de novo. Ó. Por conta da emissora do bispo. Daí que eu vivi pra ver, as grandes montadoras convulsionando. Como antes jurei, comemoro. Mas não espero grandes coisas. Alhos não tem a ver com bugalhos. Mas as novas gigantes mantém as práticas. O Google cada vez mais se revela uma merda monumental. Tento usar cada vez menos o serviço. Não é meu email principal. Não tolero orkut. Não uso blog deles. Eu resisto, baby. Como sempre fiz, ademais. Boicotando, sozinha, uns capitalismos por aí.  Persio Arida, na Folha agora a pouco. Não, o capitalismo não vai ter novas bases após a crise. Então, tá. Se nada muda, eu também não mudo. Foda-se, capitalismo. Toma no cu, GM.

Só eu que fico uau? Com a atitude bate palminha das pessoas diante das inutilidades que o Google lança todo o dia? Isso é um lance também. Tô vendo como nunca na história desse país. Uma atitude absolutamente alienada em relação à informação. Quem abre tanto link? As pessoas passam links umas pras outras o dia inteiro. E realmente acreditam que estão passando informação. Pelamor. Alguns links mudam a vida da gente. É necessário se debruçar sobre eles o dia inteiro. Talvez semanas. Nada disso a gente vê. Não tem mais análise? Nem é isso. Não tem mais REFLEXÃO. Os novos alienados. É preciso estar atento ao que se faz de forma mecânica. Passar link é o novo enfiar parafuso, me parece.

O carro mais marcante que eu tive foi da GM. Um Kadeti. Que eu ganhei do meu pai quando estava no 2o colegial. Eu tinha 16 anos. E me diverti tanto com esse carro. Ele era um lugar. Onde eu e minhas amigas passávamos o dia. Seguindo paqueras e ouvindo música. Eu fiz quase tudo nesse carro. Just fun. Meu pai não viveu pra ver a GM quebrar. Droga.



Escrito por Mary W. às 12h52
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Querida rede Globo. Ninguém, no mundo, está autorizado a cortar Paula Toller. Isso não existe porque ela a maior diva brasileira. Entao, sinceramente, vá se fuder. No mais. Achei *o* show. Talvez porque a Fafá de Belém tenha escolhido tão bem. Não é qualquer uma que pode cantar "por que me arrasto a seus pés?". Tem que ser dramática suficiente. Ela é. Acho que é minha favorita do repertório dele. Embora eu não seja o tipo. Que se arrasta aos pés. Queria, entretanto, ser. Outro grande momento pra mim, foi a Sandy. É impressionante como ela sempre dá conta. Conseguiu mesmo atualizar a música sem fazer grandes malabarismos. Passado amoroso a gente tem ou não tem. Não depende de idade. Achei que ela passou isso. De ter um passado amoroso. No mais, é uma celebridade que eu curto. Hebe Camargo levou as jóias. Fundamentais como ícones da cultura nacional. Ivete Sangalo é constrangedora. Cláudia Leite é inconveniente na gritaria. O axé, como sempre, fez feio. Eu tento, viu? Ter simpatia por essa gente. Não rola. Daí a Daniela Mercury. Achei que tinha errado o modelito. Muito curto. Mas aí entrou a Wandérlea. As mais famosas pernas do Brasil. E eu disse ó. Ela está homenageando a Wanderléa. E me pareceu adequado. Ana Carolina, Nana Caymmi e Alcione fizeram o que se espera que façam. E elas fazem muito bem. Eu que não gosto muito do estilo delas. A família Possi também não tem grandes problemas. As duas sabem cantar. Eu não conhecia muito a filha. Estou chocada. Ela é a cara da Gwyneth Paltrow.  Daí veio Marília Pêra, né? E uau. Acho que foi a melhor interpretação que eu já vi pra uma música do Roberto. Ela escolheu tão bem que não dá pra explicar. Uma das melhores músicas ever. 120, 150, 200 km por hora. Não tem como explicar. Eu gosto muito desse assunto, sabe? De como as coisas se metamorfoseiam e saem da cultura de massas ou da cultura popular e tornam-se alta cultura. Eu já tinha lido que ela fez a melhor apresentação da noite. Mas eu não imaginei que ela fosse entrar no palco tão carregada de possibilidade. É tão legal você ver mesmo um artista APREENDENDO a obra do outro. Ela foi a única que fez isso, eu acho. A Fernanda Abreu tentou fazer funk da lata com todos estão surdos. Não deu, né? Mas a Marília Pêra fez mesmo teatro grego ali. Queria saber como ela fez isso de escolher a música. Porque é um lance de escutar uma música e ver outra coisa nela. Possibilidades artísticas mesmo. E eu fiquei uau. Ela fazendo a louca ali. Perdida e em alta velocidade. Não tava cantando. Tava falando sozinha. Ou na estrada, acelerando. Ou no hospital psiquiátrico. Pronta pra tomar um sossega leão. E acho que era essa a idéia. Porque se a Fafá fez o drama. A Marília foi lá e pá. Nos mostrou a tragédia. Na boa. Acabou com o show. Uma das coisas mais legais que eu já vi na TV.

A marina falou no twitter que parecia um delírio. E é isso. Nossa. É bem isso mesmo. Porque a gente, primeiro, acredita. Que ela tá de carro e não sei quê. Depois parece que só restou o delírio mesmo. Aquilo dela olhar. Achando que o cara tava ali. Ai. Paguei um pau gigante pra tudo isso.



Escrito por Mary W. às 01h04
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