Clube de companheiras de genero


Tá tendo rodeio aqui. É algo. As aulas são canceladas, a cidade fica vazia de dia e à noite bom-ba. Eu não sou uma pessoa muito rodeio e nunca me 'preparo' pra festa. Mas, óbvio, acabo indo. São dez dias. Pra mim é muito. Costumo funcionar no sistema 4-2-4. Bebo alucinadamente durante 4 dias, descanso 2 e depois me jogo mais 4. Quando eu era pequena, tudo funcionava em volta da arena. Que tem uma arquibancada imensa etc. Eu me lembro basicamente do parque de diversões e de dormir na arquibancada, no colo da minha mãe. Me lembro também da primeira vez que eu vi uma puta. Foi lá. E era uma moça muito maquiada e com uma roupa super extravagante. E eu mostrei pra minha mãe, achando diferente, e ela me disse isso. Que era uma prostituta e tal e falou pro meu pai que talvez fosse hora de irmos embora. Eu era bem pequena e não me lembro se eu entendi o que significava, embora nunca tenha esquecido o episódio. Eu sei que os espaços, na festa, eram delimitados de forma sutil. E por horário, talvez. Quando eu me mudei de cidade, na época do colegial, fiquei surpresa. Quando eu cheguei no rodeio, existiam camarotes. Construídos embaixo das arquibancadas, quase que pegando uma parte da arena, que foi aumentada. Meu pai tinha comprado um camarote e, claro, todo mundo que eu conhecia tinha camarote etc. E daí então o espaço ficou mais ostensivamente delimitado e tal. A gente cresceu mais e daí ninguém ligava pro rodeio. E meu pai se livrou do camarote e eu fiquei uns anos sem aparecer na festa. Quando voltei pra cá, pra trabalhar, vi o big mistake do meu pai. Não existem camarotes disponíveis e há uma guerra por eles etc. Eu consegui comprar, uma vez, um lugar num camarote. Porque é super caro. E a classe média não bobeia. E então as pessoas se juntam e racham e pagam por mês. Daí logo que eu cheguei me perguntaram, na faculdade mesmo, quer um lugar no camarote?. E eu quis. Depois, começou isso de não ter aula na faculdade. E aí eu comecei a usar a semana como feriado. E me interpelaram. Você vai manter o lugar no camarote? E eu disse que ah, podem passar pra alguém etc. Ano passado eu fui no rodeio. Pra assistir um show do Latino. Quase caí pra trás com a novidade. A arena foi novamente aumentada para a construção de um novo tipo de camarote. Bem mais caro. E eu vi, obviamente, que os ricos estavam lá. Por supuesto se cansaram da classe média e dos consórcios e vaquinhas para adquirir um lugar de destaque. Sociologicamente, eu curti. Porque daí a gente pode ver a pirâmide social da arquibancada. Pobres, ricos, classe média. Cada um no seu quadrado. Esse ano rolou uma coisa legal. A faculdade comprou dois camarotes de rico. E sorteou entre os professores e funcionários nos diversos dias etc. Eu não fui sorteada, mas minha irmã foi. E me levou, já que tinha direito a um acompanhante e blá. Foi a minha estréia nos camarotes ricos, que eu só conhecia de "vista". Quando eu cheguei lá, fiquei procurando a Marina. Porque ela está indo todos os dias nos camarotes dos ricos e tal. A mãe da Marina é very important person atualmente in this town. Ela faz parte do grupo político que ganhou as eleições.  Daí que eu combinei com ela, né? Que a gente se encontraria no show do Bruno e Marrone. Que eu ia assistir de vip. Daí eu não a encontrava. E perguntei. E me disseram. Que agora há um *outro* camarote. O supervip. Que ficava bem acima de onde eu estava. Olhei pra cima e percebi. Que havia algo além de teto. As autoridades e os patrocinadores da festa ficam lá. Eu disse uau. Tem tudo lá, me informaram. É um camarote de cervejaria. Então a mãe da Marina me liga ontem. Vamos no camarote mega VIP pra você conhecer. Eu digo mas é claro. E fui. Eu não sou versada em festas de cervejaria. Quase caí pra trás. Você imagina uma mesa de frios com queijos caríssimos. Você imagina garçons sorridentes e chopps estupidamente gelados sendo servidos sem parar. Uísque de não sei quantos anos. Algum entretenimento extra. Tipo um cara fazendo caricaturas dos convidados numa camiseta. Existem as mesas de madeira e cadeira alta (pra poder ver o show). E vários ambientes com sofás e coisas assim. Parece um apartamento de rico. CARPETE no chão. Decoração. As paredes pintadas com formas geométricas abstratas. E você olha pra baixo e vê os ricos. E os ricos olham pra baixo e veem a classe média. E classe média vê pobres por todos os lados.

Hoje eu fui de novo lá. Sem camarote de tipo algum. Só pra levar a Marina e a Branca no parquinho mesmo.

Minha cidade tem 60 mil habitantes. Sabe qual é a média de público por dia, na festa? Juro. 60 mil pessoas.

Essa é a festa. A montagem dela. Mas a balada mesmo acontece em outras lugares. Tipo nas boates que existem no recinto. Funciona sem se importar muito com o show e a montaria. Geralmente é o pessoal mais novo, claro. E há boate de rico e de pobre também. E dentro da boate de rico há também camarotes e blá. Recorta de novo etc. Eu já fiz pesquisa disso aí. Com os alunos. Faz um tempo mas eu lembro que a média de gasto por dia dos pobres era de 40 reais. Uma loucura e blá.



Escrito por Mary W. às 03h32
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A filha do meu primo mais velho (que é já cinquentão) me escolheu, a many years ago, como madrinha de crisma. Fiquei toda contente, né? E sempre fiz a função. Um dia, ela me chamou para *a* conversa. E me contou que era lésbica e que o pai e a mãe sabiam etc. Ok. Dói? Não. Você sofre? Não. Daí que ela arranjou uma namorada e fall in love etc. E a família da menina descobriu. E aquele deus nos acuda. E resolveram mandá-la pra Austrália em intercâmbio. Pra ver se curava, passava, whatever. Ela voltou da Austrália firme no canguru. Sapatão como nunca etc. Lá ela descobriu que "é normal", segundo me relatou. E as duas in love. E a mãe da menina deu um ultimato. Ou ela parava com isso ou podia arrumar as malas e sair de casa. Ela arrumou as malas e aportou aonde? Hein? Na casa do meu primo cinquentão. Isso tudo é recente. Eu ainda não tinho visto la situación. Até que hoje teve um almoço de família lá (aniversário da outra filha). E minha afilhada doida pra me juntar com a namorada. Pra eu ouvir toda a história e sei lá. Dar um pitaco. Eu dei. Disse pra que ela seja tolerante com os pais. Já que eles tem um problema sério e que talvez ela possa ajudá-los. Etc. Mas eu tenho mãe. Que arrepia com essas histórias. Ela fica incomodada, interessada, mal humorada, indignada. Tudo ao mesmo tempo agora. E minha mãe é espírita. E ela acredita assim. Que existe isso que chamamos de Terra. E um planeta evoluído chamado Capela. E um planeta muito pior chamado Planetão. Nós, que aqui estamos, não somos evoluídos o suficiente. Morávamos em Capela e por conta de toda essa involução, fomos expulsos. Somos os exilados de Capela. Há, entretanto, uma chance. Se aproveitarmos bem essa existência, voltamos pra Capela. Se fizermos merda, caímos mais e vamos pro Planetão. Maomeno e continuamos aqui. Entre nós há capelinos. Eles vieram pra nos ajudar na evoluçao. Gandhi? Capelino. E assim por diante. Daí minha mãe. Diante de toda essa história da menina de classe média expulsa de casa. Tá vendo? Eu falo pra você não contar que é gay. Eu argumento dizendo que ela não me expulsou nem nada. Mas eles expulsaram a filha, imagina o que fariam com você. Eu nem conheço eles. Muita gente é assim, filha, o PLANETA não tá preparado pra você. Minha mãe acha o planeta um lixo. Não vê a hora de voltar pra Capela. Mas há capelinos por aqui, mãe, eles tão mudando as coisas e as mentalidades. Ela faz até muxoxo. Não tão conseguindo nada. E daí ela me fez prometer que não vou sair por aí dizendo que sou gay. E eu tenho 36 anos, senhoras e senhores. Já disse pra ela. Que esse tempo de aceitação já foi. Nem adianta mesmo. Acho que ela não vai conseguir lidar nunca.



Escrito por Mary W. às 20h10
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Hi from Multitouch Barcelona on Vimeo.



Escrito por Mary W. às 23h15
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Eu não me conformo com a cara de pau da Telefónica. Na hora do almoço eu liguei lá e uma voz gravada disse que o serviço de atendimento estava indisponível. Depois, nem a voz gravada. Nem notícia eu tive. Agora que fiquei sabendo. Porque cheguei na faculdade. Simplesmente eles tiraram o serviço de atendimento do ar. E ficam dizendo que às 14 horas voltou. Meu cu. Não tem internet aqui. Nenhuma autoridade se pronuncia. Nem sei se existe anatel ainda. Claro. O governo deve estar mais preocupado em multar boteco pra construir um mundo livre de tabaco. Porque o que é um serviço essencial, né? Na boa. Faz um mês que a Telefónica não funciona direito.



Escrito por Mary W. às 19h50
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Sarah Charlesworth. Bride. Objects of desire I.

 

Eu acho que a maior bolha que tem na internet é publicitária. Tá super na cara que essa mania de enfiar publicidade em twitter e em blog e de trás pra frente. Tá na cara que não vende mercadoria isso. Muito menos que melhora imagem de empresa. O consumidor nem liga pra essas coisas. Mas a gente percebe que entre os publicitários causa. Então como quem contrata campanha publicitária é publicitário, o clubinho vira bolha. Isso da Telefónica contratar Marcelo Tas. Que importância tem isso? Os publicitários da Telefónica deviam estar concentrados em campanhas para limpar a imagem da empresa. Mostrar pro usuário que os problemas acontecem por isso e aquilo. Uma coisa assim. É a pior empresa do estado de São Paulo. Todo mundo odeia. É campeã de qualquer pesquisa de ruindade. Primeiro lugar de reclamação, primeiro lugar de ineficiência. E vai. Então causa muito espanto para a leiga que bombe a discussão a respeito das estratégias publicitárias dessa bizarrice que é a Telefónica. O serviço da Telefónica é o pior do mundo. E a publicidade é completamente desconectada do consumidor. Daí que essa bolha criou um problema muito grande pra quem milita uma causa qualquer. Porque vale a repercussão só. Não vale mais nada. Que tenha um milhão de comentários a respeito revela sucesso. Tipo a campanha do Doritos. Os publicitários consideram um sucesso. Mesmo saindo do ar. Foi um sucesso. Conseguiu os efeitos lá, que tem os tais nomes. Virais e não sei quê. E aí quem milita fica numa situação muito incômoda. Porque a gente não sabe se falar é parte da estratégia dos bolhas. E por isso que eu DETESTEI que quase todos os meus blogs favoritos falaram da entrevista da Maria Mariana. Porque, né? QUEM É MARIA MARIANA, PELO AMOR DE DEUS??? Se o livro dela vender. Se ela se tornar um fenômeno editorial. Daí deve ser rebatida. Caso contrário, me parece uma perda de tempo monumental. E a Marjorie falou uns dias pra trás a respeito da figura polêmica. Que geralmente ela não é polêmica. Pelo contrário, geralmente defende valores ultra conservadores de forma agressiva. E eu achei tão marketing de lançamento essa bobajada que ela andou falando na imprensa. E claro que jornalista publica, porque é irritante a ponto de pautar os melhores blogs feministas do país. Que páram tudo pra desconstruir uma entrevista que já é caricata. Vamos irritar as feministas. Até a revista Cláudia deve estar irritada com a Maria Mariana. E eu não sei mesmo o que pensar. Por posição, não li a entrevista e nenhum post a respeito*. Mas aí fica aquela. Que é minha crise atual com internet mesmo. Será que tudo tem mesmo que ser analisado? Não enfraquece isso? Ou, o contrário, bobagens como essas não passam mais. Como antes passariam. Ou seriam contestadas no painel do leitor. E agora o leitor é autor e isso fortalece. E a coisa mais legal da internet isso etc.

Pode ser simplesmente crise de geração. E a Maria Mariana é mais icônica do que eu imagino. Porque eu me lembro do livro dela. E lembro de achar engraçada uma passagem do livro. Da toalha amarela amarrada na cabeça. Mas eu já era grande pra esse livro. Ele era pra uma geração abaixo da minha. E eu nem sequer fui no teatro ver a encenação. E me lembro que minha prima mais nova foi, com as amigas e tal. Então pode ser que ela seja, simbolicamente, mais importante do que eu imagino etc.

*Pra ser sincera eu li um post a respeito. O da Cam.



Escrito por Mary W. às 23h12
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Sua majestade, o poder judiciário. Aqui, tem assim. Uma semana acadêmica dedicada a cada curso e blá. Por exemplo. Uma semana pra enfermagem. E então a gente monta um negócio que chamamos de minicurso. E o aluno escolhe qual quer fazer e fica o dia inteiro fazendo e blá. Em cada sala de aula, tem um minicurso diferente. São 13 ao todo. Funciona melhor que palestra. Porque o número de alunos é bem menor. Daí quando tem alguém que é a rainha da cocada, faz palestra. Todo ano tem uma rainha da cocada e ela vai pro auditório e todos os alunos assistem. Esse ano, a rainha da cocada falava sobre catéter até onde eu pude entender. Quem define a rainha da cocada são os próprios alunos, a partir da demanda etc. É o maior evento da faculdade, a semana da enfermagem. Porque tem muito aluno. Diurno, noturno e turma do meio do ano. Tem tanta grana, o evento, que no final há um jantar na faixa pra todo mundo que participou. Professores vem de avião do Brasil inteiro. USP, UNICAMP e federais. Ano retrasado elas compraram equipamento pra UTI da cidade com o dinheiro. É super organizado o evento delas.  Mas esse ano, as enfermeiras cometeram um erro. E um promotor público foi convidado para dar um minicurso. Sobre nem sei quê. Acho que maus tratos em criança. Aí chega o cara. E a coordenadora do curso o recebe, e eles vão pra sala de aula e ela diz:

"Este é o DOUTOR fulano de tal. Ele é PROMOTOR e tais e quais. Mora não sei onde e é ESPECIALISTA em não sei quê".

Ok? Não está ok. No dia seguinte ele vai até o promotor da minha cidade. E os dois, juntos, procuram o presidente da fundação educacional. Toca o telefone da coordenadora de enfermagem. Para ela ir até à sala do presidente da fundação. E lá, ela toma uma espécie de pito. Porque o tal promotor não considera que ele foi bem apresentado. Que o currículo dele não foi lido na íntegra. Que a palestra dele não foi no auditório. E mimimi mesmo. Que ele achava que isso e aquilo. Tá bom? Não, não está. Ele quer saber porque o currículo dele não foi lido. E a coordenadora diz que não estava com ele nas mãos. Porque o promotor chegou atrasado e a professora que iria apresentá-lo não estava ali. Porque estava procurando o cara pela faculdade. Manda chamar a professora. Uma mulher incrível. Fez metade do doutorado em Nova Iorque. Sabe tudo de terapias alternativas. Já assisti um curso dela de ayurvedica que foi algo. Ela é bem coroa já. E eu não sei o que e como foi dito. Porque não conversei ainda a respeito com ela. Mas ela chorou. O babaca fez essa mulher zen chorar. Por que vocês convidam essa gente?, foi a pergunta que eu fiz quando fiquei sabendo. Não vamos mais convidar, foi a resposta que me deram. Um outro enfermeiro, mais escaldado, explicou. Quando convidar alguém dessa área jurídica tem que fazer solenidade, vocês foram muito ingênuas. E elas foram mesmo. Agora que o promotor fosse voltar lá pra tentar cortar cabeças. Ninguém esperava mesmo. Ele foi tratado como um professor. Só isso que aconteceu.



Escrito por Mary W. às 15h21
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Esta imagem vem de um vídeo. O que significa? Hooligans vestidos de vermelho, com capacetes e machados, estão despedaçando a janela reforçada que protege uma preciosa obra de arte. Eles estão batendo enlouquecidamente no vidro, que se estilhaça em todas as direções enquanto altos gritos de horror às suas ações são ouvidos da multidão em torno deles, que, não importa quão furiosa, permanece incapaz de parar a pilhagem. Outro triste caso de vandalismo, capturado por uma câmera de vigilância? Não. Corajosos bombeiros italianos, alguns anos atrás, arriscando suas vidas, na catedral de Turim, para salvar o famoso Sudário de um incêndio devastador que provoca os gritos de horror da multidão impotente que se juntou atrás deles. Em seus uniformes vermelhos e seus capacetes protetores, eles tentam quebrar com machados a caixa de vidro fortemente reforçada que foi construída em volta do linho sagrado, para protegê-lo – não do vandalismo – mas da louca paixão dos devotos e peregrinos a quem nada deteria até que o rasgassem em pedaços para obter relíquias preciosas. A caixa é tão bem protegida contra os devotos, que não pode ser colocada em segurança, longe do fogo intenso, sem esse ato aparentemente violento de quebrar o vidro. Iconoclasmo é quando sabemos o que está acontecendo no ato de quebrar e quais são as motivações para o que se apresenta como um claro projeto de destruição; iconoclash, por outro lado, é quando não se sabe, quando se hesita, quando se é perturbado por uma ação para a qual não há maneira de saber, sem uma investigação maior, se é destrutiva ou construtiva. Esta exposição é sobre iconoclash, não sobre iconoclasmo. (Bruno Latour, O que é iconoclash?)



Escrito por Mary W. às 18h48
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Ai, é maravilhoso o "artigo" do Bruno Latour, que a Horizontes Antropológicos publicou. E tinha passado completamente despercido por mim. Por vários motivos é incrível. Essa questão do iconoclash interessa todo mundo. Principalmente quem gosta de arte. Mas durante todo o texto ele toca em questões, sabe? Os grandes fazem isso com desenvoltura. Tocam em várias questões. E um parágrafo perdido ali, de repente, te deixa uau por toda a vida. O texto me consumiu por dois dias, acho. Porque a gente quer procurar as referências e as imagens e etc. Ele está apresentando uma exposição no artigo. Chamada Iconoclash. E que rolou tem um tempão já. A exposição é sobre a destruição dos ícones, o arrependimento que isso causa e a posterior reabilitação deles. Me parece que o movimento de destruição é o que mais interessa o Latour. E então ele disse o algo. Que eu adorei:

É por isso que esta exposição é também uma revisão do espírito crítico, uma pausa na crítica, uma meditação sobre a ânsia de desmascarar, de apressadamente atribuir crença ingênua aos outros. Os devotos não são idiotas. Não é que a crítica não seja mais necessária, mas, sim, que ela se tornou, ultimamente, muito vulgar.

Poder-se-ia dizer, com mais do que uma pequena dose de ironia, que tem havido uma espécie de miniaturização dos esforços críticos: o que nos séculos passados requereu o formidável esforço de um Marx, um Nietzsche, um Benjamin, se tornou acessível por nada...

Você pode agora ter a sua desilusão baudrillardiana ou bourdiana por uma canção, sua desconstrução derridiana por um níquel. A teoria da conspiração não custa nada para ser produzida, a descrença é fácil, desbancando o que se aprende em aulas de primeiro semestre de teoria crítica.

Eu tenho pensado muito nisso. E queria bastante ler O Culto do Amador e o que me impede é não reconhecer os autores como "especialistas" para tratar a questão. Porque se eu tivesse certeza que eles tratariam o tema como Bruno Latour talvez o fizesse. Mostrando uma sociedade que está se construindo digitalmente de forma absolutamente sufocante no sentido da crítica. Que os fatos tornam-se absolutamente secundários diante dos canhões analíticos e uma coisa assim. Porque eu sinto isso nesse espaço público de debate que é a internet. Mas também na vida cotidiana. Alguns mecanismos de dominação já foram suficientemente desvelados parece. E aí qualquer um faz uma crítica marxista a respeito da invasão do Iraque. Liberdade nada, os EUA só querem petróleo. E isso foi introjetado já. E então todo mundo consegue fazer. Mais ou menos o que decantadamente aconteceu com Freud. Que as teorias dele estão na sala de jantar e todo mundo já sabe que tem um inconsciente. E isso não precisaria mais ser mostrado mesmo. Algumas teorias, notadamente de Bourdieu e Foucault, na minha percepção, tem potencial para serem assimilidas e usadas no cotidiano. Mas mais mesmo nas esferas de debate, eu vejo isso. E ando muito sufocada com isso. Porque eu não sei mais mesmo onde está a verdade. Porque todas as análises são críticas e todas as análises são superficiais. Porque a consistência parece apenas teórica e não encontra eco na realidade. Você não derruba O Capital do Marx. Porque ele é um estudo extremamente sólido do funcionamento do modo de produção capitalista. E eu acho que eu faço também essa miniaturização da crítica, no blog e em outros lugares. Mas o eixo pra mim é que não existe mais um porto seguro. Talvez por tudo mesmo. A crise das grandes narrativas e blá. Só que a gente, ou pelo menos eu tenho que achar um jeito de viver. Porque crítica pra mim virou lazer mesmo. Eu adoro ler isso e aquilo sobre tais coisas. E volto sem opinião sólida sobre os assuntos. Uma mulher completamente sem opinião é o que eu sou hoje. Embora, claro, pareça que eu tenho um monte.

Tá meu carrinho da Fnac esse livro, do Culto do Amador. Mas tenho certeza que será uma coisa careta. Tipo a troca de cartas do Paul Starr com outro lá. Eu até escrevi um post e não publiquei. Porque é extremamente careta o olhar. Bruno Latour não é um homem careta não.



Escrito por Mary W. às 18h38
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Assim. Considerei isso um escândalo. E a tentativa de contemporizar do blog Savage Minds é patética (se bem que não vi isso no blog, tô curtindo o que tá saindo lá etc). E o cara nem é antropológo. Mas é super famoso. Até a fuça dele eu conhecia, provavelmente da Superinteressante. O óbvio é que a internet empodera todo mundo. Inclusive o pessoal na Papua-Nova Guiné. E Geertz já tinha falado. Que não há mais objeto na antropologia. Agora eles são sujeitos. Senhor Jared Diamond enfiando a carreira no rabo:


Papuano processa biólogo Jared Diamond

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

Dois cidadãos de Papua-Nova Guiné moveram uma ação milionária por difamação contra a revista "The New Yorker" e o biólogo e escritor americano Jared Diamond. Autor do best-seller "Armas, Germes e Aço" e ganhador do Prêmio Pulitzer, Diamond retratou a ambos num artigo como protagonistas de uma guerra tribal que deixou 30 mortos. Eles dizem que o escritor inventou a história.

Alegando que suas vidas correm perigo depois que foram pintados como homicidas e estupradores por Diamond no artigo, publicado no ano passado, os dois homens pediram uma reparação de US$ 10 milhões num tribunal de Nova York.O episódio vem sacudindo a comunidade antropológica desde que foi revelado, no último dia 21, pelo site de crítica de mídia StinkyJournalism ("Jornalismo Fedorento"). Num artigo intitulado "O Colapso Factual de Jared Diamond", a artista plástica Rhonda Roland Shearer, diretora do site, acusa Diamond de ter escrito um "conto de ficção".

Segundo ela, as únicas coisas reais no texto do biólogo são os nomes dos personagens -e agora litigantes- Hup Daniel Wemp e Henep Isum Mandingo, e os dos clãs que supostamente teriam travado as batalhas, os handa e os ombal. Diamond diz no texto que Wemp, membro do clã dos handa, disse ter declarado guerra aos ombal nos anos 1990. O motivo: Isum teria matado o tio de Wemp, que inadvertidamente deixara um porco destruir o seu quintal.

O artigo tratava de conflitos travados pela necessidade de "ficar quites" com os vizinhos, já que o tal tio morto estava destinado a liderar os handa.Wemp teria não só financiado guerreiros como também "fornecido mulheres para seu conforto sexual". Wemp só sossegou depois de seus homens terem acertado uma flecha na espinha de Isum, deixando-o preso a uma cadeira de rodas.

"Eu li as alegações de Diamond de que Henep Isum estava no meio da selva numa cadeira de rodas havia 11 anos e achei aquilo incrível", disse Shearer à Folha, por telefone."Aí escrevi para ele perguntando se havia feito algum contato com ele [Isum]. Ele nunca respondeu. É estranho para um cientista não responder quando seus dados e seus métodos são questionados."

Shearer sabe uma coisa ou outra sobre ciência e polêmicas. Diretora do Laboratório de Pesquisa de Arte e Ciência, em Nova York, ela é viúva de outro grande biólogo e divulgador de ciência, Stephen Jay Gould. "Por coincidência, eu estava fazendo uma investigação sobre uma fraude de mídia em Papua-Nova Guiné, e conheci algumas pessoas [no país]. Aí o artigo de Diamond apareceu e, uma vez que eu tinha contatos lá, não foi difícil achar os personagens da história."

Foi aí que o porco torceu o rabo. Para começo de conversa, não houve porco algum. De fato houve uma briga por motivo fútil -o sumiço de dois dólares- entre os handa e os ombal, no início dos anos 1990. Quatro pessoas morreram, não 30. Isum não esteve diretamente envolvido nela, nem nunca esteve numa cadeira de rodas. Wemp nem mesmo estava no local quando ela aconteceu. Segundo Shearer, Wemp nega ter dito a Diamond que ele protagonizara a "vendetta".

Segundo Shearer, Diamond teria mantido conversas casuais com Wemp entre 2001 e 2002, quando estava fazendo um trabalho de campo em Papua. Wemp era seu motorista, e teria contado histórias "aleatórias" de conflito a Diamond. Este, diz Shearer, teria juntado tudo numa narrativa só, mantendo os nomes das pessoas e misturando informações.

Objetos de pesquisa

O antropólogo Alex Golub, da Universidade do Havaí, que fez pesquisa em Papua, afirma no blog de antropologia Savage Minds que, independentemente de quem tenha razão, o episódio traz um tema central para a antropologia: o fato de que os "sujeitos de pesquisa" etnológica hoje estão muitas vezes a poucos cliques de distância dos textos escritos sobre eles. Na aldeia global de hoje, o conceito de "tribo isolada" é solapado.
E Golub pergunta a seus colegas: "Será que alguém resiste a esse grau de escrutínio?"
A Folha procurou Diamond e a "New Yorker" para comentários, mas não obteve resposta. A porta-voz da revista, Anna Cassanos, afirmou em abril à agência de notícias Associated Press: "Nós defendemos nossa história. Nós defendemos Jared Diamond".



Escrito por Mary W. às 10h37
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Eu tenho certeza que é o mesmo sonho que eu tive ontem. Eu sonhei que eu ia jogar uma partida de futebol pelo São Paulo. E fui com os jogadores, de ônibus, até o Morumbi. Daí me mostraram o vestiário. O meu era diferente. Porque eu sou menina. Então eu coloquei o uniforme, que ficou imenso pra mim e quando subi as escadas e entrei no campo, fiquei desesperada. Eu estava sem chuteiras. E não pude jogar. Tentaram emprestar chuteiras pra mim, mas nenhuma serviu. Daí corta. E estou descendo uma das minhas ruas favoritas, na cidade que eu fiz faculdade*. Tô descendo a rua com a minha irmã. E contando pra ela. Que eu quase joguei uma partida pelo São Paulo. E expliquei que esqueci as chuteiras. Daí minha irmã me corrige. E diz que não foi porque eu estava sem chuteiras. É porque você estava sem sutiã. E me informou que é proibido jogar futebol sem sutiã. Eu não disse nada. Porque não deu tempo. Enquanto conversávamos, minha vó vinha à toda de bicicleta. E tomou *aquele* tombo. E fomos acudi-la. E minha irmã foi levá-la pra casa, de carro. Leva a bicicleta, ela mandou. e eu fiquei no meio da rua. Com uma bicicleta toda retorcida. Sem ter idéia de como levá-la dali. Enfim. Sem testículo, chuteira e sutiã. Tá difícil mesmo pra mim, interpretar**.

*E que é a cidade natal do meu avô materno e da minha mãe e das minhas tias.

**Eu acho que sei, entretanto, como o Morumbi entrou nisso. Porque eu encontrei com meu irmão mais velho esse fim de semana. E falamos de como os maiores astros do mundo pagam pau pra futebol. Do Wolverine a gente tava falando. E aí ele me contou uma história, meu irmão. Ele é fã ópera e um bom tenor e tals. Daí ele me disse que o sonho do José Carreras era ser goleiro do Real Madrid. E que ele chegou a pensar mesmo nisso, mas que era muito franzino, não tinha porte físico. Então fui obrigado a me dedicar a algo menor. É assim que o Carreras conta essa história.



Escrito por Mary W. às 10h55
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Excelente o post da Lucia Hipólito. Embora ela seja contra a lista fechada. Mas aí ela fala que o Michel Temer não seria eleito, se contasse voto ao invés de legenda. E bingo, né? Porque é justamente pra tentar garantir Michel Temer que o sistema é assim.



Escrito por Mary W. às 00h09
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Sobre a lista fechada. Todo mundo sabe, né? Que tipo só uns 50 deputados se elegem realmente. Todos os outros entram por conta das coligações. Tem dois deputados aqui na minha região. Um é ok. O outro é uó. Ele é um dos que vende as passagens da Câmara. Também esteve no topo do beneficiados com o mensalão. Tava queimadíssimo na última eleição. Cagou e andou. Porque o Maluf saiu candidato e então os deputados paulistas do PP relaxaram. E ele, claro, foi eleito na "cota" do Maluf. Falar que o eleitor escolhe o candidato é uma bobagem monumental. Não temos idéia pra onde vai o nosso voto. Com a lista fechada, saberíamos. O argumento que diz que o partido teria poder. Eu nem sei conversar disso. Por que, né? É uma república de partidos. Os deputados votam todos de acordo com as orientações partidárias. Não existe isso. De mandato independente. Os partidos mandam nos candidatos. E que bom que é assim. E não existe chance de alguém que tenha base ficar de fora. Porque a lista precisa daqueles votos daquela base. Como o PSB vai vetar Erundina? Não tem chance. É uma das bases mais sólidas da política nacional. Vários movimentos populares a apóiam. E eu acho relevante saber quem ela leva junto. Quais as implicações do meu voto nela. E evita, né? Esses candidatos barangos, tipo Clodovil, que deixam essas heranças malditas. O Enéas foi outro exemplo. Acho muito fraco esse sistema, institucionalmente. Sou completamente a favor de partidos fortes. Mas muito mesmo. Daí tem isso de aperfeiçoar as listas. Tipo elas se tornarem regionais etc. O caso é que o eleitor precisa se ligar nos partidos. Quem não tem partido, sinto muito, não tem consciência política. Porque são os partidos que mandam mesmo. Outras coisas poderiam ser feitas. Tipo acabar com isso dos votos nas legendas. E valer o voto mesmo. Agora dizer que os deputados que estão no Congresso foram escolhidos pela população. Não é verdade isso. Menos de 10% foram. Daí que a lista organizaria essa informação pra gente. E faria com que olhássemos o que realmente interessa, o partido. Eu não entendo mesmo a discussão porque eu acho meio óbvio isso.

Resumindo. O sistema de representação legislativa, no Brasil, NÃO funciona no esquema eleitor=>candidato. Então eu não entendo como todo mundo parecia ignorar isso. Porque sempre foi assim. A lista fechada aperfeiçoa o modelo em voga. Ah, mas eu queria que fosse eleitor=>candidato, queria que fosse diferente. Bem. Aí então é outra a discussão.



Escrito por Mary W. às 23h21
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Outra coisa. Que eu já vi a OMS explicando mas as pessoas parecem que não estão entendendo. Não é a força do vírus da gripe mexicana que é importante. Mas a velocidade do contágio. Se virar uma epipandemia, os países não vão dar conta de atender todo mundo. E vai ser uma dessas doenças super tristes. Essas que tem cura mas que os pobres não tem acesso ao tratamento. Veja que o número de morte é altíssimo se considerarmos que tá todo mundo atento e tals. Então é ridículo dizerem "gripe comum também mata". Por que, né? Nós sabemos tratar gripe comum em casa. A gripe mexicana nós não sabemos tratar e não tem lugar nos hospitais pra todo mundo. Eu acompanho notícias sobre saúde pública com o DDA ligado. Mas foi isso que eu entendi.

E nos filmes a gente fica tão chateada quando os governos não acreditam nos cientistas. Quando acreditam, rola isso.

Só pra dar mais apoio mesmo. No caso, pra OMS.



Escrito por Mary W. às 20h54
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Eu preciso dizer isso. Porque duas coisas consagradas e que não faziam parte do meu planeta passaram a fazer depois da internet. The New York Times e Der Spiegel. Nossa. Eu adoro mesmo. E leio todo dia etc. Mas eu vejo umas pesquisas assim. Quem sentiria falta do NYT?, e aí respondem e a gente vê que ninguém. Então eu gostaria de dizer que. Eu sentiria falta do New York Times. Muita falta mesmo. Daí você me diz ah, mas é só a versão impressa. Olha. Sei não. Porque a internet vai NECESSARIAMENTE fazer uma edição muito pior. Eu leio as coisas. Sobre clickstream etc. Não vai caber. Eu vejo todo mundo dizer que não vai fazer falta, que a internet é mais ágil e mais dinâmica e mais democrática. Então não é um posicionamento nem nada. Nem ia falar nada. Porque talvez seja mais gosto que opinião. Só mesmo que eu fico apreensiva quando leio a respeito da crise do jornal. Porque eu vou sentir muita falta se fechar.

 



Escrito por Mary W. às 20h37
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Da série: minhas pessoa favoritas

 

Seja tão feliz quanto puder. Precisando de mim, só falar. Sempre à disposição.

 

E aos poucos futebol volta a ser negócio de gordos cachaceiros. Como sempre defendemos, claro.



Escrito por Mary W. às 16h19
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E no outro editorial. Porque sempre há dois hein.

Para fazer a diferença, o concurso deveria aumentar a remuneração inicial -hoje de R$ 1.834,85 por 40 horas- e ampliar a seleção além das fronteiras dos profissionais com licenciatura. Por que médicos não podem ensinar biologia; e engenheiros, matemática? Um treinamento mais longo e criterioso poderia dotá-los dos instrumentos necessários para ministrar aulas.

Falando em flexibilização. Cara. Sério. Um mundo que caga pra teoria não é um mundo pra mim.

 



Escrito por Mary W. às 16h15
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Um monte de gente sabida está se posicionando contra. Não estou dizendo que é sabido, mas o Editorial da Folha hoje se posicionou contra. Eu fico completamente ué. Eu tinha certeza que o sistema de lista de fechada era praticamente uma unanimidade. Pra mim, é a reforma política mais importante e desejada. Os argumentos contra dizem que os maus deputados se esconderão atrás das lista. E que os partidos ficarão super poderosos e os figurões enfiarão seus afilhados goela abaixo do eleitor. E que o tal eleitor não poderá mais rechaçar aquele deputado que só fez merda etc. Me parece incrível tudo isso. Ao invés de rechaçar a pessoa, será obrigado a rechaçar o partido. De novo. Acho INCRÍVEL. Não tô entendendo mesmo. Tinha certeza que era meio que consenso que lista fechada é melhor.

Embora seja meio bocó, eu sou doente por essas discussões "instrumentais" a respeito de democracia. Lista fechada, voto distrital, proporcionalidade. Eu acabo lendo um monte sobre essas coisas. Que são os mecanismos pra ajustar a representação, torná-la representativa. Eu tenho um xerox de um livro (porque nunca achei pra comprar o livro e xeroquei quando tava indo embora da universidade), de um holandês que tem um nome difícil e que eu nunca lembro. Lipt alguma coisa. E ele pega um monte de país e explica como se elege o parlamento em cada um deles. Parece uó. Mas ele conseguiu escrever um dos livros mais legais do mundo. Tanto que quando eu tava indo embora, lembrei e corri na biblioteca e xeroquei. Vai sabe quando que eu encontraria tamanha maravilha. Não sei onde tá. Mas vou achar. E aí explico direito. Porque aquele livro me tornou a favor do baile todo. Voto distrital misto, lista fechada etc. São meio famosos. Autor e livro. Eu que não lembro porque não sou grande coisa em Ciência Política.



Escrito por Mary W. às 13h05
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Sara Rahbar, Oppression 2

 

Eu até ia comentar ontem, no post do Idelber. Mas como é demasiado off topic, desisti. Sobre a visita do presidente do Irã. Do insuportável e intragável e idiota presidente do Irã. Que apareceu um ou outro comentário por lá. Dizendo que precisamos respeitar a posição dos iranianos acerca da homossexualidade. E da condição da mulher. Porque são práticas culturais e arraigadas e etc. Eu discordo tanto disso e vem bem à reboque de um negócio que tem me irritado faz tempo. E que eu sempre falo. Mas vou falar de novo. Que é o mau uso de dois conceitos fundamentais da antropologia. Etnocentrismo e relatividade cultural. Eu falei outro dia mesmo sobre relatividade ser um método e não uma visão de mundo. Porque li o desabafo do Sallins. O Esperando Foucault. Que é de uma fofura ímpar. E ele só brinca no livro. Mas aborda, né? Isso de relativismo ter se tornado uma visão de mundo e uma espécie de rótulo. A loucura se estabeleceu. E as pessoas apelam o tempo inteiro para o relativismo da outra. O que é amor para mim pode não ser amor pra você. E aí? Hein, hein? Parece um xeque-mate. E não é porra nenhuma. Amor é amor. E embora haja algum nuance na demonstração dele, se você não é amado não adianta relativizar (sic).  Sei que relativismo é um método. Muito caro à antropologia. Acontece que desde que Malinovski viu o kula e que Marcel Mauss tentou explicar o mana, se fez necessário um método que desse conta. Porque o que é o mana? É o dom. É a sorte. É a magia. Ou qualquer coisa assim. Mas aí o Mauss nota que essa tradução (mana=dom) não dá conta. E daí que a antropologia toda percebe que as traduções não dão conta. E daí aparece a proposta de relativizar. A relativização, nesse caso, diz respeito a compreender o mana dentro daquela rede de significados da Polinésia. Com as minhas lentes do interior de São Paulo, não consigo compreender o mana. Relativizar é colocar-se naquele lugar para poder tentar entender as categorias que fazem sentido por lá. Como Coppola faz com O Poderoso Chefão. Um dos filmes mais relativistas que eu já assisti. Ele vai contando aquela história para nos apresentar um Outro, que é o mafioso. E ele consegue relativizar. Não é porque ele humaniza o mafioso. Ou porque bem e mal deixam de existir. Não é por isso. É porque ele apresenta categorias pra gente. Como la famiglia. E o significado especial de lealdade que a Máfia tem. Daí no meio do filme a gente já vê alguém fazendo merda e pensa ah, não vai dar pra perdoar, vai ter que morrer. Claro que ninguém mata genros por aqui. Mas a gente entende o que o leva a matar o genro. Porque saca o funcionamento do baile mafioso. Eu assisti Slumdog Millionaire esse fim de semana. E se passa na Índia. E não é relativista. Absolutamente NENHUMA categoria nova me foi apresentada durante a exibição. O Chefão rola em Nova Iorque e apreendi umas duzentas categorias assistindo. Talvez até por isso seja melhor. Anyway. Então apresentar o Outro não é suficiente. É preciso também que haja uma categoria que precise ser compreendida fora dos próprios padrões. Sem que haja a tal da categoria, não há necessidade de relativização. E aí a sociologia dá conta tranquila de fazer a análise. Se você me diz pra levar em conta a cultura. Sociologia. Se você me diz que para levar em conta a cultura é preciso a apreensão de uma nova categoria. Antropologia. E o presidente do Irã é um homofóbico qualquer. Não é um persa. Ou um islâmico. É só um ditador com ímpetos moralistas. Ele condena uma série de comportamentos e, como tem poder, quer legislar a respeito. Existe gay no Irã. Existe lésbica no Irã. E eles são perseguidos. Eu poderia dizer que eles não tem cidadania. Mas cidadania é uma categoria que precisa ser relativizada, já que é ocidental. Opressão, entretanto, não precisa. E o presidente do Irã oprime gays. E os pune com a morte. A insatisfação de uma parte da população com ele, é sabida. Eu sei, principalmente, por conta dos filmes e cineastas. Porque eu acompanho a Samira mesmo. Se há alguma legitimidade na eleição dele, há muita legitimidade, também, nos protestos dela. E eu me posiciono com ela. Não é necessário relativizar esse protesto exatamente. Se for destrinchar o tema, entretanto, talvez precisemos de relativização. Mas nunca vi ninguém chegar nesse ponto. Eu me lembro exatamente de um caso que exigiu relativização da minha parte e eu não dei conta e abandonei. Porque eu queria saber mais de feminismo islâmico. E o Caderno Pagu trouxe uma edição sobre o assunto. Eu tinha lido uma vez a respeito de feminismo marroquino e tinha adorado. E fiquei toda feliz com o especial. Daí comecei a ler e percebi que a discussão funcionava realmente em outra vibe. Esse é o resumo do texto que me fez falar vixê (grifos meus, claro):

No ocidente, o tema da condição  das mulheres no Islã está ligado à representação que geralmente se faz do Islã e dos muçulmanos. É uma representação  constituída por estereótipos, esquematizações reducionistas e por confusões conceituais. A realidade do Islã e das sociedades muçulmanas possui muito mais nuances e freqüentemente não corresponde às idéias estabelecidas. A condição de inferioridade e precariedade a que está confinada a maior parte das mulheres muçulmanas, revela principalmente a hegemonia de uma mentalidade e de um sistema patriarcal que instrumentaliza sua leitura da religião para legitimar as situações de dominação, de violência e de exclusão em relação às mulheres. Partindo desta constatação, a autora propõe uma outra leitura do Islã e uma reflexão sobre a noção de igualdade no Alcorão e Sunna, na sua relação com o contexto da revelação, as finalidades da Chari’a e as perspectivas de evolução que podem revelar o referencial islâmico. Este trabalho de base é passível de reduzir as distâncias entre os princípios de igualdade entre os sexos inscritos nas convenções internacionais e seu equivale no Islã.

O texto todo é discussão de sharias. E ela argumenta sempre em cima delas. Há uma discussão vigorosa sobre isso etc. Eu nem tenho o que dizer. Porque são categorias que me escapam totalmente. Eu posso perceber que há um incômodo em relação à situação da mulher. Eu me solidarizo com isso. Mas não tenho condição de entrar no debate. Não posso me meter a discutir as tais sharias que eu nem sei direito o que são. Exige relativização. Veja. Quando você diz as sharias são machistas, você não está relativizando - está apenas palpitando. Quando você percebe que sharias são uma categoria que estão além da sua compreensão é que está. Porque, de novo, é preciso fazer justiça ao conceito. Quando há uma recusa em condenar o Ahmadinejad por homofobia, não se trata mesmo de respeito à cultura persa. Não vejo um elemento sequer que precise ser relativizado. Claro. Se os gays iranianos começarem a rediscutir as sharias, aí blábláblá. Porque respeitar a singularidade não envolve, de jeito nenhum, silenciar diante da opressão.

Tem um curta da Samira. Naquele filme sobre o dia 11 de setembro. E, no curta, a professora tenta explicar pros alunos, afegãos o que aconteceu. Mas tem muita dificuldade. Porque eles não sabem o que é avião, não sabem o que é Torre. Eu passo pros meus alunos esse filme. Não achei a legenda na internet. Então legendei eu mesma. No braço.

 



Escrito por Mary W. às 14h11
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MEC quer trocar matérias por áreas temáticas

"A ideia é não oferecer mais um currículo enciclopédico, com 12 disciplinas, em que os meninos dominam pouco a leitura, o entorno, a vida prática", disse a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar". (enciclopédico é tipo o palavrão atual. significa, acho, erudição. eu sempre adorei enciclopédia então nem entendo o que essa imbecil tá falando)

"A análise de uma folha de árvore, por exemplo, pode envolver conhecimentos de biologia, química e física. O aluno pode ver sentido no que está aprendendo", disse Neves. (pouca coisa me interessa menos na vida. agora ou quando eu tava no colégio. isso de análise de folha de árvore.)

"Precisa reorganizar espaços das escolas e, o que é mais difícil, mudar a cabeça do professor. Eles foram preparados para ensinar em disciplinas. Vai exigir muito treinamento." (e como tudo. vai fracassar e aí vão dizer que porque não executado conforme planejado. e alguma coisa é? executada conforme planejada?)

A idiotice não tem limites nunca. Essa idéia aí é a mais tonta dentre todas. É o famoso mudar tudo para não mudar nada. Essa análise da folha da árvore. Vou te contar que esse tal de Neves nunca pisou numa sala de aula. Não dá tempo de professor conversar e adequar tudo isso. Acaba fazendo uma aula assim durante o ano inteiro. E os alunos ainda reclamam "todo mundo só fala de folha de árvore agora". A Maria do Pilar usando a palavra entorno. Cara. Tenho tanta gastura dessa palavra. Mas tanta. Geralmente quem usa está tentando nos mostrar alguma palhaçada, tipo a beleza do cotidiano. E é claro. Fecha com treinamento e adequação de professor. Porque, claro, ao invés de se concentrar em melhorar a partir do que já não dão conta. Coisa nova. Mais uma coisa pra se somar àquelas que já não funcionam. Todas as vezes que o MEC inventa algo, ele atrasa o ensino todo. Porque concentra os esforços. Já não basta esse novo vestibular. Vamos deixar claro que pobres não competem no vestibular. Mas isso é outro assunto. Sei que as escolas agora tem muito com o que se ocupar. Criando áreas temáticas e se preparando pra ENEM. E aula que é bão? O Brasil funciona hoje com a idéia de ensino para todos. A massificação/democratização/whatever da escola. Não tá dando certo. Eu vejo pelos comentários aqui e conversando com as pessoas. Ninguém tem idéia do que a gente tá falando. Nós não estamos falando de maus alunos. Não é isso. Estamos falando de gente sem qualquer cultura escolar. Sem qualquer habilidade para realizar coisas simples. Como ler um parágrafo. Ou fazer uma multiplicação. É o caos. Não é ensino ruim. É ausência TOTAL de ensino. Então será que dava pra tentar fazer funcionar o mais simples de tudo? Não. Não dá. Todo dia inventa uma. Porque claro. O senhor Fernando Haddad está com a bunda sentada na cadeira. E não faz porra nenhuma. Aí acendem o rojão no rabo dele. E ele começa a mostrar serviço. Tirando que. Toda vez tem alguém pra falar isso de "áreas temáticas". Sempre que se discute educação alguém evoca oh, fragmentou-se o saber. Eu fico tão ué. Porque eles desprezam o saber. Querem ver aplicabilidade de tudo. Aí inventam isso. Ou se valoriza a cultura escolar ou não. Qual o problema de fragmentar a enciclopédia? Ela não serve pra nada mesmo. 



Escrito por Mary W. às 10h22
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Faz tempo que eu não dou notícia dos meus gatos. E as coisas mudaram bastante por aqui. Agora são 4. O mais novo, bebê ainda, apareceu um belo dia no quintal. E acabou ficando. Ele se chama Nonô. As dicas pra amizade da Tonton com a Bibi foram todas inúteis. Porque elas não chegaram a ficar amigas. A Tonton é muito, muito difícil. E ela bate nos outros três e eles morrem de medo dela. Cada vez que vai no veterinário, descobre uma. Ela tem bruxismo, por exemplo. E uma cicatriz de fora a fora, na barriga. Que indica que ela passou por um procedimento cirúrgico bastante complicado. Não sabemos qual. O passado dela é mistério total. Mas ela faz a louca. E toca o terror aqui em casa. O Zulu é mega fofo e arredio. Não curte muito que se faça carinho nele. Mas vive dando cabeçadas na gente. Que é o jeito que ele tem de contato físico. Sempre cabeçada. A Bibi abala Bangu. É dócil, bonachona. A mais tonta dos quatro. MOR-RE de preguiça da Tonton. O Zulu tem pânico da Tonton. Ele e a Bibi são best friends. E aí o Nonô. Que chegou na sexta-feira da Paixão. Ele é *o* dengoso. Ronrona sem parar. Vira de barriga pra cima a qualquer momento. Ama carinho. Dorme comigo. E, pasmem. Tenta enfrentar a Tonton. É o que mais tenta, apesar de pequenininho. Ele ficou bem amigo do Zulu também. E a Bibi tá enciumada disso. Ela tá até meio quietona e tal. O Zulu é o top do condado. O preferido de todos. O que é bem engraçado, porque ele é o mais covarde em relação à Tonton. E ela ocupa um lugar na relação deles. Tão sempre procurando e vendo onde ela tá etc. Eu fiquei estranha no vídeo ficou porque minha web cam está sem som. Daí eu tive que gravar sem ver etc.



Escrito por Mary W. às 03h53
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Blanka derretendo Chun Li

E outra coisa que eu tenho que falar. Sobre o juiz que apareceu no Fantástico. É o meu juiz sim. Aquele que pôs o dedo na minha cara durante a discussão do filme Tropa de Elite. A proposta dele, que apareceu no Fantástico, é o toque de recolher. Que existe aqui. Menores não podem ficar na rua depois das 11 da noite. Em determinados ambientes, nem com os pais. O pessoal segue, porque tem batida. Mas às vezes, arrisca. Tipo a Branca teve uma festa numa pizzaria. Ela tem 11 anos, daí que pode ficar na rua até às 9 horas. Mas foi longe a festa e ela voltou às 11. Não aconteceu nada. Mas se o conselho tutelar encanasse, ela e os amiguinhos seriam recolhidos de camburão. Em botecos é comum chegar o camburão, o juiz, o conselho e o SP TV. Já vi várias e várias vezes. Assusto de vez em quando. Mas geralmente quando chega o camburão, num lugar que a gente tá, todos já sabem do que se trata. Do ponto de vista individual, é bom pra gente. Porque não tem mais molecada na balada. Minha opinião sobre toque de recolher, entretanto, nem preciso dar, acho. É óbvio que sou contra e blá. O caso é que ele tem apoio da população. Sendo que a universidade é a única adversária dele. Precisamente o curso de Serviço Social. Ele escreve uma coluna no jornal, no mesmo espaço que eu. Semana passada ele fez uma coisa bonitinha. Escreveu para os professores universitários. E perguntou. Por que vocês são contra? Vamos debater?. Eu fiquei bem quieta. O professor de filosofia meio que entrou no debate. Misturou Tiradentes com tudo isso. Dizendo que há um Estado que enforca e erra etc. Eu não me lembro do jeito que ele falou. Mas ficou bem bom. O professor de filosofia também escreve uma coluna no mesmo espaço e blá. O caso é que tem dois jornais aqui. Esse, diário. E um outro semanal. E hoje chegou o semanal. Rapaz. Juiz nas alturas. Falando sobre como ele se tornou relevante nacionalmente e como ele tem melhorado a vida na cidade e insinuando que deveria entrar pra política e virar prefeito. Uma página enaltecendo o fim da reportagem do Fantástico. 77% dos brasileiros concordam com a proposta do juiz, diz o jornal. É o suficiente para o clima "com a opinião pública do seu lado". Pois é. Perdi, playboy. Ele tem potencial pra virar herói nacional. Inclusive tá propondo uma PEC aí. Pra quem não sabe. Proposta de Emenda à Constituição. Espero sinceramente que quando ele se tornar o paladino de tudo que é bom, ninguém se lembre. Que eu bati boca com ele. Recolho-me, claro. Mas não quero virar vilã, né?

A verdade é que a cidade está bem orgulhosa dele.



Escrito por Mary W. às 19h10
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Como eu fui trabalhar pela internet, acabei não pegando. A primeira geração de alunos que estudou exclusivamente sob a égide da progressão continuada. Sistema super polêmico para as pessoas comuns, tem o apoio de todos os especialistas da área pedagógica e tal. É preciso deixar claro que eu considero Fernando Haddad = Paulo Renato. Não vejo mesmo diferença entre os dois. E já assisti a debates para governador em que o Maluf ficava papagaiando sozinho a respeito do ensino tradicional, enquanto PT e PSDB concordavam em manter a progressão automática. São Paulo é o epicentro disso tudo porque o estado se tornou mesmo um laboratório de pedagogia nos últimos 14 anos. Os tucanos, em certa medida, brincaram com o destino das crianças. Mas, em outra, usaram o arsenal teórico construtivista disponível. E eu tenho 80% dos alunos sem média na prova (na classe presencial) e 70% dos alunos sem média na prova (pela internet). É um número muito alto porque a minha prova é bastante "moderninha". Quase não exige conteúdo, apenas compreensão. Eu monto as questões de acordo com as diretrizes do ENADE/ENEM e o resultado é deprimente porque revela, também, falta de bom senso dos alunos. Não tem como errar, a gente pensa. Mas eles erram.

Daí que o artigo do Marcelo Coelho, ontem, foi um tanto agressivo. E eu jamais escreveria algo semelhante. Mas parece que é o ponto. Estamos todos com preguiça mesmo de ousar. E eu tô sentindo que o mundo vai entrar num deserto de propostas. Pelo menos na área de educação. Não acho que será uma onda conservadora nem nada. Mas vamos entrar num momento de guardar a viola no saco. Temos uma visão de educação que se resume assim: não importa o que os alunos aprendem, desde que eles estejam na escola. E isso chegou ao ensino superior etc. O problema é que existem pessoas que ainda vão à escola para aprender e elas estão destinadas aos melhores empregos etc. São os filhos da elite e da classe média alta. Enfim, o artigo dele, sobre os critério para a escolha da escola dos filhos:

1) Coeficiente de babaquice. É, sem dúvida, o mais subjetivo de todos, mas, quando, numa entrevista com o coordenador pedagógico, começo a ouvir frases do tipo "construção coletiva do conhecimento", "vivências interdisciplinares", fico desconfiado. Não que discorde disso. Mas nada substitui o conteúdo interessante e bem dado.
Ainda neste item, há o grau de babaquice dos pais. Se os pais fazem questão de "aula de informática", "formação religiosa" e "ginásio de esportes completo", não são muito do meu tipo;

2) Coeficiente de hipocrisia. Acho insuportável o tipo de colégio que se propõe a "passar uma visão crítica da sociedade" e, ao mesmo tempo, privilegia os filhos de ex-alunos, por menos talentosos que sejam, na hora da matrícula. É uma política de cotas para filhos de banqueiros.
Também acho hipócrita falar em "verificação de conteúdo" quando a palavra certa é "prova" e usar o conceito "insatisfatório" quando a nota é próxima de zero;

3) Coeficiente de organização. Depende, é claro, do tipo psicológico do seu filho. Há os que se dão melhor numa escola mais estruturada, com tarefas e procedimentos mais regulares. Para alguns, isso é fonte de segurança; para outros, de estresse ou de terror;

4) Coeficiente de massificação. Prefiro classes menores, espaços mais modestos, relações mais pessoais. Uma alta pontuação no Enem pode significar apenas que a escola está mais preocupada com o Enem do que com os seus alunos.

 

 



Escrito por Mary W. às 18h31
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Eu não gosto muito de desenho animado e filme de animação. Melhor dizendo. Não me interessa muito. Não coloco pra assistir nem nada. E raramente algum desses filmes fazem total diferença pra mim. Que eu me lembro, agora, acho que só Procurando Nemo mudou minha vida. Mas vejo bastante. Porque tenho o hábito de levar as meninas ao cinema. Daí a Branca me ligou, fim de semana passado. Pra gente ir ver Coraline. E fomos. E é absolutamente estupendo, o filme. Os desenhos são os melhores que eu já vi. A história é de cair o queixo. E no fim de tudo, eu gostei mais do desenho que as meninas. Altamente recomendo.

Na aula de inglês, estamos assistindo Kung Fu Panda. Estou adorando também. Não tinha visto ainda.



Escrito por Mary W. às 18h02
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Eu gostei demais da entrevista da Paula Sibila sobre twitters e afins. Embora discorde de algumas coisas. Eu acho que já falei aqui, há algum tempo, sobre a alteração da noção de intimidade que os blogs proporcionam. Minha opinião mudou pouco, então nada eu tenho a acrescentar. Eu discordo bastante quando ela diz que por trás de facebook e twitter existe solidão. Porque, né? É uma opinião pra lá de boba. Solidão sempre há e as tais TICs nos dão um bom leque de opções do que fazer com ela, a solidão. O melhor que ela diz, acho, é a respeito dessa busca de celebridade

No Orkut ou no Facebook, é evidente que o que se persegue é a visibilidade e, em certo sentido, também a celebridade. Ambas como fins autojustificados e como metas finais, não como um meio para conseguir alguma outra coisa e nem como uma consequência de algo maior.

Porque ela toca num ponto que a gente já sabe. Mas que não vejo ser desenvolvido a contento. Porque aí muita gente vem dizer de como ganhar dinheiro com twitter, por exemplo. E não é essa a questão. A tal monetização é um elemento meio alienígena no debate. Ter 50 mil seguidores é o valor. A gente acostumou a transformar tudo em dinheiro então acaba pensando nisso. E claro que se alguém me diz que eu posso ganhar dinheiro com meu blog/twitter/orkut, eu animo. Mas não é mesmo o centro dessas novas relações sociais. Inclusive o valor de mercado que adquirem, tem a ver com a comercialização de algo totalmente novo, que ainda nem é mercadoria e tals. Ela explica um pouco isso na entrevista. Eu presto muita atenção nisso. Na habilidade que alguns tem. De conseguir ser seguido no twitter, de ter um milhão de amigos no orkut e de ter um fotolog que bomba. Acho até meio ridículo que as celebridades tradicionais, tipo Oprah, entrem nessa disputa. Porque desvia um pouco a gente do que realmente importa. No caso, o fake do Vitor Fasano e a tal Twitess. Porque não acho mesmo que o fenômeno seja Ashton Kutcher. Mas a Twitess etc. Eu li uma entrevista com ela num blog, mas depois minha internet caiu e eu perdi o link e passou. Vou ver se acho. Em todo caso, há esse fenômeno aí. De celebridade de nicho ou sei lá. E eu considero que é por aí a "revolução". Porque qualquer um percebe que o 1 milhão do AK fica bastante relativizado diante dos 25 mil da Twitess. E não há nenhuma explicação satisfatória de como ela conseguiu isso e blábláblá.



Escrito por Mary W. às 17h53
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Eu vi a Cynthia dizendo que dia 27 de abril foi aniversário da Mary Wollstonecraft. E não é qualquer aniversário. São 250 anos. Eu acabei optando por ela quando resolvi fazer blog. Escolhi o nome dela pra usar por conta de uma paixão que eu tava na época, pelo movimento sufragista. Eu já tinha lido sobre ele, mas a internet deu toda uma nova dimensão pra coisa. As fotos, os textos, as informações sobre Seneca Falls. Eu fiquei encantada mesmo. E por Seneca Falls, quase escolhi o nick de uma sufragista americana, Lucy Stone. E fiquei um tempo nessa. Mas eu tava meio que "traduzindo" A Vindication of the Rights Woman. E era uma leitura difícil, porque só tinha fotos das páginas do livro, na época. A Lucy Stone me encantou muito, também, por conta do Marriage Protest. E da indecisão dela, de se casar ou não com Henry Blackwell. A Mary Wollstonecraft me encantava, também, por conta de ser mãe da Mary Shelley. Então eu fiz assim. Meu primeiro blog se chamava Seneca Falls e eu o assinava como Mary W.

Mais para dar parabéns mesmo. Porque não tenho nada a dizer sobre as sufragistas. Sinto reverência profunda. Nem tenho condição de fazer análise.



Escrito por Mary W. às 05h39
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Take my breath away.

 

 

É cada uma que me aparece.



Escrito por Mary W. às 02h57
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Eu arranjei uma paquera nova. Ela é meio super legal, parece. E é estudada e bem de vida. Pela internet tudo isso. E ela mora em São Paulo. Que é onde as pessoas tem que morar, eu acho. Não faz o menor sentido morar em outro lugar, eu penso. Só se os impeditivos forem grandes e tal. Eu tô usando essa palavra "impeditivo" agora. Por causa do imposto de renda. Porque eu tentava enviar e aparecia uma mensagem "há um impeditivo". Adoro palavra nova e que significa. Essa aí sempre passou longe do meu vocabulário. Estou fazendo das tripas, coração para incorporá-la. Daí minha paquera nova sai com essa. Me add aí. Eu pá. Adicionei na hora. E então isso. Nick cheio de penduricalho e uma frase. Eu odeio frase na frente do nick*, no MSN. Acho cafona a dar com pau. Daí entrei offline e saí loguinho. Na boa. Mulher besta não pega no papo furado.

*E nós sabemos o que a Elaine pensa a respeito do excesso de pontos de exclamação. Aliás. Vamos combinar de não usar ponto de exclamação nunca, etc.



Escrito por Mary W. às 02h35
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