TRICOLOR PRIDE


Eu tava procurando as imagens da barbeação e achei esse post. Uau. Cada imagem boa. E possibilidade de achar mais coisas. O post não é muito engajado não. É até meio bobão.

 

 



Escrito por Mary W. às 20h10
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Art and Gender Studies Take 4

É nessa coleção genial chamada Mundo da Criança que eu vi esse poema. E que minha mãe recitava pra gente. Eu e meu irmão. E eu morria de rir dele. Porque achava melhor ser menina. Hoje, não acho. Porque não consigo mais ver problemas em rãs. Antropologia saves my soul, você bem sabe.

De que são feitos os meninos?
De que são feitos os meninos?
Rãs, caracóis, rabinhos pequeninos.
Disto são feitos os meninos.

De que são feitas as meninas?
De que são feitas as meninas?
Açúcar, perfumes e outras coisas finas.
Disto são feitas as meninas

E tudo é interessante. Por exemplo. Eu gosto de perfume. Mas esqueço de passar. Esqueço de comprar. Meu irmão não. Ele toma banho de. Deixa rastro quando passa. E teve diabetes precoce. Por causa de muito açucar. E porque é muito nervoso. Não podia dar certo, esse poema. Eu já sabia. Ele já sabia. Minha mãe já sabia. Acabava sendo mais um jeito mesmo, da gente perceber. Que meninos e meninas são feitos da mesma coisa. Mas o que acontece com o pessoal que fez o comercial da Ruffles. Não tem mãe que declama poemas. Não tem a coleção Mundo da Criança. E diz que menina gosta de sapato e menino gosta de churrasco. E pronto. Pra arrepiar de vez os meninos ativistas das causas dos animais. E etc etc. O mundo mudou, hein pessoal? Que a Ruffles vire símbolo de caretice é algo que não dá pra entender. Porque escolher um caminho desse. Não dá mesmo.

Marjorie, como sempre, destrincha o negócio . Eu só me lembrei desse poema aí. Que é muito longo para ser twittado.

Me incomoda porque eu considero que estamos num momento tão avançado de percepção. Das construções das diferenças entre os gêneros. E aí fazem essa redução. Oh, não. É o que eu penso. Veja que mesmo a careta ciência da biologia. Já pega pra outras coisas. Embora todas nós discordemos. As diferenças são colocadas em termos de reflexos masculinos e femininos. Em relação ao som de choro e à dor do outro. E coisas assim. Essa camada aí. Que nem verniz não é. Menina gosta de sapato. Menino gosta de bolinha de gude. Isso aí é so last century. Ou retrasado. Não sei dizer retrasado em inglês. Minha prova final é na segunda-feira.

 

Eu gostei demais dessa foto aí que eu postei. Me lembrei dessa outra, do Jan Saudek, claro. Eu já cheguei a usar no template, a do Saudek. De tanto que eu gosto. Porque me parece assim. Se poder é uma questão de artefatos, deixa com a gente. É questão de fazer a barba? Então eu faço. E a de cima, me deu outra coisa, né? De nada a ser barbeado. E aí o artefato vira uma ameaça ao pescoço dela. Me deu um impacto mesmo, quando eu vi. Depois eu li que tem todo um lance. Uma discussão sobre como as mulheres devem ser depiladas e essa exigência tornando-se uma opressão. Diz também que as fotos devem ser vistas juntas (as outras sobre depilação). Mas eu gostei assim sozinha mesmo. Ah, claro. A foto da Blanka pode ser apenas que ela está brincando de ser menino. E eu acho genial do mesmo jeito se for isso etc. Porque, né? Enquanto ela brinca de fazer a barba, outra coisa está precisando ser urgentemente depilada etc. É, também, uma boa piada.



Escrito por Mary W. às 19h21
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Uma coisa que deve ser dita. Ninguém respeita os profissionais da área de humanas que não sejam advogados. Há uma luta pela legitimação dessas carreiras. E nenhuma dessas profissões conseguiu se firmar. O professor tinha um lance de "vocação". Que é complicado, qualquer idiota sabe. Quando caiu a "vocação", caiu a profissão também. É o vamos acabar com a palhaçada mesmo. Mesmo os departamentos de pesquisa das humanas. São bastante questionados. São vistos como inúteis. Tem muita gente querendo jogar pá de cal, faz tempo. Já vi alunos da Economia, que trabalham na FIPE dizendo. A gente fatura pra USP poder bancar as pesquisas de história antiga da FFLCH. Uma sensação mesmo que eu tenho que as pesquisas das ciências humanas são mais consideradas quando se aproximam do Direito e da Economia. Lembro da história do professor de teoria econômica da ESALQ. E eu chorava de rir quando via os meninos que faziam agronomia contando. O irmão de uma amiga minha da graduação estudava lá. Então existia essa ponte aérea São Carlos-Piracicaba. O professor entrava na sala e dizia. Isso é uma aula de teoria econômica. Para que serve? Para nada, é apenas teoria. Onde você vai aplicar? Não vai, é apenas teoria. E falava e falava, no tom mais mal humorado do mundo. E, claro, os alunos no meio do curso levantavam a mão e perguntavam. Professor, pra que serve isso que o senhor está explicando? E ele jogava o giz no chão. PARA NADA. Essa é uma das histórias recorrentes da minha vida, sabe? E eu experimento um prazer quando alguém me pergunta. Pra que serve Sociologia? PARA NADA. E adoro dizer isso. Mas eu devia acrescentar, né? Serve pra você entender essa resposta. Blá. Não esperava mesmo o tratamento que as ciências humanas vem recebendo do governo Lula.



Escrito por Mary W. às 20h36
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Eu não sei o quanto de aula as pessoas mataram na vida. Mas foram muitas. Tantas que. O MEC vem agora. Com isso de trocentas mil vagas para formar professor. O problema da carreira de professor é tão sério. E o MEC faz isso. De abrir licenciatura à distância. Sempre na base dos trocentos mil. E o Dimenstein bateu na tecla de oh, mas por que um engenheiro não pode ensinar Matemática?. E a verdade fica parecendo coorporativista e por isso não é dita. Porque a carreira é muito ruim. O salário é muito ruim. A jornada de trabalho é de 60 horas. Então não atrai ninguém. Só tonta. Que brigou com o pai porque queria ser socióloga. E ele me dizia. Minha filha, não tem emprego pra isso, você vai acabar professora. Mas, né? Eu poderia ser a advogada das grandes causas. Ou a economista das grandes previsões. Mas fui ser socióloga e virar professora. E começa o questionamento contemporâneo. À respeito das profissões discursivas todas. As profissões normativas não. Estão protegidas. E eu me lembro das minhas tias véias. Que só consideram curso superior se for Engenharia, Direito ou Medicina. Só existe uma profissão regulamentada para cada aptidão. O resto todo é perfumaria mesmo. E a luta. Do Conselho de Enfermagem. Tentando provar que existe essa profissão. Os losers jornalistas, hoje famosos, tentando provar que existe uma profissão. Mas voltamos aos tempos das tias velhas. Só podem restar três. Mundo globalizado, trabalho flexibilizado. Recomendo SEMPRE Richard Sennett. Para que a discussão saia do resmungo. Trabalho flexibilizado, caráter flexibilizado. Whatever. Existe uma possibilidade, porém. Na carreira de professor. Que é fazer mestrado e dar aula nos cursos de graduação em licenciatura. Geralmente os professores das faculdades são também professores da rede. Mas aí ganham um bom salário. O que o MEC e o estado de São Paulo querem fazer? Querem acabar com a carreira acadêmica para os professores de licenciatura. Veja bem. Uma vez instalado o processo de formação virtual, deixa de existir o professor para licenciatura. Através desse negócio de tutor. Deixando de existir o professor de licenciatura, deixa de existir carreira acadêmica para esse pessoal. Veja se isso só é meio grave. Há uma separação instituída entre teoria e prática. E como, me diga, como? Você vai atrair pessoas inteligentes para uma carreira que aliena o profissional do saber? Mas claro. Eu não posso falar nada disso. Porque é coorporativismo.

48% dos cursos à distância. Mel Dels.

Meus amigos que são esquerdinhas. E batem palminha pro governo Lula até pelados. Eles falam. Você tem que prestar concurso numa Federal. Isso que eles falam. Veja que horror. Aplaudem um modelo e me mandam pro outro. Tipo, a gente concorda com o Haddad. Mas foge, nega.



Escrito por Mary W. às 20h21
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